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    FAZ Cred capta R$ 80 milhões com FIDC de consignado privado

    A FAZ Cred, antiga Condolivre, captou R$ 80 milhões em apenas 60 dias com um novo FIDC de consignado privado. O fundo, batizado de FAZ Cred Mais Trabalhador, marca uma mudança importante na estratégia da fintech, que deixou de concentrar sua atuação no crédito para condomínios e passou a apostar no avanço do consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada.

    A operação acompanha as mudanças ocorridas no mercado de crédito após a entrada em vigor das novas regras do consignado privado e mostra como fintechs e fundos de investimento estão buscando oportunidades nesse segmento.

    FAZ Cred muda estratégia e amplia atuação no consignado privado

    A empresa nasceu em 2021 com o nome Condolivre e tinha como principal foco a oferta de crédito para trabalhadores de condomínios, especialmente porteiros, zeladores e outros profissionais contratados pelo regime CLT.

    Esse modelo era sustentado, em grande parte, por acordos exclusivos com condomínios. A empresa chegou a formar uma base de aproximadamente 60 mil trabalhadores.

    O cenário começou a mudar em março de 2025, quando novas regras do consignado privado ampliaram o acesso de trabalhadores formais a esse tipo de crédito.

    Com a mudança, instituições financeiras passaram a disputar diretamente as operações em um ambiente mais aberto, reduzindo a vantagem competitiva que a Condolivre possuía por meio dos convênios exclusivos.

    Diante desse novo contexto, a fintech decidiu reformular seu posicionamento, mudar o nome para FAZ Cred e ampliar sua atuação para outros setores da economia.

    Novo FIDC captou R$ 80 milhões em dois meses

    O principal símbolo dessa mudança é o FAZ Cred Mais Trabalhador, novo FIDC estruturado pela companhia.

    Voltado inicialmente para trabalhadores dos setores de saúde e educação, o fundo captou R$ 80 milhões em apenas 60 dias de operação.

    Segundo a empresa, o novo veículo também contribuiu para triplicar o volume total de contratos da FAZ Cred.

    A velocidade da captação mostra o interesse de investidores em estratégias ligadas ao consignado privado e em estruturas baseadas em direitos creditórios.

    Investidores ajudaram a redefinir o modelo de negócio

    Inicialmente, a estratégia da FAZ Cred era atuar principalmente como fornecedora de tecnologia.

    A empresa pretendia disponibilizar sua plataforma de análise de crédito para que terceiros pudessem operar em diferentes segmentos do consignado.

    No entanto, o interesse dos investidores mudou esse plano.

    De acordo com o CEO da companhia, Henrique Rusca, muitos investidores procuravam a fintech interessados em alocar capital, mas sem a intenção de assumir diretamente a operação do crédito.

    A partir dessa demanda, a FAZ Cred decidiu internalizar uma parcela maior da cadeia e passou a atuar também na estruturação e originação das operações.

    Patrimonial é principal investidora dos veículos da FAZ Cred

    A gestora Patrimonial aparece como principal investidora por trás dos veículos estruturados pela fintech.

    A parceria já existia no primeiro fundo da empresa, o FAZ Cred Condolivre FIDC, voltado ao segmento condominial e que reúne cerca de R$ 160 milhões em carteira.

    Após o histórico da primeira operação, a gestora também passou a participar do novo veículo direcionado a outros setores.

    Esse relacionamento permitiu à FAZ Cred ampliar sua atuação e buscar novas frentes dentro do mercado de consignado privado.

    Saúde e educação são os primeiros focos do novo fundo

    Apesar de ter ampliado sua atuação, a FAZ Cred não pretende crescer de forma indiscriminada.

    O novo FIDC começou pelos setores de saúde e educação, considerados pela empresa mercados com boa capacidade de reempregabilidade.

    Essa característica é relevante para a estratégia porque, no novo modelo de consignado privado, a possibilidade de retomada do desconto após uma nova contratação pode ajudar na recuperação do crédito em casos de demissão.

    Mesmo atuando em segmentos com salários potencialmente mais altos, o tíquete médio das operações permanece entre R$ 1.500 e R$ 1.600.

    A decisão faz parte da estratégia de pulverização de risco adotada pela fintech.

    FAZ Cred busca reduzir concentração de risco

    A companhia também estabelece limites para evitar que a carteira fique concentrada em poucos tomadores ou empregadores.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • limitação do volume de crédito concedido repetidamente a uma mesma pessoa;
    • diversificação entre diferentes trabalhadores;
    • limites de exposição por empresa empregadora;
    • nenhuma empresa pagadora representando mais de 1% da carteira.

    Esse modelo busca reduzir o impacto de problemas específicos em uma determinada empresa ou grupo de trabalhadores sobre o desempenho total do fundo.

    Inadimplência ainda está em fase de maturação

    Como o FAZ Cred Mais Trabalhador ainda é recente, sua inadimplência não possui histórico suficiente para uma avaliação consolidada.

    No fundo mais antigo, voltado ao setor condominial, a taxa de inadimplência oscila entre 10% e 15%, segundo informações divulgadas pela empresa.

    Parte relevante dos pagamentos é recebida por meio do repasse direto do governo, enquanto outra parcela é recuperada pela área própria de cobrança da companhia.

    A gestão da inadimplência, portanto, continua sendo um dos principais pontos de atenção dentro do modelo.

    Mercado potencial cresceu após as novas regras

    A abertura do consignado privado aumentou a concorrência para empresas como a FAZ Cred, mas também ampliou significativamente o mercado disponível.

    No segmento condominial, por exemplo, a empresa afirma que seu mercado endereçável passou de cerca de 60 mil para aproximadamente 400 mil trabalhadores.

    Nos novos nichos de saúde e educação, a expectativa é ainda maior.

    Segundo a companhia, o mercado potencial pode ser entre cinco e dez vezes superior ao da base condominial.

    O novo fundo também estaria apresentando um ritmo de originação aproximadamente duas vezes maior.

    Tecnologia e canais próprios ajudam na originação

    Com mais instituições disputando as operações de consignado, depender apenas de preços baixos pode não ser suficiente para sustentar a originação.

    Por isso, a FAZ Cred aposta em canais próprios construídos ao longo dos últimos anos.

    Entre os recursos utilizados estão:

    • atendimento direto pelo WhatsApp;
    • agentes de inteligência artificial;
    • ferramentas internas de análise e precificação;
    • relacionamento direto com empresas e trabalhadores;
    • testes de preço para aumentar a conversão das ofertas.

    A estratégia busca ajudar a fintech a competir em um mercado que também conta com a presença de grandes bancos.

    Empresa já avalia novos setores

    Depois de saúde e educação, a FAZ Cred pretende continuar expandindo sua operação para outros segmentos.

    Entre os setores avaliados estão o automotivo e a construção civil.

    A empresa afirma priorizar atividades com índices elevados de reempregabilidade, já que a possibilidade de o trabalhador retornar rapidamente ao mercado formal pode ser relevante para a continuidade dos pagamentos.

    FIDC de consignado privado ganha espaço no mercado de crédito

    A captação de R$ 80 milhões da FAZ Cred reforça o interesse crescente por estruturas ligadas ao FIDC de consignado privado.

    Mais do que uma mudança de nome, a transformação da antiga Condolivre mostra como empresas de crédito estão se adaptando às novas regras e buscando modelos capazes de combinar originação, tecnologia, gestão de risco e capital de investidores.

    Para o mercado de capitais e de crédito, movimentos como esse também ampliam a relevância de estruturas contábeis, fiscais e operacionais adequadas para acompanhar o crescimento das operações.

    Leia também o artigo da ContabilizaíBank sobre FIDC e Resolução CVM 240: o que mudou nas regras

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade para empresas do mercado de capitais e crédito, apoiando organizações que precisam estruturar suas rotinas contábeis, fiscais e financeiras.

    Continue acompanhando nosso blog para mais conteúdos atualizados.

    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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