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  • Crescimento dos FIDCs: por que o mercado avança?

    Crescimento dos FIDCs: por que o mercado avança?

    O crescimento dos FIDCs tem chamado atenção no mercado financeiro brasileiro. Mesmo em um cenário de crédito mais restrito, os fundos de investimento em direitos creditórios seguem ganhando espaço como alternativa de financiamento para empresas.

    Segundo os dados apresentados, a indústria de FIDCs alcançou R$ 754 bilhões em maio, com alta de 10% em um ano. A expectativa do setor é que esse mercado possa chegar a R$ 1 trilhão nos próximos meses.

    Na prática, esse movimento mostra que os recebíveis estão se tornando cada vez mais relevantes para empresas que precisam de capital e para investidores que buscam exposição ao crédito privado.

    O que explica o crescimento dos FIDCs?

    O crescimento dos FIDCs ocorre em um momento de maior cautela no mercado de crédito privado.

    Com volatilidade, juros elevados e companhias mais alavancadas, muitas empresas encontram mais dificuldade para captar recursos por meio de instrumentos tradicionais, como debêntures.

    Nesse contexto, os FIDCs ganham força porque permitem transformar direitos creditórios em fonte de financiamento.

    Em vez de depender apenas de empréstimos bancários ou emissões tradicionais, empresas que possuem valores a receber podem acessar capital por meio da venda desses créditos para fundos especializados.

    O que são FIDCs?

    FIDCs são fundos de investimento em direitos creditórios.

    Na prática, eles compram recebíveis de empresas, como duplicatas, parcelas de vendas, contratos, créditos de cartão, financiamentos ou outros valores a receber.

    A empresa antecipa o recebimento desses valores, enquanto o fundo passa a receber os pagamentos dos devedores ao longo do tempo.

    Esse modelo conecta empresas que precisam de caixa, investidores que buscam retorno e recebíveis que servem como base da operação.

    FIDCs em cenário de crédito restrito

    O avanço dos FIDCs se destaca porque ocorre em um ambiente mais seletivo para o crédito privado.

    Enquanto parte do mercado apresenta retração, os fundos de recebíveis continuam registrando crescimento em volume e captação.

    Nos cinco primeiros meses do ano, os FIDCs somaram R$ 41,7 bilhões em emissões primárias, alta de 36,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

    No mesmo período, as debêntures totalizaram R$ 146,3 bilhões, mas apresentaram queda anual de 5,9%.

    A leitura é clara: em um mercado mais cauteloso, estruturas baseadas em recebíveis continuam atraindo empresas e investidores.

    Por que os recebíveis ganham importância?

    Toda empresa que vende a prazo possui valores a receber.

    Esses recebíveis podem estar ligados a vendas parceladas, duplicatas, cartões de crédito, contratos, financiamentos ou outras obrigações futuras.

    Quando a empresa precisa de capital antes do vencimento desses valores, pode buscar uma estrutura de antecipação ou financiamento via recebíveis.

    No caso dos FIDCs, esses créditos são reunidos em uma carteira e vendidos ao fundo, que passa a receber os pagamentos conforme os devedores quitam suas obrigações.

    Esse mecanismo ajuda empresas a melhorar o fluxo de caixa e financiar suas atividades sem depender exclusivamente de crédito bancário tradicional.

    Carteiras pulverizadas ajudam a reduzir risco

    Uma característica importante dos FIDCs é a possibilidade de formar carteiras pulverizadas.

    Isso significa que o fundo pode reunir créditos de vários devedores, setores e prazos diferentes.

    Essa diversificação pode ajudar a reduzir a concentração de risco, já que o desempenho da carteira não depende apenas de um único cliente ou contrato.

    Para investidores, esse fator pode tornar o produto mais atrativo, especialmente quando há boa estruturação, análise de crédito e acompanhamento da carteira.

    Empresas de diferentes setores usam FIDCs

    O crescimento dos FIDCs também está ligado à ampliação do perfil das empresas que utilizam esse tipo de estrutura.

    Antes mais concentrados em determinados segmentos, os fundos de recebíveis passaram a atender empresas de diferentes setores da economia.

    Algumas operações envolvem recebíveis de curto prazo, como duplicatas e cartões de crédito.

    Outras usam recebíveis de prazo mais longo, como créditos ligados ao mercado imobiliário, financiamento de veículos e contratos empresariais.

    Esse amadurecimento amplia o alcance dos FIDCs e fortalece o papel dos direitos creditórios no financiamento das empresas.

    Digitalização reduziu custos e aumentou eficiência

    A digitalização também contribui para o crescimento dos FIDCs.

    Com mais tecnologia, registros eletrônicos, integração de dados e processos automatizados, a estruturação e o acompanhamento das carteiras se tornam mais eficientes.

    Isso pode reduzir custos operacionais, melhorar a rastreabilidade dos créditos e facilitar a análise das operações.

    Quanto mais o mercado evolui em infraestrutura, dados e governança, maior tende a ser a capacidade de estruturar operações de crédito com qualidade.

    Tratamento contábil e gestão do caixa

    Um dos pontos que tornam os FIDCs atrativos para empresas é o impacto na gestão financeira.

    A depender da estrutura, a operação pode permitir que a empresa antecipe recebíveis sem que isso seja tratado da mesma forma que uma dívida tradicional no balanço.

    Esse aspecto precisa ser avaliado caso a caso, com atenção à natureza da operação, aos riscos transferidos, aos contratos e ao tratamento contábil adequado.

    Além disso, o FIDC pode ajudar a empresa a gerenciar melhor o caixa, antecipando valores futuros e reduzindo descasamentos entre pagamentos e recebimentos.

    Por que investidores olham para FIDCs?

    Do lado dos investidores, os FIDCs podem oferecer exposição ao crédito privado com características próprias.

    Entre os atrativos apontados pelo mercado estão a diversificação das carteiras, o potencial de retorno e a menor volatilidade em determinados tipos de estrutura.

    Além disso, a ausência de come-cotas é vista como um diferencial em relação a outros fundos.

    Ao mesmo tempo, é importante lembrar que FIDCs também envolvem riscos, como inadimplência, qualidade dos créditos, concentração, liquidez e estruturação inadequada.

    Por isso, a análise da carteira, da governança e da qualidade dos direitos creditórios é essencial.

    O papel dos bancos e fundos de crédito

    O mercado de FIDCs também tem atraído novos compradores.

    Entre eles estão bancos e fundos de crédito, que passaram a usar o produto de forma mais estratégica em suas carteiras.

    Para bancos, os FIDCs podem ser interessantes por questões regulatórias e de alocação de capital.

    Para fundos de crédito, podem representar uma forma de buscar rentabilidade e controlar a volatilidade dos portfólios.

    Esse movimento amplia a base de investidores e fortalece ainda mais o mercado.

    Investidor de varejo ainda participa pouco

    Apesar das mudanças regulatórias que permitiram maior acesso do investidor de varejo a cotas de FIDCs, a participação direta desse público ainda é limitada.

    Isso ocorre porque o produto exige compreensão sobre riscos, estrutura, carteira, subordinação, liquidez e qualidade dos direitos creditórios.

    Com o amadurecimento do mercado e a evolução da regulação, a tendência é que o tema ganhe mais visibilidade.

    Ainda assim, FIDCs continuam sendo produtos que exigem análise cuidadosa.

    O que o crescimento dos FIDCs mostra sobre o mercado?

    O crescimento dos FIDCs mostra que o mercado de crédito brasileiro está buscando alternativas mais estruturadas.

    Em um ambiente de crédito restrito, empresas precisam de novas formas de financiamento.

    Ao mesmo tempo, investidores buscam produtos que ofereçam retorno, diversificação e melhor controle de risco.

    Nesse contexto, os recebíveis deixam de ser apenas uma informação financeira da empresa e passam a ser um ativo estratégico.

    Por que governança passa a ser diferencial?

    Com o aumento do volume dos FIDCs, a governança se torna cada vez mais relevante.

    Não basta ter recebíveis. É preciso comprovar a existência, a qualidade e a rastreabilidade desses créditos.

    Isso envolve contratos bem estruturados, controles internos, documentos organizados, conciliações atualizadas e informações contábeis confiáveis.

    Quanto mais sofisticado o mercado se torna, maior é a importância da transparência nas operações.

    Como a contabilidade contribui nesse cenário?

    A contabilidade tem papel estratégico para empresas que atuam com recebíveis, crédito e financiamento empresarial.

    Ela ajuda a organizar informações financeiras, registrar operações corretamente, acompanhar receitas, despesas, cessões, inadimplência, provisões e resultados.

    Também contribui para a leitura gerencial da operação, permitindo que a empresa entenda rentabilidade, riscos e crescimento da carteira.

    No mercado de FIDCs e recebíveis, dados financeiros bem estruturados podem fazer diferença na análise, na gestão e na tomada de decisão.

    Leia também o nosso conteúdo sobre FIDCs e duplicatas escriturais.

    O que observar antes de estruturar operações com recebíveis?

    Empresas que desejam acessar capital por meio de recebíveis precisam avaliar alguns pontos antes de avançar.

    Entre os principais cuidados estão:

    • qualidade dos recebíveis;
    • formalização dos contratos;
    • histórico de pagamento dos devedores;
    • concentração da carteira;
    • prazo médio dos créditos;
    • risco de inadimplência;
    • documentação comprobatória;
    • tratamento contábil da operação;
    • governança e controle interno.

    Esses elementos ajudam a reduzir riscos e aumentam a segurança da operação.

    Conclusão

    O crescimento dos FIDCs mostra que os fundos de recebíveis seguem ganhando relevância no mercado financeiro brasileiro.

    Mesmo em um cenário de crédito mais restrito, os FIDCs avançam porque oferecem uma alternativa para empresas que precisam de capital e para investidores que buscam exposição ao crédito privado.

    Esse movimento reforça a importância dos recebíveis como instrumento de financiamento empresarial.

    Ao mesmo tempo, o avanço do mercado aumenta a exigência por governança, controle, qualidade das informações e tratamento contábil adequado.

    ContabilizaíBank é especialista em contabilidade para securitizadorasfactorings ESCs.
    Fale conosco para avaliar sua estrutura e tomar decisões com mais segurança.

    Continue acompanhando nosso blog para mais conteúdos atualizados.

    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Operação estruturada de crédito para corban

    Operação estruturada de crédito para corban

    Uma operação estruturada de crédito para corban exige muito mais do que vender mais contratos. Para crescer com previsibilidade, o correspondente bancário precisa organizar processos, controlar indicadores, reduzir gargalos e usar tecnologia para ganhar escala.

    Muitos corbans começam com uma operação baseada em vendedores, planilhas, WhatsApp e acompanhamento manual. Esse modelo pode funcionar no início, mas costuma gerar perda de controle quando o volume cresce.

    Por isso, transformar um corban em uma operação estruturada de crédito é um passo importante para quem deseja escalar sem aumentar custos na mesma proporção.

    O que é uma operação estruturada de crédito para corban?

    Uma operação estruturada de crédito para corban é aquela que possui processos claros, tecnologia integrada, funil de vendas organizado, indicadores de desempenho e controle sobre cada etapa da jornada do cliente.

    Na prática, significa deixar de depender apenas do esforço individual dos vendedores e passar a operar com método.

    Isso envolve organizar desde a entrada do lead até a assinatura do contrato, passando pela qualificação, envio de documentos, análise, acompanhamento e pós-venda.

    Por que muitos corbans perdem controle ao crescer?

    O crescimento sem estrutura pode criar gargalos.

    Quando o volume de leads aumenta, mas o processo continua manual, é comum surgirem problemas como propostas esquecidas, documentos incompletos, clientes sem retorno, contratos não assinados e dificuldade para medir a produtividade da equipe.

    Além disso, o gestor pode perder visibilidade sobre o que realmente está acontecendo na operação.

    Sem dados confiáveis, fica difícil saber quais canais convertem melhor, quais vendedores performam mais, onde os clientes abandonam a jornada e quais produtos geram mais resultado.

    Escalar não é apenas contratar mais vendedores

    Muitos corbans tentam crescer aumentando o time comercial. Porém, essa estratégia nem sempre resolve o problema.

    Se a operação não tem processos definidos, mais vendedores podem significar mais desorganização.

    Escalar com eficiência é aumentar o volume de propostas e contratos sem elevar os custos de forma proporcional.

    Para isso, o corban precisa investir em padronização, automação, CRM, indicadores e gestão operacional.

    O papel da tecnologia na operação do corban

    A tecnologia é uma das principais bases de uma operação estruturada.

    Com sistemas adequados, o corban consegue centralizar informações, distribuir leads, acompanhar propostas, automatizar lembretes, integrar canais de atendimento e monitorar resultados em tempo real.

    Isso reduz retrabalho e melhora a tomada de decisão.

    Em vez de depender de controles manuais, a operação passa a ter dados organizados e processos mais previsíveis.

    CRM para correspondente bancário

    Um CRM para correspondente bancário deve ir além do cadastro de clientes.

    Ele precisa apoiar a gestão completa do funil de crédito, desde a prospecção até a assinatura do contrato.

    Entre as funcionalidades mais importantes estão:

    • distribuição automática de leads;
    • controle das etapas do funil;
    • alertas de follow-up;
    • integração com WhatsApp, SMS e e-mail;
    • gestão de documentos;
    • acompanhamento de propostas;
    • relatórios por vendedor, canal e produto.

    Com esse tipo de controle, o gestor consegue identificar gargalos mais rapidamente e agir antes que a operação perca eficiência.

    Funil de vendas para crédito

    O funil de vendas de um corban precisa ter etapas bem definidas.

    Um modelo simples pode incluir prospecção, qualificação, simulação, envio de proposta, envio de documentos, análise, assinatura e pós-venda.

    Cada etapa deve ter responsáveis, prazos e indicadores.

    Quando o funil é bem estruturado, fica mais fácil entender onde os clientes estão parando e quais ajustes precisam ser feitos para aumentar a conversão.

    Autocontratação digital e redução de fricção

    A autocontratação digital é uma tendência importante para corbans que desejam ganhar escala.

    Com esse modelo, o cliente pode avançar em parte da jornada de forma digital, enviando documentos, preenchendo dados e assinando contratos pelo celular.

    Isso reduz a dependência do vendedor em etapas repetitivas e diminui o tempo entre a proposta e a contratação.

    O atendimento humano continua importante, mas passa a ser direcionado para dúvidas, negociações e situações que exigem mais orientação.

    WhatsApp, SMS e outros canais digitais

    O WhatsApp costuma ser um dos principais canais de relacionamento para operações de crédito.

    Ele permite contato rápido, envio de documentos, lembretes e links de contratação. Porém, não deve ser usado sem controle.

    Quando cada vendedor mantém conversas separadas, sem integração com o CRM, a operação perde histórico, dados e capacidade de gestão.

    O ideal é que os canais digitais estejam conectados ao processo comercial, permitindo acompanhar interações, respostas, pendências e conversões.

    Como reduzir contratos não assinados?

    Contratos não assinados representam uma perda importante para o corban.

    Muitas vezes, o cliente demonstrou interesse, passou por simulação, recebeu a proposta, mas não concluiu a contratação.

    Para reduzir esse problema, é necessário identificar os pontos de abandono.

    O corban deve avaliar se o cliente desistiu por demora, falta de clareza, excesso de etapas, dificuldade tecnológica ou falta de acompanhamento.

    Com automações simples, como lembretes e mensagens de recuperação, é possível aumentar a taxa de conclusão sem sobrecarregar o time comercial.

    Indicadores que o corban deve acompanhar

    Uma operação estruturada depende de indicadores.

    Sem eles, o gestor toma decisões com base em percepção, não em dados.

    Alguns indicadores importantes são:

    • volume de leads recebidos;
    • propostas geradas;
    • taxa de conversão por etapa;
    • contratos assinados;
    • contratos cancelados;
    • tempo médio de venda;
    • produtividade por vendedor;
    • origem dos leads;
    • receita por produto e por canal.

    Esses números ajudam a entender o desempenho real da operação e mostram onde estão as oportunidades de melhoria.

    Como organizar múltiplos vendedores?

    Quando o corban possui vários vendedores, a padronização se torna ainda mais importante.

    Cada vendedor pode ter seu estilo de abordagem, mas o processo precisa seguir uma lógica comum.

    Isso inclui regras para atendimento, prazos de follow-up, registro de informações, envio de propostas, documentação e acompanhamento dos clientes.

    Com processos claros, o gestor consegue comparar desempenho, treinar a equipe e manter um padrão mínimo de qualidade.

    Atendimento humano e automação: como equilibrar?

    Automação não significa eliminar o atendimento humano.

    O objetivo é usar a tecnologia para tarefas repetitivas e deixar o time comercial focado em atividades de maior valor.

    Lembretes, envio de links, coleta de documentos e atualizações de status podem ser automatizados.

    Já dúvidas, objeções, negociação e relacionamento continuam exigindo contato humano.

    Esse equilíbrio ajuda o corban a escalar sem perder personalização.

    Quando pensar em uma operação mais autônoma?

    Corbans mais maduros podem chegar a um ponto em que apenas intermediar produtos de instituições parceiras já não atende aos objetivos do negócio.

    Quando há base de clientes, dados, volume recorrente e desejo de diversificar portfólio, pode fazer sentido avaliar estruturas mais autônomas de crédito.

    Isso não significa abandonar o modelo atual, mas sim entender se existe espaço para evoluir a operação com mais controle sobre jornada, produtos, dados e rentabilidade.

    Essa decisão exige análise cuidadosa, planejamento, estrutura regulatória, tecnologia e apoio especializado.

    O que muda na gestão financeira do corban?

    À medida que o corban cresce, a gestão financeira também precisa evoluir.

    Não basta acompanhar apenas comissões recebidas. É preciso entender custos de aquisição, produtividade da equipe, rentabilidade por canal, despesas operacionais, inadimplência quando aplicável e previsibilidade de caixa.

    Uma operação estruturada de crédito para corban precisa transformar dados comerciais em informações de gestão.

    Sem esse controle, o crescimento pode parecer positivo no volume, mas esconder perda de margem ou aumento de custos.

    Para saber mais, acesse o Banco Central — Correspondentes no país.

    Como a contabilidade apoia uma operação estruturada?

    A contabilidade tem papel importante na organização da operação.

    Ela ajuda a registrar receitas, despesas, comissões, tributos, folha, contratos, repasses e resultados por período.

    Além disso, permite acompanhar indicadores financeiros e entender se a operação está crescendo com saúde.

    Para corbans em fase de expansão, uma contabilidade especializada ajuda a separar melhor os números, evitar confusão entre operação e caixa e dar mais segurança à tomada de decisão.

    Boas práticas para estruturar a operação

    Para transformar um corban em uma operação mais organizada, alguns passos são essenciais.

    O primeiro é mapear todo o processo comercial, identificando etapas, responsáveis e gargalos.

    Depois, é importante centralizar dados, padronizar o funil, acompanhar indicadores e revisar periodicamente a performance.

    Também vale investir em treinamento do time, integração de canais digitais e melhoria da experiência do cliente.

    O objetivo não é apenas vender mais. É vender com controle, previsibilidade e eficiência.

    Leia também o nosso conteúdo sobre Pró-labore é obrigatório? Veja quando se aplica

    Conclusão

    Uma operação estruturada de crédito para corban é construída com processos, tecnologia, indicadores e controle.

    Crescer sem estrutura pode gerar retrabalho, perda de oportunidades e dificuldade para entender a rentabilidade real do negócio.

    Por outro lado, quando o corban organiza o funil, acompanha dados, automatiza etapas e fortalece a gestão financeira, ele ganha mais previsibilidade para escalar.

    A Corbanzaí é especialista em Correspondentes bancários (Corbans). Fale com nossos especialistas e entenda como organizar melhor sua operação.

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  • Crédito para PMEs: desafios e oportunidades

    Crédito para PMEs: desafios e oportunidades

    O crédito para PMEs é um dos temas mais relevantes para o mercado financeiro brasileiro. Pequenas e médias empresas movimentam a economia, geram empregos e sustentam cadeias produtivas, mas ainda enfrentam limitações importantes no acesso ao financiamento.

    Um levantamento da Serasa Experian mostrou que 95,7% das PMEs brasileiras têm limite estimado de crédito de até R$ 570 mil. O estudo também apontou que 41% dessas empresas apresentam perfil associado à demanda por capital de giro.

    Na prática, os dados revelam um mercado amplo, pulverizado e muito ligado à necessidade de manter o fluxo de caixa das empresas em funcionamento.

    O que o estudo revela sobre o crédito para PMEs?

    O levantamento analisou 1,9 milhão de empresas ativas classificadas como micro, pequenas ou médias empresas.

    O principal dado chama atenção: quase todas as PMEs têm capacidade limitada de crédito, com limite estimado de até R$ 570 mil.

    Esse cenário mostra que, embora o público seja numeroso, grande parte das empresas ainda acessa valores menores, normalmente voltados a necessidades operacionais.

    Ou seja, o crédito para PMEs está menos associado a grandes expansões e mais ligado à sustentação da rotina empresarial.

    Por que as PMEs buscam crédito?

    A principal demanda das PMEs está relacionada ao capital de giro.

    Esse tipo de crédito ajuda a empresa a manter suas atividades enquanto aguarda recebimentos, paga fornecedores, organiza estoque, cobre despesas fixas e equilibra o fluxo de caixa.

    Segundo o levantamento, 41% das PMEs apresentam perfil associado à demanda por capital de giro. Outros 28% têm perfil tomador de crédito para pessoa jurídica.

    Isso indica que muitas empresas não buscam crédito apenas para crescer, mas para manter a operação saudável.

    O perfil das PMEs brasileiras

    Os dados também mostram que o mercado de PMEs é formado por empresas menores, maduras e com estruturas enxutas.

    Grande parte dessas empresas tem poucos funcionários, faturamento limitado e mais de cinco anos de operação.

    Esse perfil reforça um ponto importante: muitas PMEs já estão estabelecidas, mas ainda operam com restrição de caixa, acesso limitado a crédito e necessidade constante de financiamento de curto prazo.

    Para quem atua com crédito empresarial, esse é um mercado com grande demanda, mas que exige análise cuidadosa.

    Limite de crédito baixo: o que isso significa?

    Quando 95,7% das PMEs têm limite estimado de crédito de até R$ 570 mil, o mercado mostra uma característica clara: o crédito é pulverizado.

    Em vez de poucas empresas com grandes volumes, há muitas empresas com necessidades menores e recorrentes.

    Esse tipo de mercado exige processos eficientes, análise de risco bem estruturada e modelos capazes de diferenciar bons pagadores de empresas com maior risco.

    Para securitizadoras, factorings, ESCs e empresas que atuam com recebíveis, esse cenário ajuda a explicar por que soluções de crédito alternativas continuam relevantes.

    Score PJ e risco de crédito

    O estudo também mostrou que o cenário de risco é bastante heterogêneo.

    Quase metade das PMEs analisadas está nas faixas mais baixas do Score PJ, com pontuação de até 300 pontos. Por outro lado, uma parcela relevante aparece nas faixas mais altas, entre 701 e 1.000 pontos.

    Isso mostra que o mercado de crédito para PMEs não pode ser tratado de forma genérica.

    Existem empresas com maior risco, empresas com bom histórico de pagamento e empresas que precisam de análise mais detalhada para acessar condições adequadas.

    Restrições financeiras e pontualidade

    Mais da metade das empresas analisadas possui algum tipo de restrição financeira ativa.

    Mesmo assim, entre as empresas com histórico conhecido de pontualidade, 72,5% estão na faixa mais alta de cumprimento de obrigações financeiras.

    Esse contraste mostra que uma análise superficial pode ser insuficiente.

    Uma empresa pode ter restrições, mas também apresentar comportamento positivo em determinadas obrigações. Por isso, modelos mais sofisticados de análise são importantes para avaliar o risco real.

    Por que a análise de crédito precisa evoluir?

    Em um cenário de juros elevados e maior rigor na concessão de crédito, analisar apenas dados básicos pode limitar boas oportunidades.

    O mercado precisa de modelos capazes de avaliar capacidade de pagamento, histórico, comportamento financeiro, setor de atuação, faturamento, restrições, garantias e qualidade dos recebíveis.

    Quanto melhor a análise, maior a chance de conceder crédito de forma adequada ao perfil da empresa.

    Isso reduz riscos para quem concede e aumenta as chances de acesso para quem precisa de capital.

    O papel dos recebíveis no crédito para PMEs

    Os recebíveis têm papel importante no acesso ao crédito para PMEs.

    Muitas empresas vendem a prazo, recebem em parcelas ou dependem de pagamentos futuros para manter o caixa. Por isso, a antecipação de recebíveis pode ser uma alternativa para transformar valores futuros em liquidez imediata.

    Esse modelo é muito usado por empresas que precisam de capital de giro, mas não querem depender exclusivamente de empréstimos bancários tradicionais.

    Para o mercado de crédito, os recebíveis ajudam a conectar necessidade operacional, fluxo de caixa e análise de risco.

    Oportunidade para crédito mais especializado

    O estudo mostra que o mercado de PMEs é grande, mas exige segmentação.

    Não basta oferecer crédito de forma padronizada. É preciso entender o perfil da empresa, sua capacidade de pagamento, sua necessidade de capital e a qualidade dos seus recebíveis.

    Esse cenário abre espaço para soluções mais especializadas, com análise de risco mais precisa e operações adaptadas à realidade das pequenas e médias empresas.

    Para quem atua com crédito empresarial, isso reforça a importância de processos bem estruturados e informações confiáveis.

    O que muda para securitizadoras, factorings e ESCs?

    Para empresas que atuam com crédito, antecipação e recebíveis, os dados mostram um mercado com demanda relevante.

    As PMEs precisam de capital de giro, mas também apresentam perfis de risco diferentes. Isso exige atenção à formalização, documentação, análise cadastral, garantias e acompanhamento da carteira.

    Quanto mais pulverizada a carteira, maior a necessidade de controle.

    Operações com muitas empresas menores podem trazer oportunidade, mas também exigem organização para acompanhar inadimplência, conciliação, contratos, limites e pagamentos.

    Governança e controle são essenciais

    O crédito para PMEs exige mais do que disponibilidade de capital.

    É necessário ter governança, critérios de aprovação, políticas de risco, contratos claros e controle sobre a evolução da carteira.

    Empresas que operam com crédito precisam saber exatamente quem são seus clientes, quais valores foram concedidos, quais contratos estão ativos, quais parcelas venceram e quais riscos estão concentrados.

    Sem esse controle, o crescimento da carteira pode aumentar a exposição da empresa.

    Como a contabilidade contribui nesse cenário?

    A contabilidade tem papel estratégico no mercado de crédito para PMEs.

    Ela ajuda a organizar receitas, despesas, provisões, inadimplência, operações de crédito, recebíveis, conciliações e resultado financeiro.

    Também permite acompanhar se a operação está crescendo com rentabilidade e segurança.

    Para empresas que atuam com crédito, uma contabilidade bem estruturada ajuda a transformar dados financeiros em informação útil para gestão, controle e tomada de decisão.

    Como se preparar para atender PMEs?

    Empresas que desejam atuar melhor no crédito para PMEs precisam estruturar processos internos.

    Isso inclui análise de risco, cadastro, documentação, contratos, acompanhamento de pagamentos e controle contábil.

    Também é importante avaliar o perfil dos clientes, entender setores com maior demanda e acompanhar indicadores de inadimplência.

    O mercado é amplo, mas a oportunidade está em operar com método, controle e visão de risco.

    Leia também o nosso conteúdo sobre Resolução BCB 540 e duplicatas escriturais

    Conclusão

    O crédito para PMEs continua sendo uma grande oportunidade no Brasil, mas também exige análise e estrutura.

    Os dados mostram que a maioria das pequenas e médias empresas possui limite de crédito reduzido, demanda por capital de giro e perfis de risco bastante diferentes.

    Para quem atua com crédito, recebíveis e financiamento empresarial, o desafio está em separar boas oportunidades de operações mais arriscadas.

    Nesse cenário, análise de risco, documentação, governança, controle da carteira e contabilidade bem estruturada passam a ser elementos essenciais.

    A ContabilizaíBank é especializada em  securitizadorafactoring ESC e apoia empresas que precisam de uma contabilidade especializada para operar com mais organização, segurança e visão estratégica.

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    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

    Continue lendo >>: Crédito para PMEs: desafios e oportunidades
  • Crédito privado no Brasil entra em nova fase

    Crédito privado no Brasil entra em nova fase

    O crédito privado no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos e passou a ocupar um papel cada vez mais relevante no financiamento das empresas.

    Com juros altos, investidores buscaram alternativas de renda fixa com maior potencial de retorno. Esse movimento impulsionou debêntures, FIDCs, crédito estruturado e outras operações ligadas ao mercado de capitais.

    Agora, porém, o cenário começa a mudar. As emissões perderam força, os investidores ficaram mais seletivos e o mercado passou a valorizar ainda mais qualidade dos ativos, governança e controle de risco.

    O crescimento do crédito privado no Brasil

    O avanço do crédito privado no Brasil acompanhou a busca dos investidores por alternativas ao crédito bancário tradicional.

    Nos últimos anos, empresas passaram a acessar o mercado de capitais para financiar suas operações, alongar dívidas, estruturar recebíveis e captar recursos fora dos bancos.

    Esse movimento também abriu espaço para casas especializadas, gestoras independentes e operações voltadas a nichos específicos, como infraestrutura, tecnologia, recebíveis e crédito estruturado.

    Na prática, o crédito privado deixou de ser apenas um complemento ao sistema bancário e passou a ocupar posição central em muitas estratégias de financiamento empresarial.

    Por que o crédito privado cresceu tanto?

    O crescimento foi impulsionado principalmente pelo cenário de juros altos.

    Quando a Selic sobe, muitos investidores passam a buscar produtos de renda fixa e crédito privado. Isso acontece porque esses instrumentos podem oferecer retornos mais atrativos em comparação a outras classes de ativos.

    Além disso, empresas encontraram no mercado de capitais uma alternativa para financiar suas atividades sem depender exclusivamente de bancos.

    Entre os instrumentos que ganharam destaque estão:

    • debêntures;
    • debêntures incentivadas;
    • FIDCs;
    • CRIs e CRAs;
    • operações com recebíveis;
    • crédito estruturado.

    Esse ambiente favoreceu a expansão do setor, mas também aumentou a necessidade de análise, controle e governança.

    Da renda variável ao crédito privado

    Durante o ciclo de juros baixos, fundos de ações, venture capital e private equity ganharam força.

    Com a alta dos juros a partir de 2022, o movimento se inverteu. Investidores passaram a priorizar ativos de renda fixa, especialmente instrumentos de crédito privado.

    Essa mudança ajudou a impulsionar uma nova geração de empresas, plataformas e estruturas voltadas ao crédito.

    No entanto, o crescimento acelerado também trouxe um desafio: diferenciar operações sólidas de estruturas frágeis ou mal documentadas.

    O mercado está mais seletivo

    Apesar do crescimento dos últimos anos, o crédito privado no Brasil começa a enfrentar uma fase mais seletiva.

    As emissões perderam ritmo, os investidores estão mais cautelosos e os spreads passaram a refletir maior percepção de risco.

    Quando o spread aumenta, significa que o investidor está exigindo um prêmio maior para financiar determinada empresa ou operação.

    Isso não indica necessariamente uma crise. Em muitos casos, pode representar um amadurecimento do mercado.

    O capital continua disponível, mas tende a buscar operações com melhor qualidade, documentação mais robusta e maior previsibilidade.

    O que a desaceleração sinaliza?

    A desaceleração das emissões mostra que o mercado está mais criterioso.

    Depois de um período de forte crescimento, muitas empresas já refinanciaram passivos, alongaram dívidas e reduziram custos financeiros. Com menos vencimentos próximos, a necessidade de novas captações pode diminuir.

    Além disso, episódios envolvendo grandes emissores aumentaram a atenção dos investidores sobre risco de crédito, governança e transparência.

    Por isso, o foco deixou de ser apenas retorno. Agora, o mercado também olha com mais atenção para a qualidade da operação.

    Qualidade dos ativos ganha importância

    Em uma fase mais seletiva, a qualidade dos ativos passa a ser determinante.

    No mercado de crédito privado, isso significa avaliar se os créditos têm lastro real, se os contratos estão bem estruturados, se os recebíveis são verificáveis e se a empresa consegue demonstrar a origem e a consistência dos fluxos financeiros.

    Para operações com recebíveis, esse cuidado é ainda mais importante.

    Recebíveis mal documentados, inconsistentes ou sem rastreabilidade podem aumentar o risco da operação e dificultar a análise por investidores, parceiros e credores.

    O papel dos recebíveis no crédito privado

    Os recebíveis têm papel relevante no avanço do crédito privado.

    Eles representam valores que empresas têm direito a receber no futuro e podem ser usados em operações de antecipação, securitização, fundos de direitos creditórios e crédito estruturado.

    Para empresas que atuam com crédito e recebíveis, esse mercado cria oportunidades, mas também aumenta o nível de exigência.

    Não basta ter volume de operações. É preciso manter controle sobre contratos, pagamentos, inadimplência, conciliação e documentação.

    Quanto maior a organização, maior a capacidade de sustentar uma operação segura e transparente.

    Governança passa a ser requisito

    O crescimento do crédito privado também trouxe mais atenção à governança.

    Investidores e participantes do mercado querem entender como a operação é conduzida, quais controles existem, como os riscos são monitorados e como as informações são registradas.

    Nesse contexto, governança não é apenas uma exigência formal. Ela influencia diretamente a credibilidade da empresa e a qualidade da operação.

    Empresas com processos claros, controles internos e informações confiáveis tendem a estar mais preparadas para atuar em um mercado seletivo.

    Regulação e custos também pesam

    Outro ponto importante é o aumento das exigências regulatórias.

    A Resolução CVM 175, por exemplo, ampliou responsabilidades no mercado de fundos e elevou a necessidade de controles de risco, liquidez e enquadramento regulatório.

    Embora a norma tenha como objetivo trazer mais segurança jurídica e alinhamento às práticas internacionais, ela também aumentou os custos operacionais para participantes do mercado.

    Esse movimento reforça uma tendência: crescer no crédito privado exige cada vez mais estrutura, tecnologia, controles e especialização.

    O que muda para quem atua com crédito e recebíveis?

    Para empresas que atuam com crédito, recebíveis, antecipação e securitização, a nova fase do mercado traz um recado claro.

    A profissionalização deixou de ser diferencial e passou a ser requisito.

    O mercado tende a valorizar empresas que conseguem demonstrar:

    • origem dos créditos;
    • contratos bem formalizados;
    • lastro comprovado;
    • conciliação financeira;
    • controle de inadimplência;
    • informações contábeis confiáveis;
    • gestão clara da carteira.

    Esses elementos ajudam a reduzir riscos e aumentam a confiança nas operações.

    Por que a contabilidade é estratégica nesse cenário?

    A contabilidade tem papel essencial na organização de operações de crédito e recebíveis.

    Ela ajuda a registrar corretamente receitas, custos, provisões, inadimplência, cessões, antecipações, carteira em aberto e movimentações financeiras.

    Além disso, a contabilidade permite acompanhar a rentabilidade real da operação e identificar possíveis inconsistências entre contratos, recebimentos e registros internos.

    Em um mercado mais seletivo, informações contábeis confiáveis deixam de ser apenas uma obrigação fiscal. Elas passam a fazer parte da própria estrutura de governança do negócio.

    Como se preparar para essa nova fase?

    Empresas que atuam com crédito privado e recebíveis precisam revisar seus processos internos.

    Isso envolve organizar documentos, melhorar controles, acompanhar indicadores, revisar contratos e garantir que a contabilidade reflita a realidade da operação.

    Também é importante manter uma visão clara sobre risco, inadimplência, fluxo de caixa e qualidade dos créditos.

    O mercado pode continuar oferecendo oportunidades, mas elas tendem a ser mais acessíveis para empresas preparadas e bem estruturadas.

    Leia também o nosso conteúdo sobre governança em operações com recebíveis.

    Conclusão

    O crédito privado no Brasil entrou em uma nova fase.

    Depois de anos de crescimento acelerado, o mercado começa a testar a capacidade das empresas de operar com mais qualidade, governança e controle.

    A desaceleração das emissões não significa o fim das oportunidades. Ela mostra que o capital está mais seletivo e que operações bem estruturadas tendem a ganhar mais espaço.

    Para quem atua com crédito e recebíveis, o momento exige atenção à qualidade dos ativos, rastreabilidade, contratos, conciliação e informações contábeis confiáveis.

    A ContabilizaíBank é especialista em contabilidade para securitizadorasfactorings ESCs.
    Fale conosco para avaliar sua estrutura e tomar decisões com mais segurança.

    Continue acompanhando nosso blog para mais conteúdos atualizados.

    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Registro de contrato ESC: entenda a obrigação

    Registro de contrato ESC: entenda a obrigação

    O registro de contrato ESC é uma etapa obrigatória para que a operação realizada por uma Empresa Simples de Crédito tenha validade jurídica.

    A ESC pode realizar operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito com microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. Porém, essas operações precisam seguir regras específicas previstas na Lei Complementar nº 167/2019.

    Entre essas regras, uma das mais importantes é o registro da operação em entidade registradora autorizada pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários.

    O que é uma ESC?

    ESC é a sigla para Empresa Simples de Crédito.

    Esse tipo de empresa foi criado para facilitar o acesso ao crédito para pequenos negócios, como MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte.

    A ESC atua com recursos próprios e pode realizar operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito. No entanto, ela deve respeitar os limites e condições previstos na legislação.

    Por isso, não basta formalizar a operação em contrato. É preciso cumprir as exigências legais para que a operação tenha segurança jurídica.

    Registro de contrato ESC é obrigatório?

    Sim. O registro de contrato ESC é obrigatório porque a lei trata esse registro como condição de validade das operações.

    Isso significa que, se a operação não for registrada em entidade autorizada, pode haver questionamento sobre a validade do contrato e sobre a possibilidade de cobrança do crédito.

    A Lei Complementar nº 167/2019 determina que as operações da ESC devem ser registradas em entidade registradora autorizada pelo Banco Central ou pela CVM, nos termos da Lei nº 12.810/2013.

    Na prática, o registro não é apenas uma formalidade. Ele faz parte da própria validade jurídica da operação.

    O que deve ser registrado?

    O registro deve envolver a operação realizada pela ESC.

    Isso inclui contratos de empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito, conforme a modalidade utilizada na relação com o cliente.

    Além do contrato escrito, a ESC precisa manter documentos que comprovem a formalização da operação, a entrega da cópia ao cliente, a movimentação financeira e as condições pactuadas.

    Quanto mais organizada estiver a documentação, menor o risco de problemas em uma eventual cobrança ou fiscalização.

    O contrato da ESC precisa ser por escrito?

    Sim. As operações da ESC devem ser formalizadas por instrumento próprio.

    Em outras palavras, o contrato deve ser feito por escrito e precisa conter as condições essenciais da operação, como valor, prazo, juros, forma de pagamento, garantias, dados das partes e demais obrigações assumidas.

    A informalidade é um risco relevante nesse tipo de operação. Sem contrato adequado, a ESC pode ter dificuldade para comprovar a origem do crédito, os termos negociados e a validade da cobrança.

    É obrigatório entregar cópia do contrato ao cliente?

    Sim. A lei determina que uma cópia do contrato deve ser entregue à contraparte da operação.

    O ideal é que essa entrega seja feita mediante protocolo ou outro meio que permita comprovar que o cliente recebeu a via contratual.

    Esse cuidado ajuda a evitar discussões futuras sobre desconhecimento das condições pactuadas, ausência de transparência ou falta de acesso aos termos da operação.

    Na prática, a ESC deve manter prova da entrega da cópia junto aos demais documentos da operação.

    Onde registrar o contrato da ESC?

    O registro deve ser feito em entidade registradora autorizada pelo Banco Central do Brasil ou pela CVM.

    Essas entidades fazem parte da infraestrutura do mercado financeiro e permitem que as operações sejam registradas de forma organizada, segura e rastreável.

    A ESC deve verificar quais registradoras estão autorizadas e quais sistemas ou parceiros operacionais permitem realizar esse registro de forma adequada.

    Em muitos casos, sindicatos, plataformas ou sistemas de gestão podem auxiliar no processo operacional de registro, mas a responsabilidade pela regularidade da operação continua sendo da empresa.

    Existe prazo para registrar o contrato?

    A Lei Complementar nº 167/2019 não estabelece um prazo específico para o registro da operação.

    Mesmo assim, o registro deve ser feito o quanto antes. Uma prática prudente é realizar o registro antes do vencimento da primeira parcela ou, no máximo, em prazo curto após a formalização do contrato.

    Isso reduz o risco de a ESC iniciar uma cobrança sem conseguir comprovar a validade da operação.

    Em operações de desconto de títulos, também é importante observar o vencimento dos recebíveis envolvidos, para que o registro seja feito antes de qualquer problema de cobrança.

    O que acontece se a ESC não registrar o contrato?

    A ausência de registro pode comprometer a validade da operação.

    Como o registro é condição de validade, a falta dele pode ser usada pelo devedor para questionar a cobrança, inclusive em processo judicial.

    Em uma ação de cobrança ou execução, a ESC precisa demonstrar que o contrato foi formalizado corretamente e que a operação foi registrada em entidade autorizada.

    Se essa prova não for apresentada, há risco de o título ser considerado inexigível, dependendo da análise do caso concreto.

    Registro e cobrança judicial: qual o cuidado?

    Antes de ajuizar uma cobrança, a ESC deve reunir todos os documentos essenciais da operação.

    Isso inclui o contrato assinado, a prova de entrega da cópia ao cliente, os comprovantes de movimentação bancária, o demonstrativo do saldo devedor e a certidão de registro emitida pela entidade registradora.

    A certidão de registro é especialmente importante porque comprova que a operação foi registrada conforme exigido pela lei.

    Sem essa documentação, a cobrança pode enfrentar obstáculos e gerar perda de tempo, custos e riscos jurídicos.

    Movimentação bancária da ESC

    Outro ponto importante é a movimentação financeira.

    A ESC deve realizar a entrega e o recebimento de recursos exclusivamente por meio de contas bancárias de titularidade das partes envolvidas.

    Isso significa que os valores devem transitar entre a conta da ESC e a conta do cliente contratante, evitando pagamentos em dinheiro ou movimentações por terceiros.

    Esse cuidado reforça a rastreabilidade da operação e ajuda a comprovar a regularidade do crédito concedido.

    Por que o registro protege a operação?

    O registro protege a operação porque cria uma camada adicional de comprovação.

    Ele ajuda a demonstrar que o contrato existe, que a operação foi formalizada e que a ESC observou a exigência legal de registro.

    Além disso, o Banco Central pode acessar informações decorrentes desse registro para fins estatísticos e de controle macroprudencial do risco de crédito.

    Para a empresa, o registro contribui para a organização documental, a segurança jurídica e a redução de riscos em cobranças futuras.

    Erros comuns no registro de contrato ESC

    Alguns erros podem comprometer a segurança da operação.

    • não registrar a operação;
    • registrar depois de iniciado o problema de inadimplência;
    • não guardar a certidão de registro;
    • não entregar cópia do contrato ao cliente;
    • não comprovar a entrega da via contratual;
    • movimentar recursos fora das contas das partes;
    • manter contratos incompletos ou genéricos.

    Esses erros podem dificultar a cobrança e aumentar a exposição jurídica da ESC.

    Como organizar os contratos da ESC?

    A ESC deve ter um processo interno claro para formalizar, registrar e armazenar seus contratos.

    O ideal é que cada operação tenha uma pasta documental com contrato, comprovantes bancários, protocolo de entrega da cópia ao cliente, certidão de registro, documentos cadastrais, garantias e histórico de pagamento.

    Também é importante que a contabilidade esteja alinhada a esses registros, para que os valores concedidos, recebidos, vencidos e em aberto estejam corretamente refletidos.

    Esse controle melhora a gestão financeira e reduz riscos fiscais, contábeis e jurídicos.

    Leia também nosso conteúdo sobre Como abrir uma empresa simples de crédito

    Conclusão

    O registro de contrato ESC é uma obrigação essencial para a validade das operações da Empresa Simples de Crédito.

    Mais do que uma formalidade, o registro ajuda a proteger a operação, comprovar a regularidade do contrato e reduzir riscos em caso de cobrança judicial.

    Além do registro, a ESC deve manter contrato escrito, entregar cópia ao cliente, comprovar a movimentação bancária e organizar toda a documentação da operação.

    A ContabilizaíBank auxilia Empresas Simples de Crédito, securitizadoras e factorings na organização contábil, fiscal e operacional das suas atividades. Fale com nossos especialistas e mantenha sua ESC preparada para operar com mais segurança.

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  • FIDC do Atlético-MG: como funciona

    FIDC do Atlético-MG: como funciona

    O FIDC do Atlético-MG chamou atenção do mercado ao ser estruturado para antecipar R$ 90 milhões em receitas da SAF do clube.

    A operação, coordenada pela Galapagos Capital, segue uma lógica parecida com o FIDC criado pelo São Paulo Futebol Clube, mas com diferenças importantes por causa da estrutura societária do Atlético-MG, que já opera como SAF.

    Na prática, o fundo permite que a SAF antecipe receitas futuras, como patrocínios, direitos de arena, vendas de jogadores, mensalidades do programa de sócio-torcedor e contribuições do Clube Social.

    O que é o FIDC do Atlético-MG?

    O FIDC do Atlético-MG é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios criado para captar recursos com investidores e antecipar receitas futuras da SAF.

    Em vez de contratar um empréstimo bancário tradicional, o Atlético-MG cede ao fundo determinados recebíveis que terá direito a receber ao longo do tempo.

    O fundo, por sua vez, emite cotas para investidores profissionais. Com os recursos captados, a SAF recebe dinheiro à vista e os investidores passam a ter direito ao fluxo financeiro dos créditos cedidos ao FIDC.

    Por que o Atlético-MG criou um FIDC?

    A criação do FIDC tem como objetivo antecipar receitas sem comprometer diretamente a estrutura de capital da SAF.

    Para clubes e SAFs, esse tipo de estrutura pode ser uma alternativa ao crédito bancário tradicional, que costuma ter custo mais elevado e menos flexibilidade.

    Com o FIDC, a SAF consegue transformar receitas futuras em liquidez imediata. Isso pode ajudar na reorganização financeira, no planejamento de caixa e na gestão de obrigações de curto e médio prazo.

    Quais receitas podem lastrear o fundo?

    Segundo a notícia, a operação terá como garantia receitas recorrentes da SAF.

    Entre os recebíveis que podem compor esse tipo de estrutura estão:

    • patrocínios;
    • direitos de arena;
    • vendas de jogadores;
    • mensalidades de sócio-torcedor;
    • contribuições do Clube Social.

    Essas receitas funcionam como lastro do fundo. Ou seja, são os direitos creditórios que sustentam a operação e permitem que investidores avaliem o risco e o potencial de retorno.

    Como funciona a antecipação de receitas?

    A antecipação de receitas acontece quando uma empresa ou entidade recebe hoje um valor que só entraria no caixa no futuro.

    No caso do FIDC do Atlético-MG, a SAF cede ao fundo direitos que tem a receber. Em troca, recebe recursos à vista.

    Depois, os pagamentos relacionados a esses contratos passam a alimentar o fluxo do FIDC, que remunera os investidores conforme as regras da estrutura.

    Esse modelo é comum no mercado de recebíveis e pode ser usado por empresas de diferentes setores. No futebol, ele ganha relevância porque clubes e SAFs possuem receitas recorrentes, mas muitas vezes precisam de liquidez para organizar passivos e financiar a operação.

    O que é um FIDC?

    FIDC é a sigla para Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

    Esse tipo de fundo investe em recebíveis, que são valores que uma empresa tem direito a receber no futuro. Esses créditos podem vir de contratos, duplicatas, parcelas, aluguéis, prestação de serviços ou outras fontes de receita.

    No caso de clubes de futebol, os recebíveis podem estar ligados a contratos de patrocínio, direitos de transmissão, direitos de arena, programas de sócio-torcedor e negociações de atletas.

    O FIDC permite que esses créditos sejam organizados em uma estrutura financeira, com regras de governança, elegibilidade, cobrança e remuneração dos investidores.

    Quais regras foram impostas ao fundo?

    De acordo com a notícia, o regulamento do fundo estabelece critérios para proteger a qualidade dos recebíveis.

    O FIDC só pode adquirir créditos considerados líquidos e certos. Além disso, há restrições para créditos vencidos, litigiosos ou vinculados a devedores com atrasos relevantes.

    Também existe vedação à entrada de recebíveis fabricados ou operações intercompany, que poderiam distorcer o lastro do fundo.

    Essa limitação é importante porque ajuda a garantir que a carteira seja formada por receitas reais, verificáveis e compatíveis com a finalidade da operação.

    O que são recebíveis fabricados?

    Recebíveis fabricados são créditos criados artificialmente, sem uma base econômica real ou com estrutura montada apenas para inflar o lastro da operação.

    Em um FIDC, esse tipo de prática pode gerar distorções contábeis e aumentar o risco para investidores.

    Por isso, o regulamento do FIDC do Atlético-MG veda esse tipo de crédito. A ideia é impedir que o fundo compre recebíveis que não representem receitas efetivas da SAF ou que tenham origem em transações artificiais entre empresas do mesmo grupo.

    FIDC do Atlético-MG e FIDC do São Paulo: diferenças

    O FIDC do Atlético-MG segue uma arquitetura semelhante à operação feita pelo São Paulo Futebol Clube, também estruturada pela Galapagos.

    A diferença principal está na estrutura societária.

    O São Paulo ainda opera como clube social, sem separação patrimonial formal entre a operação do futebol e o clube. Por isso, a operação envolveu covenants mais explícitos, como teto de gastos com futebol, superávit obrigatório, limite de endividamento e disciplina orçamentária.

    Já o Atlético-MG atua como SAF. Isso significa que a operação do futebol está em uma empresa separada, com patrimônio segregado e estrutura societária própria.

    Por esse motivo, o FIDC da SAF do Atlético-MG tende a ter regras mais flexíveis em relação à intervenção direta no comportamento financeiro do clube.

    Por que a SAF muda a estrutura da operação?

    A SAF cria uma separação entre o clube associativo e a empresa responsável pelo futebol.

    Essa separação patrimonial facilita a organização de receitas, despesas, dívidas, investimentos e responsabilidades. Para investidores, isso pode trazer mais clareza sobre onde estão os ativos, os passivos e os fluxos financeiros.

    No caso do Atlético-MG, a SAF já funciona como uma empresa independente. Por isso, o FIDC pode ser usado como mecanismo de monetização recorrente de receitas, com possibilidade de novas emissões no futuro.

    O que essa operação mostra sobre o futebol brasileiro?

    O FIDC do Atlético-MG mostra como o futebol brasileiro está se aproximando cada vez mais do mercado de capitais.

    Clubes e SAFs passaram a buscar estruturas financeiras mais sofisticadas para antecipar receitas, organizar dívidas e profissionalizar a gestão.

    Esse movimento também indica uma mudança na forma como as receitas do futebol são tratadas. Patrocínios, direitos de arena, vendas de atletas e programas de sócio-torcedor deixam de ser apenas entradas futuras de caixa e passam a ser ativos financeiros que podem ser estruturados.

    Quais são os benefícios desse tipo de operação?

    O uso de FIDC pode trazer alguns benefícios para clubes e SAFs.

    Entre eles estão a antecipação de caixa, a redução da dependência de empréstimos bancários, a possibilidade de custo financeiro menor e a criação de uma estrutura com governança mais clara.

    Além disso, o FIDC pode permitir que a SAF planeje melhor seu fluxo de caixa, especialmente em um setor marcado por receitas variáveis, folha salarial elevada e necessidade constante de investimento esportivo.

    Quais são os riscos e cuidados?

    Apesar das vantagens, a operação exige atenção.

    O principal cuidado está na qualidade dos recebíveis cedidos ao fundo. Se os créditos não forem bem avaliados, se houver inadimplência ou se as receitas projetadas não se confirmarem, a estrutura pode sofrer pressão.

    Também é importante observar a governança, a transparência das informações, a segregação patrimonial, a disciplina financeira da SAF e os critérios de elegibilidade dos recebíveis.

    Um FIDC bem estruturado depende de lastro real, contratos claros, controles contábeis adequados e acompanhamento constante da carteira.

    Por que o tema importa para o mercado de recebíveis?

    A notícia é relevante não apenas para o futebol, mas para todo o mercado de recebíveis.

    O caso mostra como diferentes setores podem usar FIDCs para transformar receitas futuras em liquidez imediata.

    Para empresas que atuam com securitização, factoring, crédito estruturado, fundos de investimento e antecipação de recebíveis, o exemplo reforça a importância de governança, lastro, documentação e qualidade dos créditos.

    Como a contabilidade entra nesse processo?

    A contabilidade tem papel essencial em estruturas como o FIDC do Atlético-MG.

    Ela ajuda a organizar a identificação dos recebíveis, a conciliação dos fluxos financeiros, o registro das cessões, o acompanhamento das receitas e a análise dos impactos no caixa e no resultado.

    Também contribui para dar mais transparência à operação, especialmente quando há investidores, obrigações contratuais e receitas futuras envolvidas.

    Em estruturas com direitos creditórios, a informação contábil precisa ser clara, rastreável e compatível com os contratos que sustentam a operação.

    Leia também o nosso conteúdo sobre FIDCs e duplicatas escriturais: o que muda?

    Conclusão

    O FIDC do Atlético-MG representa mais um passo na aproximação entre futebol, SAFs e mercado de capitais.

    Ao estruturar um fundo para antecipar R$ 90 milhões em receitas, a SAF do clube busca transformar recebíveis futuros em liquidez imediata, usando uma estrutura com critérios de governança e lastro em receitas recorrentes.

    A operação também mostra como os FIDCs podem ser aplicados em setores além do mercado empresarial tradicional, desde que exista receita futura verificável, documentação adequada e controle sobre os créditos cedidos.

    A ContabilizaíBank acompanha de perto o mercado de recebíveis, FIDCs e estruturas financeiras. Fale com nossos especialistas e entenda como uma contabilidade especializada pode apoiar empresas que atuam com crédito, securitização e direitos creditórios. Somos especialistas em contabilidade para securitizadorasfactorings ESCs.

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    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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