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  • Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma

    Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma

    O Crowdfunding CVM 88 atingiu um novo patamar em 2025. O mercado movimentou R$ 2,11 bilhões, crescimento de 93,5% em relação a 2024, consolidando o modelo como alternativa relevante de captação no mercado de capitais brasileiro.

    Diante desse avanço, a Comissão de Valores Mobiliários abriu consulta pública para modernizar a Resolução CVM 88, com o objetivo de ampliar limites, escalar operações e reforçar a transparência do regime.

    Neste artigo, analisamos os números, as mudanças propostas e os impactos regulatórios.

    Crescimento expressivo do mercado

    Os dados de 2025 mostram a consolidação do Crowdfunding CVM 88:

    • R$ 2,11 bilhões captados
    • 652 ofertas realizadas
    • Crescimento de 56% no número de operações
    • Expansão de 6,26 vezes frente a 2023

    O destaque ficou com os Certificados de Recebíveis, responsáveis por R$ 1,42 bilhão distribuídos em 451 ofertas.

    O salto quantitativo indica amadurecimento das plataformas e maior confiança dos investidores.

    O que é o Crowdfunding CVM 88?

    O Crowdfunding CVM 88 é o regime regulatório criado pela Resolução CVM 88, vigente desde 2022, que disciplina ofertas públicas realizadas por meio de plataformas digitais autorizadas.

    O modelo se baseia em três pilares:

    • Conexão direta entre investidores e empresas
    • Ambiente digital regulado
    • Dispensa de registro prévio do emissor na CVM

    Em 2025, o mercado contava com 74 plataformas registradas e em funcionamento.

    As plataformas atuam como gatekeepers, validando juridicamente as ofertas e assegurando transparência informacional.

    Por que a CVM quer reformar a Resolução 88?

    O forte crescimento do Crowdfunding CVM 88 levou a autarquia a propor uma modernização do regime.

    Entre os principais pontos da consulta pública estão:

    1. Ampliação do teto de captação

    A proposta prevê elevar o limite para até R$ 50 milhões por oferta, permitindo maior escala às operações.

    2. Entrada de novos players

    A reforma poderá permitir:

    • Participação de securitizadoras
    • Ampliação para empresas do agronegócio
    • Eliminação de travas relacionadas a faturamento

    3. Modernização da dinâmica de investimento

    A CVM propõe:

    • Flexibilização das regras de aporte para investidores de varejo
    • Fomento à liquidez secundária
    • Maior rigor na transparência e na distribuição

    O prazo da consulta pública foi prorrogado até 23/01/2026.

    Impactos para o mercado estruturado

    A evolução do Crowdfunding CVM 88 pode abrir espaço para novas estruturas de financiamento híbridas, conectando:

    • Securitização
    • Certificados de Recebíveis
    • Agronegócio
    • Crédito estruturado

    Com maior limite de captação e possibilidade de atuação de securitizadoras, o modelo pode se tornar um canal complementar relevante para funding.

    Leia também: Agenda Regulatória CVM 2026: impactos no mercado

    Pontos de atenção regulatórios

    Apesar do crescimento, o Crowdfunding CVM 88 exige atenção a aspectos críticos:

    • Governança das plataformas
    • Controle informacional
    • Elegibilidade dos ativos
    • Conformidade com critérios de oferta pública
    • Monitoramento da liquidez

    A modernização tende a aumentar responsabilidade operacional e rigor técnico.

    Conclusão

    O avanço do Crowdfunding CVM 88 demonstra a consolidação do modelo como instrumento relevante de financiamento no Brasil.

    Com a proposta de reforma, o regime pode ganhar escala, complexidade e maior integração com o mercado estruturado.

    Para empresas que atuam com securitização, FIDC e crédito estruturado, acompanhar essa evolução regulatória é estratégico.

    Continue acompanhando o blog da Contabilizaí Bank para análises técnicas e atualizações sobre mercado de capitais.

    Continue lendo >>: Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma
  • FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro

    FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro

    O lançamento de um FIDC em dólar estruturado pela EXA Capital para a AgriConnection marca um avanço relevante no mercado de crédito estruturado no Brasil.

    Com patrimônio inicial de US$ 20 milhões, a operação se destaca por utilizar recebíveis em moeda americana como lastro, sem necessidade de hedge cambial, um movimento pioneiro no financiamento da agroindústria.

    Neste artigo, analisamos a estrutura, os diferenciais e os impactos desse modelo para o mercado de capitais.

    O que é um FIDC em dólar?

    O FIDC em dólar é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios cujo lastro está atrelado a ativos denominados na moeda americana.

    Diferentemente dos FIDCs tradicionais, que operam majoritariamente em reais, essa estrutura:

    • Capta recursos em dólar
    • Adquire recebíveis dolarizados
    • Gera retorno também em moeda estrangeira
    • Reduz exposição cambial estrutural

    No caso da operação estruturada pela EXA Capital, o lastro é composto por direitos creditórios originados de vendas internacionais realizadas pela AgriConnection.

    Estrutura da operação

    A operação foi organizada com divisão em subclasses de cotas:

    • Cotas sêniores, subscritas pelo Rabobank
    • Cotas subordinadas, subscritas pela AgriConnection e pela EXA Capital

    O fundo utiliza CPR (Cédula de Produto Rural) emitida pelos devedores, produtores e distribuidores, como instrumento formal da obrigação.

    No vencimento, a liquidação ocorre considerando a taxa PTAX do dia, com rentabilidade alvo de 7% ao ano em dólar.

    O prazo estabelecido para o fundo é de três anos.

    Por que a estrutura é inovadora?

    O caráter inovador do FIDC em dólar está em três pilares principais:

    1. Ausência de hedge cambial

    Como os recebíveis já são originados em dólar, elimina-se a necessidade de proteção cambial adicional, reduzindo custo e complexidade operacional.

    2. Novo precedente no mercado

    A estrutura demandou 15 meses de desenvolvimento, com:

    • Construção de metodologias de precificação
    • Modelos inéditos de marcação
    • Estruturação jurídica especializada

    Esse esforço cria um precedente relevante para futuras operações estruturadas em moeda estrangeira.

    3. Foco em crédito sólido

    O projeto piloto contempla 6% das vendas em dólar da AgriConnection, concentrado em:

    • Grandes grupos de soja
    • Produtores de algodão
    • Cooperativas consolidadas

    Isso reduz risco de crédito na fase inicial de validação do modelo.

    Impactos para o mercado de capitais

    O lançamento do FIDC em dólar amplia as possibilidades de financiamento estruturado no agronegócio e pode abrir espaço para:

    • Vendedores de máquinas agrícolas
    • Fornecedores de fertilizantes
    • Sistemas de irrigação
    • Exportadores com receita dolarizada

    Ao criar liquidez para ativos dolarizados, a operação fortalece o ecossistema de finanças estruturadas no Brasil.

    Pontos de atenção contábil e regulatório

    Estruturas como um FIDC em dólar exigem atenção especial em:

    • Reconhecimento contábil de ativos em moeda estrangeira
    • Critérios de marcação a mercado
    • Controle de lastro e elegibilidade
    • Monitoramento da performance da carteira
    • Governança e compliance regulatório

    A validação operacional ao longo de ciclos completos de safra será determinante para expansão do patrimônio do fundo.

    Leia também:
    Agenda Regulatória CVM 2026: impactos no mercado

    Conclusão

    O FIDC em dólar estruturado para a AgriConnection representa um avanço importante na sofisticação do crédito estruturado no Brasil.

    Ao combinar recebíveis dolarizados, estrutura de cotas bem definida e foco em crédito sólido, a operação estabelece um novo modelo para financiamento da agroindústria.

    Para securitizadoras, gestores e estruturadores, acompanhar essa evolução é estratégico.

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    Continue lendo >>: FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro
  • Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado

    Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado

    A Agenda Regulatória CVM 2026 consolida as prioridades da Comissão de Valores Mobiliários para modernizar o mercado de capitais brasileiro, ampliar o acesso a investimentos e reforçar a segurança jurídica.

    O documento organiza 21 iniciativas entre normas a serem editadas e temas submetidos à consulta pública, com impacto direto sobre securitizadoras, FIDC, fundos estruturados, consultores e participantes do mercado financeiro.

    Neste artigo, analisamos os principais pontos e seus reflexos práticos.

    Modernização e Inovação

    Um dos pilares da Agenda Regulatória CVM 2026 é adaptar o arcabouço regulatório às novas tecnologias, modelos de negócio e dinâmicas globais.

    Normas previstas

    • Modernização dos FIP: mais flexibilidade para gestores, possibilidade de coinvestimento e ajustes na gestão de riscos.
    • Agências de Rating: alinhamento à regulação europeia para facilitar captações no exterior.
    • Ações em Tesouraria: redefinição de free float e maior clareza na negociação de ações próprias.
    • Fundos Imobiliários (FII): atualização de regras do Anexo III da Resolução 175.
    • Certificação de Consultores: revisão dos requisitos para registro na CVM.

    Consultas públicas

    • Tokenização (Projeto 135 Light): criação de ambiente regulatório simplificado para ativos digitais.
    • Finfluencers e Analistas: regras claras para atuação em redes sociais.
    • ETF de Gestão Ativa: autorização para ETFs com estratégia ativa.

    Essas iniciativas mostram o esforço da CVM em acompanhar a transformação digital do mercado.

    Simplificação e Democratização do Acesso

    Outro eixo central da Agenda Regulatória CVM 2026 é reduzir burocracias e ampliar o acesso de investidores e empresas ao mercado de capitais.

    Normas a serem editadas

    • Crowdfunding (Resolução 88): aumento do teto de captação e inclusão de empresas maiores e do agronegócio.
    • Ajustes na Resolução 160: refinamento das regras de ofertas públicas.
    • FIF: simplificação de obrigações periódicas para reduzir custos operacionais.

    Consultas públicas

    • Suitability e Investidor Qualificado: possível revisão do critério de R$ 1 milhão investido.
    • Acesso ao Exterior: regulamentação do modelo de corretoras que oferecem acesso direto a bolsas internacionais.
    • FIDC: flexibilização para aquisição de direitos creditórios não padronizados e créditos de empresas em recuperação judicial.

    Para securitizadoras e gestores de fundos estruturados, essas mudanças podem representar novas oportunidades — e novos desafios regulatórios.

    Desenvolvimento Sustentável

    A pauta ESG ganha protagonismo na Agenda Regulatória CVM 2026, com foco em evitar greenwashing e criar padrões técnicos claros.

    • Mercado de Carbono: regulamentação da Lei 15.042/24 para negociação de créditos de carbono como valores mobiliários.
    • Taxonomia Sustentável: critérios objetivos para que fundos e títulos se declarem “verdes”.

    A expectativa é elevar a transparência e fortalecer a credibilidade do mercado sustentável brasileiro.

    Transparência, Segurança e Eficiência

    A CVM também pretende aprimorar a qualidade das informações e os mecanismos de supervisão.

    Norma prevista

    • Fatos Relevantes: distinção mais clara entre fato relevante e comunicado ao mercado.

    Consultas públicas

    • PLDFT e Trusts: reforço na identificação de investidores estrangeiros.
    • Punições automáticas por atraso: maior eficiência sancionadora.
    • COE: regras mais rigorosas de divulgação de riscos.
    • Lastro de CRI e CRA: registro no Sistema de Informações de Crédito (SCR).

    Impactos para securitizadoras e fundos estruturados

    A Agenda Regulatória CVM 2026 impacta diretamente:

    • Estruturação de CRI e CRA
    • Operações com FIDC
    • Governança e compliance regulatório
    • Divulgação de informações ao mercado
    • Contabilização e controle de lastros

    Empresas que atuam com crédito estruturado precisarão reforçar:

    • Monitoramento regulatório contínuo
    • Atualização de políticas internas
    • Revisão de estruturas contratuais
    • Adequação contábil e documental

    Leia também: 2025 consolida a tokenização de ativos financeiros

    Conclusão

    A Agenda Regulatória CVM 2026 sinaliza um mercado mais moderno, acessível e alinhado a padrões internacionais. Ao mesmo tempo, amplia a necessidade de rigor técnico, governança e conformidade regulatória.

    Para securitizadoras, FIDC e estruturas de crédito, acompanhar essas mudanças não é opcional, é estratégico.

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    Continue lendo >>: Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado
  • Prevenção a fraudes no fomento comercial ganha reforço com dados

    Prevenção a fraudes no fomento comercial ganha reforço com dados

    A prevenção a fraudes no fomento comercial tornou-se um tema central para empresas que operam com direitos creditórios. Com o aumento da sofisticação das fraudes e da judicialização, o setor passa a apostar em dados, colaboração e inteligência de risco como pilares para proteger operações e reduzir prejuízos.

    Por que a fraude é um risco recorrente no fomento comercial

    O fomento comercial lida diariamente com:

    • cessão de direitos creditórios;
    • análise de cedentes e sacados;
    • decisões rápidas de crédito.

    Esse ambiente cria vulnerabilidades, especialmente quando há assimetria de informação entre os participantes do mercado. Fraudes documentais, ocultação de histórico judicial e práticas oportunistas podem comprometer a recuperação dos créditos.

    A importância da colaboração no combate às fraudes

    Historicamente, o setor de fomento comercial operou de forma isolada. Esse modelo mostrou-se limitado diante de fraudes recorrentes e estruturadas.

    A troca de informações entre empresas permite:

    • identificar padrões de comportamento suspeitos;
    • antecipar riscos de inadimplência;
    • reduzir a exposição a cedentes mal-intencionados;
    • fortalecer a segurança coletiva do mercado.

    Quanto maior a colaboração, maior a proteção para todos os participantes.

    Como a tecnologia fortalece a gestão de risco

    A evolução tecnológica ampliou a capacidade de gestão de risco no fomento comercial. Plataformas especializadas passaram a integrar, em um único ambiente:

    • dados financeiros;
    • histórico jurídico de empresas e sócios;
    • informações de órgãos oficiais;
    • apontamentos colaborativos do próprio mercado.

    Essa consolidação permite análises mais profundas e decisões mais qualificadas.

    Plataformas colaborativas e prevenção a fraudes

    Um exemplo desse movimento é a BeeCred, plataforma criada exclusivamente para o fomento comercial, que reúne dados compartilhados entre empresas do setor e informações públicas organizadas de forma estruturada.

    A iniciativa conta com apoio institucional do SINFAC-SP e reforça a ideia de que omitir problemas enfraquece o mercado, enquanto compartilhar informações aumenta a proteção coletiva.

    Entre os diferenciais de soluções desse tipo estão:

    • histórico de processos judiciais;
    • alertas registrados por participantes do setor;
    • integração com bases oficiais;
    • análise de indicadores de vulnerabilidade dos CNPJs.

    “Limpa nome”, judicializações e riscos ocultos

    Um dos pontos sensíveis na análise de risco é a identificação de empresas que utilizam estratégias recorrentes de judicialização, como ações de “limpa nome”.

    O acesso ao histórico completo dessas ações, inclusive liminares posteriormente revogadas, permite:

    • avaliar o risco real da operação;
    • evitar decisões baseadas apenas em informações superficiais;
    • reduzir perdas decorrentes de fraudes estruturadas.

    Conformidade com a LGPD e segurança jurídica

    A prevenção a fraudes no fomento comercial precisa caminhar junto com a conformidade legal. Plataformas especializadas operam com:

    • informações públicas;
    • finalidades legítimas de proteção ao crédito;
    • controles de acesso restritos;
    • pareceres jurídicos que asseguram aderência à LGPD.

    Esse cuidado é essencial para garantir segurança jurídica e sustentabilidade do modelo.

    Impactos práticos para o setor

    O uso de dados integrados e colaboração traz efeitos diretos, como:

    • redução de prejuízos com fraudes;
    • melhoria na qualidade da carteira;
    • decisões de crédito mais seguras;
    • fortalecimento da governança no fomento comercial.

    Trata-se de um avanço estrutural, que tende a se consolidar como padrão no mercado.

    Conclusão

    A prevenção a fraudes no fomento comercial deixou de ser apenas uma medida defensiva e passou a integrar a estratégia das empresas do setor. O uso inteligente de dados, aliado à colaboração entre participantes, fortalece o ecossistema e cria um ambiente mais seguro, previsível e sustentável para o mercado de recebíveis.

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  • Direito de regresso em duplicatas escriturais é reconhecido pelo BC

    Direito de regresso em duplicatas escriturais é reconhecido pelo BC

    O direito de regresso em duplicatas escriturais passou a contar com reconhecimento expresso do regulador. Com a publicação da Resolução BCB nº 540/2025, o Banco Central encerra um período de insegurança jurídica e amplia a previsibilidade para operações de fomento comercial que envolvem duplicatas escriturais.

    O que são duplicatas escriturais

    A duplicata escritural, instituída pela Lei nº 13.775/2018, substitui o título físico por um registro eletrônico em sistemas autorizados. Na prática, esse modelo:

    • moderniza o mercado de recebíveis;
    • aumenta a rastreabilidade das operações;
    • reduz riscos operacionais e fraudes;
    • facilita a circulação e a cessão de créditos.

    Com a consolidação da duplicata escritural, o mercado passou a discutir com mais intensidade temas como coobrigação e direito de regresso.

    O que é o direito de regresso

    O direito de regresso permite que o adquirente de um crédito possa cobrar o cedente em determinadas hipóteses, especialmente quando ocorre inadimplência do devedor. Em operações de fomento comercial, esse mecanismo é relevante porque:

    • reforça a capacidade de recuperação dos valores pelo adquirente;
    • mitiga riscos em operações de aquisição e cessão;
    • ajuda a equilibrar risco e retorno na precificação.

    O período de insegurança jurídica após a Resolução BCB nº 339/2023

    A redação da Resolução BCB nº 339/2023 abriu margem para interpretações restritivas quanto à coobrigação em operações realizadas por instituições não financeiras. Na prática, surgiram dúvidas sobre:

    • a possibilidade de operar com regresso fora do sistema bancário;
    • a validade da coobrigação em duplicatas escriturais;
    • os impactos regulatórios na estruturação e na documentação das operações.

    Esse cenário elevou a cautela do mercado e aumentou o risco de disputas interpretativas.

    O que muda com a Resolução BCB nº 540/2025

    A Resolução BCB nº 540/2025 esclarece o tema ao reconhecer, de forma expressa, a operação de aquisição com direito de regresso nas duplicatas escriturais, nas hipóteses legalmente admitidas.

    Principais avanços

    • reconhecimento explícito do direito de regresso em duplicatas escriturais;
    • redução do risco de interpretações que restrinjam a coobrigação a instituições financeiras;
    • maior segurança jurídica para operações com duplicatas escriturais;
    • melhor previsibilidade para contratos e modelos operacionais do setor.

    Quem é impactado

    O entendimento beneficia operações realizadas por diversos participantes do mercado de recebíveis, incluindo:

    • securitizadoras;
    • empresas de factoring;
    • Empresas Simples de Crédito (ESC);
    • FIDCs que operam com duplicatas escriturais.

    Impactos práticos para o fomento comercial

    Com o reconhecimento expresso do direito de regresso em duplicatas escriturais, o mercado tende a observar efeitos positivos, como:

    • maior segurança na estruturação das operações;
    • redução de disputas interpretativas e de risco jurídico;
    • melhoria na capacidade de recuperação de créditos pelo adquirente;
    • fortalecimento da confiança de originadores, investidores e participantes da cadeia.

    Esse avanço reforça a estabilidade em um setor que movimenta volumes relevantes de recebíveis e depende de previsibilidade regulatória.

    A importância da governança e da estruturação adequada

    Mesmo com o avanço regulatório, o direito de regresso exige atenção técnica. Para reduzir riscos e assegurar conformidade, é recomendável reforçar:

    • contratos bem estruturados, com cláusulas claras sobre coobrigação/regresso;
    • documentação consistente da cessão e da operação;
    • aderência às hipóteses legalmente admitidas;
    • controles contábeis e jurídicos alinhados à natureza dos recebíveis.

    Leia também: Duplicata escritural: o avanço que está modernizando o crédito no Brasil

    Conclusão

    O reconhecimento do direito de regresso em duplicatas escriturais pelo Banco Central representa um marco para o fomento comercial. A Resolução BCB nº 540/2025 reduz incertezas, fortalece a segurança jurídica e contribui para um ambiente mais previsível para securitizadoras, factorings, ESC e estruturas relacionadas a FIDC.

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  • Fraude documental: como o corban identifica falsificações

    Fraude documental: como o corban identifica falsificações

    A fraude documental para correspondente bancário se tornou um dos maiores riscos nas operações de crédito nos últimos anos. Com a popularização de ferramentas digitais de edição, inteligência artificial e manipulação avançada de PDFs, falsificar documentos nunca foi tão fácil, e tão perigoso.

    Nesse cenário, o correspondente bancário (corban) assume um papel central como primeiro filtro de segurança. A capacidade de identificar sinais de fraude é essencial para proteger clientes, instituições financeiras e a própria reputação profissional.

    A falsificação ficou mais tecnológica, e mais difícil de perceber

    Hoje, golpistas conseguem alterar documentos com alto nível de precisão, tornando a fraude menos visível a olho nu. Entre os documentos mais afetados estão:

    • RG e CNH;
    • comprovantes de residência;
    • contracheques e holerites;
    • documentos emitidos por órgãos públicos.

    As técnicas mais comuns incluem:

    • ajuste de fonte e tamanho idênticos ao original;
    • inclusão de carimbos falsos;
    • manipulação de fotos e assinaturas;
    • edição digital de PDFs sem marcas aparentes.

    Por isso, confiar apenas na aparência visual do documento já não é suficiente. O olhar do corban precisa ser técnico, não intuitivo.

    Sinais de alerta em documentos físicos e digitais

    Mesmo com recursos sofisticados, a fraude costuma deixar rastros. O correspondente bancário deve estar atento a padrões e inconsistências.

    Inconsistências visuais

    • diferenças de nitidez entre campos do documento;
    • sombras artificiais;
    • cores levemente alteradas;
    • bordas irregulares ou desalinhadas.

    Dados que não combinam

    • CEP incompatível com o bairro informado;
    • datas de emissão incoerentes;
    • divergências entre informações de documentos distintos.

    Fontes e formatação irregulares

    • troca de fonte dentro do mesmo documento;
    • espaçamento desproporcional;
    • alinhamentos suspeitos.

    PDFs com marcas de edição

    • metadados alterados;
    • ausência de camadas originais;
    • compressão excessiva do arquivo.

    Elementos de segurança mal reproduzidos

    Em documentos físicos, observe com atenção:

    • hologramas;
    • textura do papel;
    • relevo;
    • brilho sob diferentes ângulos de luz.

    Utilize sempre ferramentas oficiais de verificação

    No combate à fraude documental para correspondente bancário, o uso de tecnologia deixou de ser opcional. As instituições financeiras oferecem sistemas que auxiliam na validação, como:

    • OCR (leitura automática de documentos);
    • biometria facial;
    • leitura automática de dados;
    • cruzamento com bases públicas e privadas.

    Além disso, portais e aplicativos oficiais permitem conferir a autenticidade de documentos como CNH, CPF e comprovantes emitidos por órgãos públicos.

    Ferramentas digitais não substituem o olhar humano, mas são indispensáveis no combate à fraude moderna.

    Atenção especial em atendimentos remotos

    As fraudes digitais são mais comuns quando o atendimento não é presencial. Para minimizar riscos, adote boas práticas como:

    • solicitar videochamada para confirmação de identidade;
    • pedir que o cliente mova o documento em diferentes ângulos;
    • comparar a foto do documento com o rosto em tempo real;
    • nunca aceitar imagens excessivamente editadas, sem reflexo ou com fundo estranho.

    O objetivo é impedir que documentos falsos circulem sem verificação humana adequada.

    Saiba mais em: Gov.br – serviços e validações oficiais

    Quando houver dúvida, trate como suspeita

    O correspondente bancário não deve “arriscar” uma liberação. Se qualquer detalhe gerar dúvida:

    • suspenda a operação imediatamente;
    • informe o gestor ou a instituição financeira;
    • registre a tentativa de fraude para fortalecer os controles internos.

    Atuar de forma prudente protege a operação, reduz riscos regulatórios e preserva a reputação profissional do corban.

    Conclusão

    A fraude documental para correspondente bancário evoluiu e exige uma atuação cada vez mais técnica, criteriosa e responsável. Combinar atenção aos detalhes, uso de ferramentas oficiais e postura preventiva é fundamental para garantir segurança nas operações de crédito.

    Mais do que liberar propostas, o papel do corban é garantir integridade, confiança e conformidade no mercado financeiro.

    Leia também: Regulamentação do BaaS pelo Banco Central: o que muda no setor

    Se você atua como correspondente bancário e quer estruturar sua operação com mais segurança, compliance e organização, fale com a Corbanzaí e fortaleça seus processos.

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