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  • BC restringe uso do termo “banco” e amplia regras no Open Finance

    BC restringe uso do termo “banco” e amplia regras no Open Finance

    A restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central passou a valer após a publicação de uma nova resolução do BCB e do CMN. A norma determina que apenas instituições autorizadas poderão usar termos como “banco” ou “bank” em suas marcas e comunicações.

    Além disso, outra resolução amplia o escopo do Open Finance ao incluir o compartilhamento da portabilidade de crédito, reforçando a modernização do sistema financeiro.

    O que muda com a restrição ao uso do termo “banco”

    A nova regra proíbe que instituições financeiras e de pagamento utilizem denominações que sugiram uma atividade para a qual não possuem autorização de funcionamento. Isso vale tanto para termos em português quanto em inglês.

    Por que essa regra foi criada?

    Segundo o Banco Central, o objetivo é garantir clareza ao consumidor, evitar confusão sobre o tipo de instituição contratada e fortalecer a segurança jurídica na prestação de serviços financeiros.

    Como as instituições devem se adequar

    As instituições que estiverem em desacordo com as novas regras deverão:

    • Apresentar um plano de adequação em até 120 dias;
    • Concluir a adaptação em, no máximo, um ano;
    • Utilizar denominações que deixem clara a modalidade da instituição (por exemplo: instituição de pagamento, SCD, SEP).

    Essa exigência reduz assimetrias de informação e reforça a transparência no relacionamento com clientes.

    Portabilidade de crédito entra no Open Finance

    A segunda resolução publicada pelo BC e CMN inclui a portabilidade de operações de crédito no escopo do Open Finance. O movimento amplia a concorrência e reduz barreiras operacionais entre instituições.

    Quando a novidade entra em vigor?

    Crédito pessoal sem garantia e sem consignação:

    • Piloto restrito: novembro de 2025;
    • Disponível ao público geral: fevereiro de 2026.

    Crédito consignado:

    • Piloto restrito para servidores públicos federais: agosto de 2026;
    • Disponível ao público geral: novembro de 2026.

    Benefícios para o consumidor

    Com a integração da portabilidade ao Open Finance, o processo passa a ser:

    • Mais rápido: prazo reduzido de até 5 dias úteis para até 3 dias úteis;
    • Mais eficiente: informações padronizadas e compartilhadas de forma segura;
    • Mais competitivo: mais instituições podem oferecer melhores condições;
    • Mais digital: jornada totalmente online ao longo de todo o ciclo da portabilidade.

    Impactos para o mercado financeiro

    Tanto a restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central quanto a inclusão da portabilidade de crédito no Open Finance têm como objetivos principais:

    • Reduzir riscos regulatórios;
    • Garantir transparência na relação com o cliente;
    • Aumentar a segurança jurídica para instituições e usuários;
    • Padronizar a experiência do usuário em canais digitais;
    • Estimular inovação e concorrência no sistema financeiro.

    Essas medidas aproximam o Brasil de boas práticas internacionais em supervisão financeira e infraestrutura de dados abertos.

    Conclusão

    A restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central reforça transparência e segurança para consumidores, ao exigir que cada instituição deixe clara sua natureza e limites de atuação. Ao mesmo tempo, a inclusão da portabilidade de crédito no Open Finance moderniza o processo, reduz prazos e amplia a concorrência entre instituições.

    Juntas, as medidas mostram o esforço contínuo do BC e do CMN para equilibrar inovação, competitividade e proteção ao usuário no sistema financeiro brasileiro.

    Se você atua no mercado financeiro ou lida com instituições reguladas, acompanhar as mudanças impostas pelo Banco Central é essencial para manter conformidade e competitividade.

    Continue acompanhando o blog da ContabilizaíBank  para receber análises claras, práticas e atualizadas sobre normas, tendências e impactos regulatórios no sistema financeiro brasileiro.

    A Contabilizaí Bank é uma contabilidade especializada em atividades financeiras, como Securitizadoras, Factorings e ESC.

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  • Inadimplência no Consignado CLT cresce e acende alerta nas empresas

    Inadimplência no Consignado CLT cresce e acende alerta nas empresas

    O consignado CLT passou por uma das maiores transformações recentes com o lançamento do programa Crédito do Trabalhador. Porém, um estudo da Serasa Experian mostra que a nova modalidade ainda enfrenta desafios operacionais significativos: um terço das empresas que aderiram ao sistema registrou episódios de inadimplência desde março.

    A maioria dos casos, segundo o levantamento, não está ligada à incapacidade de pagamento dos funcionários, mas a falhas tecnológicas e de integração entre empresas, RH e instituições financeiras. Neste artigo, você vai entender o que está acontecendo, por que o problema se espalhou e como as empresas podem se preparar.

    O que mostra o estudo sobre o consignado CLT

    Entre 550 empresas analisadas, muitas ainda não compreendem totalmente o funcionamento do consignado privado. Cerca de 46% afirmam conhecer pouco, ou nada, da modalidade. E mesmo entre as que utilizam o sistema, apenas 25,8% dizem entendê-lo bem.

    Os dados revelam ainda que a inadimplência é maior em determinados segmentos e regiões:

    • Nordeste: 42,1%
    • Sudeste: 33,3%
    • Indústria: 38,6%
    • Varejo: 48%

    Mas o ponto mais preocupante é a causa desses números.

    65% dos problemas vêm de erros sistêmicos

    Segundo a Serasa, grande parte da inadimplência no consignado CLT não acontece por falta de pagamento, mas por falhas no processo operacional. Entre os principais fatores estão:

    • 30%: atrasos de informação entre RH e banco;
    • 22%: falhas de integração com eSocial/Dataprev;
    • 13%: erros no desconto em folha;
    • 33%: dificuldades reais de pagamento por parte dos trabalhadores.

    Por que isso acontece?

    Antes do novo sistema, o consignado dependia de convênios diretos entre empresas e bancos, um processo mais controlado. Agora, qualquer instituição financeira pode ofertar crédito a qualquer empresa, aumentando o volume de transações e a complexidade operacional.

    Segundo a Serasa, 67% dos novos empréstimos foram concedidos por bancos que nunca haviam tido relação com a empresa contratante. Isso gera assimetria de informação e aumenta o risco.

    Impactos para o RH e para a rotina da empresa

    Com o novo modelo, o RH passou a ter responsabilidades adicionais, como:

    • controlar datas de corte;
    • realizar conciliações;
    • pagar guias do consignado;
    • manter dados atualizados no Emprega Brasil e no eSocial.

    Délber Lage, CEO da Salaryfits, resume a situação:

    “O RH passa a ter um conjunto de obrigações gigantesco, com muitas rotinas operacionais. Muda muito a rotina do departamento.”

    Score baixo e juros maiores: um desafio adicional

    Com a ampliação do acesso, muitos trabalhadores passaram a contratar crédito consignado pela primeira vez. Uma pesquisa indica que 44% dos novos tomadores têm score 400 ou inferior, o que aumenta o risco percebido pelos bancos.

    Sem histórico das empresas e dos colaboradores, muitas instituições estão elevando os juros como forma de proteção. O cenário atual combina:

    • riscos operacionais elevados;
    • distorções de informação;
    • inadimplência por falha de sistema;
    • entrada de tomadores com score baixo.

    A expectativa, segundo especialistas, é que o mercado se estabilize entre 12 e 18 meses, conforme bancos entendam melhor os perfis das empresas e a integração tecnológica se consolide.

    O papel da contabilidade especializada nesse cenário

    Para evitar problemas, as empresas precisam ter processos muito bem alinhados entre folha, eSocial, Dataprev e bancos participantes do sistema. Uma falha mínima pode gerar inadimplência artificial, prejuízos e inconsistências.

    Por isso, contar com uma contabilidade especializada se tornou essencial para:

    • reduzir erros de integração;
    • garantir conformidade com os sistemas oficiais;
    • evitar inadimplência por falha operacional;
    • oferecer segurança ao trabalhador e à empresa.

    Conclusão

    O consignado CLT tem potencial para ampliar o acesso ao crédito de forma democrática, mas o sistema ainda passa por um período de adaptação marcado por erros operacionais, juros maiores e desafios de integração. Para as empresas, o caminho é fortalecer processos, entender a dinâmica da nova modalidade e contar com suporte especializado para evitar prejuízos.

    A Corbanzaí é uma contabilidade digital especializada em Correspondentes Bancários.

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  • Regulamentação do BaaS pelo Banco Central: o que muda no setor

    Regulamentação do BaaS pelo Banco Central: o que muda no setor

    A regulamentação do BaaS pelo Banco Central marca um novo capítulo para empresas que oferecem serviços financeiros por meio de parcerias com instituições autorizadas. A norma recém-publicada estabelece regras claras para governança, segurança, riscos e transparência, trazendo mais previsibilidade ao modelo de Banking as a Service.

    Neste artigo, você entenderá o que muda com a nova regulamentação, quais são as responsabilidades das partes envolvidas e como o mercado deve se adaptar até 2026.

    O que é BaaS e por que o BC decidiu regulamentar?

    O Banking as a Service (BaaS) permite que empresas, inclusive não financeiras, ofereçam produtos como contas de pagamento, cartões e serviços bancários digitais por meio de uma instituição regulada pelo BC.

    A expansão acelerada do modelo e o aumento do número de parcerias criaram a necessidade de padronizar regras, mitigar riscos e garantir maior proteção ao consumidor.

    Segundo o BC, o objetivo da norma é:

    • Reduzir riscos operacionais e jurídicos;
    • Proteger clientes e instituições envolvidas;
    • Promover eficiência e competitividade no sistema financeiro;
    • Ampliar o acesso a serviços bancários estruturados com segurança.

    Principais pontos da regulamentação

    A norma publicada define responsabilidades, limitações e requisitos mínimos para as instituições que ofertam ou contratam serviços de BaaS.

    1. Governança corporativa e controles internos

    As prestadoras de BaaS devem implementar estruturas robustas de:

    • Governança;
    • Gerenciamento de riscos;
    • Controles internos;
    • Procedimentos de conduta e segurança operacional.

    2. Responsabilidade e transparência

    A regulamentação exige que:

    • A prestadora de BaaS seja claramente identificada ao cliente;
    • Informações estejam visíveis em canais digitais, documentos e instrumentos de pagamento;
    • Dados e relatórios fiquem à disposição do Banco Central.

    3. Regras para contratação de múltiplas prestadoras

    O texto final flexibilizou uma preocupação inicial: a proibição de contratar mais de uma prestadora de BaaS.

    Não é permitido que uma tomadora tenha duas prestadoras diferentes para oferecer:

    • Abertura, manutenção e encerramento de contas (depósitos, poupança, pré e pós-pagas);
    • Serviços de pagamento vinculados às contas.

    Exceção: quando tomadora e prestadora pertencem ao mesmo conglomerado prudencial.

    4. Prazos de adaptação

    A regra vale imediatamente, mas os contratos vigentes podem ser ajustados até:

    31 de dezembro de 2026.

    Impactos esperados no mercado de BaaS

    A regulamentação tende a gerar efeitos significativos no setor:

    • Mais segurança jurídica para empresas que desejam operar com BaaS;
    • Ambiente competitivo mais equilibrado com regras claras;
    • Proteção ao usuário final com identificação obrigatória da instituição responsável;
    • Expansão sustentável da inovação financeira.

    Conclusão

    A regulamentação do BaaS pelo Banco Central representa um avanço importante para o ecossistema financeiro digital no Brasil. Ao definir limites, responsabilidades e exigências de transparência, a norma cria um ambiente mais seguro, competitivo e preparado para novas soluções financeiras.

    Com prazo de adaptação até 2026, empresas terão tempo para ajustar seus modelos e reforçar a governança de seus serviços.

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  • IA a Serviço do Trabalhador: Como a Blipay Usa Inteligência Artificial no Crédito

    IA a Serviço do Trabalhador: Como a Blipay Usa Inteligência Artificial no Crédito

    A Inteligência Artificial no crédito está redefinindo a forma como milhões de trabalhadores brasileiros acessam serviços financeiros. E poucos exemplos ilustram esse movimento tão bem quanto a jornada da Blipay, uma startup que nasceu da combinação entre tecnologia, propósito e eficiência operacional.

    Neste artigo, você vai entender como três empreendedores transformaram um problema estrutural do mercado em uma solução inovadora para o trabalhador CLT, usando IA, dados transacionais e Open Finance.

    A origem da Blipay e o desafio de democratizar o crédito

    A história da Blipay começa com Felipe Ziliotti, economista e cientista da computação com anos de experiência no mercado financeiro global. Mesmo atuando no maior banco do mundo, no Vale do Silício, ele enxergava um problema claro: a tecnologia avançava, mas os trabalhadores comuns continuavam invisíveis para o sistema bancário tradicional.

    Decidido a mudar esse cenário, Felipe retornou ao Brasil para empreender. Mas o início não foi simples. Ele chegou ao país semanas antes da pandemia, um período em que a economia global praticamente congelou.

    Foi nesse contexto que nasceu a Blipay, com a missão de resolver um paradoxo: milhões de trabalhadores CLT com renda comprovada eram considerados “alto risco” pelos bancos, mesmo com histórico de pagamento e vínculo formal.

    “Nosso sonho audacioso é criar valor para todo trabalhador brasileiro. Queremos estar no bolso das pessoas, fazendo diferença real”, afirma Felipe Ziliotti, CEO da Blipay.

    O momento crítico: capital escasso e a necessidade de eficiência

    Os cofundadores Rodrigo Nakaura (COO) e Carlos Rodolfo Scarin Nascimento (CTO) sabiam que o caminho tradicional das startups, captar investimentos e escalar rapidamente, não seria possível. A retração global afastou investidores e impôs um novo desafio: operar com extrema eficiência.

    Com um time reduzido e recursos escassos, a cultura da empresa foi moldada em torno de três pilares:

    • Eficiência operacional
    • Autossuficiência financeira
    • Obssessão por tecnologia própria

    Esse cenário desafiador se tornou uma vantagem competitiva.

    Como a Inteligência Artificial no crédito virou o ponto de virada

    Para atender um público ignorado pelos bancos, a Blipay precisava de algo inédito: um modelo capaz de calcular o risco real do trabalhador de forma mais justa.

    A solução foi construir um motor de crédito autoral, baseado em:

    • Open Finance
    • Dados transacionais
    • Inteligência Artificial no crédito

    Esse motor analisa o comportamento financeiro real do cliente, sem depender de birôs tradicionais e sem reproduzir seus vieses.

    O processo exigiu coragem: para treinar o modelo, a empresa precisou assumir perdas iniciais e operar com ciclos curtos de aprendizado.

    Até que veio o ponto de inflexão:

    “Foi um clique: ver o modelo performando em produção e perceber que era muito superior ao status quo.”

    Escala, impacto social e antecipação salarial

    A eficiência do motor permitiu à Blipay crescer com segurança. Enquanto o mercado exclui, a startup inclui, analisando a verdadeira capacidade de pagamento do trabalhador.

    Com isso, tornou-se pioneira na antecipação salarial 100% digital e imediata via Pix, alcançando quase todos os municípios do país.

    O impacto é evidente: uma pesquisa interna revelou que mais de 50% dos usuários receberam seu primeiro crédito formal por meio da empresa.

    O reconhecimento veio também do ecossistema de inovação: os três fundadores foram selecionados como Empreendedores Endeavor, reforçando a qualidade da operação.

    A eficiência como motor de crescimento

    Com tecnologia proprietária e um time altamente enxuto, a empresa projeta encerrar 2025 com uma originação anualizada próxima de R$ 1 bilhão em antecipação salarial.

    Segundo a Endeavor, esse é o tipo de negócio que transforma economias: sonha grande, escala rápido e inspira a próxima geração de empreendedores.

    O futuro: multiplicar impacto

    No longo prazo, a Blipay enxerga sua maior missão como devolver ao ecossistema aquilo que recebeu, inspirando novos empreendedores e ampliando o acesso ao crédito para quem historicamente ficou à margem.

    “O que realmente fica é a capacidade de multiplicar impacto”, reforça Felipe.

    Por que este case importa para o setor financeiro?

    A transformação liderada pela Blipay mostra como a Inteligência Artificial no crédito pode corrigir distorções antigas do sistema e gerar inclusão financeira real.

    Esse movimento reforça tendências que impactam todo o mercado:

    • Uso de dados reais no lugar de modelos tradicionais
    • Personalização do risco individual
    • Produtos financeiros instantâneos e digitais
    • Expansão de crédito para públicos antes invisíveis

    Leia também: Portabilidade de consignado INSS: como a iCred amplia crédito e acelera a modernização do setor

    Conclusão

    A jornada da Blipay revela como tecnologia, propósito e eficiência podem criar soluções transformadoras. Usar Inteligência Artificial no crédito não é apenas uma inovação técnica, mas uma maneira de gerar impacto social real para milhões de trabalhadores CLT.

    Se você atua no mercado financeiro ou trabalha com produtos de crédito, acompanhar movimentos como este é essencial para entender o futuro do setor.

    A Corbanzaí é uma contabilidade digital especializada em correspondentes bancários.

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  • Liquidação do Banco Master: qual é o impacto nos FIDCs?

    Liquidação do Banco Master: qual é o impacto nos FIDCs?

    A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central, levantou dúvidas no mercado financeiro. Embora tenha afetado setores como RPPS e investidores de CDBs, o impacto da liquidação do Banco Master nos FIDCs é considerado restrito. Segundo levantamento da consultoria Uqbar, apenas uma pequena parcela da indústria de fundos está diretamente exposta ao conglomerado.

    Neste artigo, você entende o tamanho dessa exposição, quais fundos podem ser afetados e o que esperar dos próximos movimentos do mercado.

    58 FIDCs têm algum nível de exposição ao Banco Master

    O estudo da Uqbar mostra que o Banco Master atuava em 58 FIDCs, somando R$ 3,9 bilhões em patrimônio. Embora o valor seja expressivo, ele representa apenas:

    • 0,5% do patrimônio total da indústria de FIDCs;
    • 1,5% do número total de fundos ativos.

    Ou seja, o impacto da liquidação do Banco Master nos FIDCs, em escala setorial, tende a ser limitado.

    Como o Banco Master estava ligado a esses fundos

    A participação do Master nos FIDCs acontecia em duas frentes principais.

    1. Como administrador ou prestador de serviços fiduciários

    A Master CCTVM aparecia como administradora de 52 FIDCs, segundo informes referentes a outubro de 2025.

    2. Como cedente de direitos creditórios

    O banco atuava como cedente em seis FIDCs, todos com lastro em operações com pessoas físicas:

    • Esmeralda;
    • Moses;
    • Structure;
    • Voiter Consignado II;
    • Voiter Consignado III;
    • Long Life NP.

    No caso do FIDC Moses, o Banco Master também exercia o papel de agente de cobrança.

    Essa diversidade de papéis explica por que a liquidação pode produzir efeitos pontuais em determinadas estruturas.

    Primeiros impactos já identificados

    Entre os fundos expostos, apenas o Voiter Consignado II publicou fato relevante até o momento. No comunicado:

    • o fundo informou a existência de títulos emitidos por instituições em liquidação;
    • a administradora, Banvox DTVM, afirmou que fará a reprecificação dos ativos, limitada a R$ 250 mil;
    • houve alerta para possíveis impactos no valor patrimonial, com efeitos sobre resgates ou amortizações.

    Esse movimento reforça que, apesar de restrito, o impacto da liquidação do Banco Master nos FIDCs pode se materializar em casos específicos.

    O que esperar dos próximos dias

    A Uqbar estima que outros FIDCs se manifestem em breve, especialmente aqueles com vínculos mais operacionais com o conglomerado. Isso porque a liquidação implica a imediata paralisação das atividades do banco, exigindo ajustes operacionais e contábeis por parte das gestoras.

    Os principais pontos de atenção do mercado são:

    • atrasos operacionais em fundos que dependiam da atuação do Master;
    • necessidade de substituição de prestadores de serviços;
    • revisões de preços de ativos lastreados em operações originadas pelo banco;
    • comunicação com cotistas sobre potenciais impactos patrimoniais.

    Mesmo com esses ajustes, a expectativa é de que o efeito agregado sobre a indústria permaneça moderado.

    Por que o impacto é restrito?

    Três fatores ajudam a explicar a limitação dos efeitos sistêmicos da liquidação.

    1. Participação pequena no mercado total

    Apenas uma fração do patrimônio e do número de FIDCs tinha algum tipo de vínculo com o Banco Master. O percentual de 0,5% do patrimônio total reforça o caráter limitado do evento.

    2. Diversificação natural da indústria

    A indústria de FIDCs é diversificada por natureza. Os fundos contam com diferentes originadores, prestadores de serviço, tipos de lastro e estratégias de gestão, o que dilui riscos concentrados.

    3. Estrutura regulatória que protege investidores

    A regulação da CVM para FIDCs exige segregação de funções e mecanismos de substituição de prestadores. Isso permite que a gestão dos fundos seja ajustada sem paralisia total das operações.

    Esses elementos evitam efeitos em cascata e contribuem para preservar a estabilidade da indústria como um todo.

    Leia também: O crescimento dos FIDCs no Brasil: tendências e perspectivas

    Conclusão

    O impacto da liquidação do Banco Master nos FIDCs existe, mas permanece restrito a uma pequena parcela da indústria. Alguns fundos podem passar por ajustes de preço, reprecificação de ativos ou mudanças operacionais, mas não há sinal, até aqui, de risco sistêmico para o mercado de FIDCs.

    Gestores, cotistas e participantes do mercado devem acompanhar as comunicações oficiais dos fundos expostos e os desdobramentos regulatórios. No entanto, a combinação de diversificação, governança e regulação tende a sustentar a resiliência do setor.

    O impacto da liquidação do Banco Master nos FIDCs chama a atenção do mercado, mas permanece restrito a uma pequena parcela da indústria. Mesmo assim, os desdobramentos do caso reforçam a importância de acompanhar a evolução regulatória e os riscos envolvidos nas operações de crédito estruturado.

    A expectativa é que novos comunicados sejam divulgados pelos fundos expostos, especialmente aqueles com vínculos operacionais mais diretos com o conglomerado. Ainda assim, a diversificação da indústria de FIDCs e a estrutura regulatória vigente ajudam a limitar efeitos sistêmicos e a preservar a estabilidade do setor.

    Para os participantes do mercado, o episódio reforça a importância de monitorar riscos, acompanhar pronunciamentos oficiais e avaliar eventuais repercussões nas estruturas de crédito, sempre considerando as particularidades de cada fundo.

    ContabilizaíBank é uma empresa de contabilidade especializada em atividades financeiras, como SecuritizadorasFactorings ESC.

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  • 2025 e o avanço das debêntures securitizadas e incentivadas

    2025 e o avanço das debêntures securitizadas e incentivadas

    As debêntures securitizadas e incentivadas ganharam protagonismo em 2025 e se tornaram peças-chave no crescimento do mercado de capitais. Segundo a ANBIMA, as ofertas de debêntures movimentaram mais de R$ 375 bilhões até outubro deste ano, impulsionando a diversificação de produtos e atraindo novos investidores.

    Esses dois tipos de debêntures vêm transformando a forma como empresas captam recursos e como investidores acessam oportunidades de renda fixa com diferentes perfis de risco e benefício.

    Neste artigo, você entenderá o que diferencia cada tipo, por que as debêntures securitizadas e incentivadas cresceram tanto em 2025 e qual é o impacto delas no mercado financeiro.

    O que são debêntures securitizadas e incentivadas?

    Ambos os modelos têm a mesma finalidade: financiar empresas e projetos por meio do mercado de capitais. A diferença está na estrutura da operação e nos benefícios oferecidos a empresas e investidores.

    Debêntures securitizadas: estrutura robusta e foco no lastro

    As debêntures securitizadas ganharam impulso após a Lei nº 14.430/2022, o Marco Legal da Securitização. A norma ampliou as competências das companhias securitizadoras, antes restritas a CRIs, CRAs e outros certificados setoriais, permitindo a emissão de novos títulos lastreados em diferentes tipos de recebíveis, entre eles, a debênture securitizada.

    Como elas funcionam?

    Diferente da debênture tradicional, em que a empresa emissora busca financiamento diretamente, nas debêntures securitizadas:

    • o emissor é a securitizadora, e não a empresa originadora dos créditos;
    • a securitizadora adquire direitos creditórios e os utiliza como lastro da debênture;
    • o pagamento ao investidor depende do fluxo desses recebíveis, e não da saúde financeira da originadora.

    Esse modelo reduz o risco corporativo da empresa que originou o crédito, aumenta a transparência da operação e amplia o universo de investidores interessados em crédito estruturado.

    Governança reforçada e segurança jurídica

    As debêntures securitizadas também se enquadram na Resolução CVM nº 60, que exige a participação de novos prestadores de serviços na estrutura:

    • Custodiante, responsável por verificar bens e direitos vinculados ao lastro;
    • Auditor independente, que analisa as demonstrações financeiras do patrimônio separado.

    A operação conta ainda com regime fiduciário e a constituição de um patrimônio separado. Os recebíveis vinculados à debênture ficam segregados das demais operações da securitizadora, limitando o risco à performance daquele patrimônio específico.

    Essa estrutura fortalece a segurança jurídica, reduz a exposição ao risco corporativo e direciona a análise do investidor para o desempenho do lastro, algo muito valorizado por investidores institucionais.

    Crescimento das debêntures securitizadas em 2025

    Desde o início do ano, o mercado vem registrando avanço expressivo nas emissões de debêntures securitizadas. O movimento reflete o maior apetite por operações de crédito estruturado, com governança reforçada e foco na qualidade dos recebíveis.

    Debêntures incentivadas: foco em infraestrutura e benefícios fiscais

    Além das debêntures securitizadas, outro segmento em destaque é o das debêntures incentivadas. Enquanto as primeiras atraem pelo desenho sofisticado e pela diversificação de lastro, as incentivadas chamam atenção principalmente pelos benefícios tributários.

    Criadas pela Lei nº 12.431/2011, as debêntures incentivadas financiam projetos em setores considerados prioritários para o país, como:

    • energia, com foco em fontes renováveis;
    • logística e transporte;
    • mobilidade urbana;
    • produção intensiva em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

    Para pessoas físicas, esses títulos oferecem isenção de imposto de renda sobre os rendimentos, o que aumenta muito sua atratividade em comparação a outras alternativas de renda fixa.

    Debêntures de infraestrutura: um modelo complementar

    Em linha semelhante de incentivo, mas com diferenças relevantes, surgiram as debêntures de infraestrutura, previstas na Lei nº 14.801/2024. Elas seguem critérios parecidos de enquadramento de projetos, porém o benefício fiscal é concedido ao emissor, e não ao investidor.

    O Decreto nº 11.964/2024 determinou que os benefícios fiscais podem ser cumulados para um mesmo projeto, desde que em emissões distintas. Assim, uma mesma operação não pode ser classificada simultaneamente como debênture incentivada e debênture de infraestrutura.

    Desempenho recente das debêntures incentivadas

    Entre janeiro e julho, o número de ofertas de debêntures incentivadas cresceu 6,2% na comparação entre 2024 e 2025. Apesar disso, o mercado enfrentou um período de instabilidade nos últimos meses.

    Uma combinação de fatores ampliou os spreads e pressionou preços, levando a um desempenho abaixo do esperado, movimento atípico após um longo período de estabilidade. Um dos principais pontos de incerteza foi o debate fiscal, especialmente a Medida Provisória nº 1.303/25, que sugeria mudanças na isenção das debêntures incentivadas.

    Sem deliberação pelo Congresso Nacional, a MP perdeu validade no início de outubro, reduzindo parte da incerteza regulatória sobre o produto.

    Debêntures securitizadas e incentivadas: semelhanças e diferenças

    Tanto as debêntures securitizadas quanto as incentivadas têm o objetivo de conectar capital a oportunidades de financiamento. No entanto, elas se diferenciam pela estrutura e pelos benefícios oferecidos.

    Principais características das debêntures securitizadas

    • Emitidas por companhias securitizadoras;
    • Lastreadas em direitos creditórios específicos;
    • Possuem patrimônio separado e regime fiduciário;
    • Focam na performance do lastro, não no risco corporativo da originadora;
    • Estrutura com governança reforçada e múltiplos prestadores de serviços.

    Principais características das debêntures incentivadas

    • Emitidas por empresas que executam projetos em setores prioritários;
    • Financiam infraestrutura e projetos intensivos em inovação;
    • Oferecem isenção de IR para pessoas físicas, conforme a Lei nº 12.431/2011;
    • Podem coexistir com debêntures de infraestrutura em projetos distintos;
    • Atraem investidores em busca de eficiência tributária.

    Em conjunto, as debêntures securitizadas e incentivadas reforçam a tendência de um mercado de capitais mais segmentado, com produtos desenhados para diferentes estratégias e perfis de risco.

    Por que 2025 é o ano das debêntures?

    O ano de 2025 marcou a consolidação de um esforço conjunto de emissores, reguladores e investidores para ampliar a diversidade e a inovação no mercado de debêntures. A combinação entre debêntures securitizadas e incentivadas oferece:

    • mais alternativas de financiamento para empresas e projetos;
    • melhor alinhamento entre risco, retorno e governança;
    • benefícios fiscais relevantes em determinados modelos;
    • maior profissionalização das estruturas de crédito;
    • segmentação de produtos para diferentes tipos de investidor.

    Esse cenário reforça a ideia de um mercado de capitais em evolução, com instrumentos mais sofisticados e aderentes às necessidades de empresas, securitizadoras e investidores institucionais e de varejo.

    Conclusão

    As debêntures securitizadas e incentivadas consolidam 2025 como um marco para o mercado de debêntures no Brasil. Enquanto as securitizadas se destacam pela estrutura robusta, pelo foco no lastro e pela mitigação de risco, as incentivadas seguem relevantes pela capacidade de financiar infraestrutura com benefícios fiscais atrativos.

    Para empresas, esses instrumentos ampliam as alternativas de captação e planejamento financeiro. Para investidores, representam oportunidades de diversificação em renda fixa com diferentes combinações de segurança, retorno e tributação.

    ContabilizaíBank é uma empresa de contabilidade especializada em atividades financeiras, como SecuritizadorasFactorings ESC.

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