Ilustração institucional mostrando a queda dos spreads das debêntures e o aumento das emissões, simbolizados por duas montanhas-russas com moedas e documentos no mercado de capitais.

Spreads das debêntures caem e impulsionam emissões recordes

A forte demanda por crédito privado em 2025 levou os spreads das debêntures a níveis historicamente baixos. Com isso, empresas aproveitaram o momento para captar recursos em volume recorde, enquanto investidores aceitaram remunerações menores em troca de benefícios fiscais e exposição a emissores de maior qualidade. O cenário, embora favorável às captações, acendeu alertas importantes para a análise de risco.

O que são spreads das debêntures

Os spreads das debêntures representam a remuneração adicional paga pelas empresas em relação aos títulos públicos, como as NTN-Bs ou títulos atrelados ao CDI, para compensar o risco de crédito do emissor.

Em termos práticos:

  • Spreads menores indicam maior apetite do mercado por risco ou percepção de menor risco de crédito;
  • Spreads maiores refletem exigência de retorno mais elevada para compensar incertezas.

Por que os spreads caíram em 2025

A compressão dos spreads ao longo de 2025 foi resultado da combinação de fatores macroeconômicos, fiscais e de fluxo de capitais.

Demanda elevada por crédito privado

  • Juros elevados nos títulos públicos indexados à inflação;
  • Busca por alternativas de investimento fora do Tesouro;
  • Entrada relevante de recursos em fundos de crédito e infraestrutura.

Avanço das debêntures incentivadas

As debêntures incentivadas tiveram papel central nesse movimento. Em 2025, as emissões desse tipo de papel alcançaram aproximadamente R$ 172 bilhões, crescimento de cerca de 27% em relação ao ano anterior e o maior nível da série histórica.

Mesmo emissões sem prêmio aparente sobre os títulos públicos, as chamadas “debêntures carecas”, continuaram atrativas em razão da isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas.

Emissões recordes em um ambiente de spreads comprimidos

Com os spreads em patamares reduzidos, as empresas emitiram cerca de R$ 490 bilhões em debêntures ao longo de 2025, estabelecendo um novo recorde de captação.

No segmento atrelado à inflação, debêntures incentivadas com rating AAA chegaram a negociar com spreads próximos de 25 pontos-base abaixo das NTN-Bs. Já os papéis indexados ao CDI mantiveram spreads mais estáveis, mesmo em um ambiente de resgates líquidos em fundos de crédito.

O alerta para o investidor

A principal preocupação do mercado é que spreads excessivamente baixos podem levar o investidor a assumir risco de crédito sem remuneração adequada.

Pontos de atenção na análise

  • Qualidade e histórico do emissor;
  • Nível de alavancagem e estrutura da dívida;
  • Setor de atuação e sensibilidade ao ciclo econômico;
  • Capacidade de geração de caixa no médio e longo prazo.

Eventos de crédito observados no segundo semestre de 2025 ajudaram a interromper a queda dos spreads, reforçando a necessidade de maior seletividade.

Perspectivas para 2026: cautela e seletividade

Para 2026, o consenso entre gestores e analistas é de maior cautela. A expectativa é de:

  • menor pressão compradora por parte dos fundos;
  • acomodação gradual dos spreads;
  • avaliação mais criteriosa da relação risco/retorno.

Esse cenário reforça a importância de disciplina na escolha dos emissores e atenção à governança das operações.

O papel da análise técnica e contábil

Em um ambiente de spreads das debêntures comprimidos, a análise técnica, regulatória e contábil torna-se ainda mais relevante. A correta avaliação do risco de crédito, da estrutura das emissões e da conformidade regulatória é fundamental para decisões mais seguras no mercado de capitais.

Conclusão

A queda dos spreads das debêntures foi determinante para as emissões recordes de 2025, beneficiando empresas em busca de financiamento mais barato. Para o investidor, porém, o momento exige cautela, seletividade e análise aprofundada para evitar assumir riscos mal remunerados.

Leia também: Spreads das debêntures entram em 2026 sob novo teste

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Mauro Morgan de Aguiar

Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

Mauro Morgan de Aguiar

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