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  • Novo FIDC combina créditos esportivos e Corinthians

    Novo FIDC combina créditos esportivos e Corinthians

    O mercado de capitais segue ampliando sua presença no futebol brasileiro. Em junho de 2026, entrou em operação o FIDC Renegociação Desportiva Multicarteira Outros, fundo que combina direitos creditórios relacionados a litígios esportivos com diferentes recebíveis do Sport Club Corinthians Paulista.

    Administrado pela Vórtx e gerido pela Outfield Ventures, o novo FIDC de futebol possui cotas sênior, subordinada mezanino e subordinada júnior. Em seu primeiro mês de funcionamento, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 31,29 milhões. Em julho, o valor ficou em R$ 28,06 milhões.

    Novo FIDC amplia uso de recebíveis do futebol

    A estrutura chama atenção pela diversidade dos direitos creditórios que podem fazer parte do fundo.

    Além de receitas comerciais tradicionalmente associadas aos clubes, como patrocínio, transmissão e licenciamento, o FIDC também contempla créditos decorrentes de disputas esportivas.

    Com isso, a estrutura amplia as possibilidades de utilização de direitos vinculados à indústria do futebol dentro do mercado de FIDCs.

    Fundo pode adquirir créditos de litígios na FIFA e no CAS

    Uma das categorias previstas no regulamento envolve os chamados direitos creditórios FIFA e TAS/CAS.

    Esses ativos têm origem em ações e processos que tramitam perante instâncias esportivas internacionais, como:

    • tribunais da FIFA;
    • Tribunal Arbitral do Esporte, conhecido internacionalmente como CAS;
    • disputas nas quais o Corinthians figure como parte ativa ou passiva.

    Os cedentes desses direitos podem ser pessoas físicas ou jurídicas submetidas à jurisdição da FIFA.

    Essa característica diferencia o fundo de estruturas baseadas exclusivamente em recebíveis comerciais, ao permitir exposição a créditos decorrentes de disputas e processos do ambiente esportivo.

    Recebíveis do Corinthians também fazem parte da estrutura

    A segunda frente do fundo envolve recebíveis relacionados diretamente às atividades do Corinthians.

    Esses ativos são previstos exclusivamente para integralização das cotas subordinadas júnior e podem envolver diferentes fontes de receitas do clube.

    Entre os direitos creditórios elegíveis estão:

    • contratos de patrocínio;
    • direitos relacionados à marca do clube;
    • contratos de licenciamento;
    • direitos de transmissão;
    • programas de sócio-torcedor;
    • contribuições sociais;
    • contratos de uso de espaços imobiliários;
    • receitas provenientes da transferência de atletas;
    • direitos econômicos relacionados a jogadores, observadas as regras aplicáveis da FIFA.

    Os recebíveis podem ser formalizados por diferentes instrumentos contratuais, incluindo duplicatas mercantis ou de serviços.

    Receitas variáveis também podem servir como garantia

    A estrutura também prevê a utilização de recebíveis com parcelas variáveis.

    Nesse caso, esses ativos não entram da mesma forma que os créditos com pagamentos fixos. Eles podem ser utilizados como garantia em cessões fiduciárias ligadas ao cumprimento das obrigações da operação.

    A combinação permite utilizar diferentes fluxos financeiros gerados pela atividade do clube dentro da estrutura do fundo.

    FIDCs ganham espaço no futebol brasileiro

    O novo fundo ligado ao Corinthians faz parte de um movimento mais amplo de aproximação entre clubes de futebol e o mercado de capitais.

    Os FIDCs permitem estruturar diferentes direitos creditórios e utilizar receitas futuras como base para operações financeiras.

    No futebol, esses ativos podem surgir de diversas fontes, como venda de atletas, direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e programas de relacionamento com torcedores.

    O crescimento dessas estruturas mostra que o FIDC de futebol não está limitado a apenas uma fonte de receita.

    São Paulo também possui FIDC baseado em receitas do clube

    Outro exemplo citado no mercado é o FIDC São Paulo Futebol Clube, também administrado pela Vórtx e gerido pela Galápagos Capital Investimentos e Participações.

    Lançado em novembro de 2024, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 147,35 milhões em julho de 2026.

    A estrutura utiliza direitos creditórios provenientes de diferentes atividades, incluindo:

    • negociações de atletas;
    • programa de sócio-torcedor;
    • direitos de uso de espaços imobiliários;
    • contratos de licenciamento;
    • direitos de transmissão.

    Há ainda o FIDC DTBR, associado a recebíveis de transmissão relacionados aos jogos do São Paulo FC.

    Litígios esportivos também começam a formar nicho próprio

    Outra estrutura recente é o FIDC Morisco Special, administrado pela Vórtx e também gerido pela Outfield Ventures.

    Nesse caso, o fundo concentra sua estratégia em direitos creditórios originados de litígios que tramitam na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da Confederação Brasileira de Futebol, a CNRD/CBF.

    Em julho de 2026, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 1,89 milhão.

    A existência de fundos voltados especificamente a disputas esportivas mostra como os direitos creditórios do futebol estão se tornando mais diversificados.

    O que o novo FIDC do Corinthians mostra ao mercado?

    O FIDC Renegociação Desportiva Multicarteira Outros chama atenção por reunir, em uma mesma estrutura, créditos de naturezas distintas.

    De um lado estão recebíveis ligados à atividade comercial de um clube de futebol. Do outro, direitos originados de disputas analisadas por tribunais esportivos.

    A operação evidencia uma expansão das possibilidades de estruturação de FIDCs dentro da indústria esportiva.

    Para gestores, administradores, clubes, investidores e prestadores de serviços especializados, esse movimento aumenta também a necessidade de controles adequados sobre ativos que possuem origens, características e riscos diferentes.

    Complexidade dos FIDCs exige controles especializados

    À medida que os FIDCs passam a utilizar direitos creditórios mais específicos, a estrutura operacional também tende a se tornar mais complexa.

    Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão:

    • identificação e classificação dos direitos creditórios;
    • conciliação das operações;
    • controle das cessões;
    • acompanhamento dos fluxos financeiros;
    • prestação de informações;
    • contabilização dos ativos;
    • obrigações fiscais e regulatórias.

    Em fundos que combinam diferentes categorias de recebíveis, essa organização se torna ainda mais relevante.

    Leia também o nosso conteúdo sobre Corporate venture building no futebol: o caso do São Paulo FC

    Link externo sugerido: página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com informações e regulamentação sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.

    FIDC de futebol amplia conexão com mercado de capitais

    A criação do fundo que reúne créditos de litígios esportivos e recebíveis do Corinthians reforça a crescente aproximação entre a indústria do futebol e o mercado de capitais.

    Estruturas que antes estavam concentradas em recebíveis mais tradicionais começam a incorporar ativos ligados a diferentes aspectos da atividade esportiva, incluindo contratos comerciais, transferências de atletas e até disputas judiciais e arbitrais.

    O movimento mostra como o FIDC de futebol pode assumir formatos cada vez mais específicos à medida que clubes e gestores exploram novas formas de financiar e estruturar seus fluxos financeiros.

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade especializada para empresas e estruturas do mercado de capitais e crédito,

    Se sua empresa atua com fundos de direitos creditórios, originação, securitização ou outras estruturas financeiras, fale com a equipe da ContabilizaíBank e conheça nossas soluções contábeis, fiscais e societárias para o setor.

    Continue lendo >>: Novo FIDC combina créditos esportivos e Corinthians
  • Ume capta R$ 500 milhões em FIDCs para ampliar crédito no varejo

    Ume capta R$ 500 milhões em FIDCs para ampliar crédito no varejo

    A fintech Ume anunciou uma captação de R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). A operação contou com forte demanda de investidores e reuniu instituições como Itaú, Bradesco, XP, Milenio, Verde e Credit Saison.

    O novo aporte reforça o uso de FIDC para fintech como alternativa de funding para empresas que operam crédito e buscam ampliar sua capacidade de originação.

    Ume capta R$ 500 milhões por meio de FIDCs

    A nova operação ocorre após a fintech iniciar o ano com um FIDC de R$ 150 milhões.

    Segundo a companhia, a procura dos investidores acelerou a necessidade de uma nova captação, desta vez no valor de R$ 500 milhões.

    Os fundos foram estruturados e são geridos pela Milenio Capital.

    Para a Ume, os novos recursos devem ampliar a capacidade de financiar operações realizadas por varejistas, especialmente em um cenário de juros elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito.

    Grandes instituições participaram da operação

    A captação contou com a participação de nomes relevantes do mercado financeiro.

    Entre os investidores citados pela fintech estão:

    • Itaú;
    • Bradesco;
    • XP, por meio da Augme;
    • Milenio;
    • Verde;
    • Credit Saison.

    A presença dessas instituições reforça o interesse do mercado por estruturas de crédito baseadas em FIDCs e por modelos de negócio ligados à digitalização do varejo.

    Como funciona o modelo de crédito da Ume?

    Fundada em 2019, a Ume atua como uma espécie de crediário digital ou limite recorrente para varejistas.

    A fintech utiliza a infraestrutura do Pix para viabilizar operações de crédito diretamente no ambiente dos estabelecimentos comerciais.

    Na prática, o modelo busca permitir que o varejista participe de uma parcela maior do resultado financeiro das vendas realizadas a prazo.

    Em modelos tradicionais, parte relevante da receita financeira do crédito costuma ficar concentrada em bancos ou outras instituições.

    Com a solução da Ume, o lojista passa a ter uma participação mais direta na operação de crédito oferecida aos seus próprios clientes.

    FIDC para fintech amplia capacidade de originação

    O uso de um FIDC para fintech pode ser uma forma de financiar o crescimento da carteira de crédito sem depender exclusivamente de capital próprio.

    Os FIDCs adquirem direitos creditórios originados pelas operações da empresa e utilizam recursos captados junto a investidores para financiar essas carteiras.

    De forma simplificada, a estrutura pode envolver:

    1. a fintech origina as operações de crédito;
    2. os créditos gerados são direcionados ao FIDC;
    3. investidores aportam recursos no fundo;
    4. o capital captado permite financiar novas operações;
    5. os pagamentos realizados pelos clientes alimentam o fluxo financeiro da estrutura.

    Esse modelo pode contribuir para aumentar a capacidade de crescimento das empresas de crédito.

    Captação reforça aproximação entre fintechs e mercado de capitais

    A operação da Ume mostra como empresas de tecnologia financeira estão utilizando cada vez mais instrumentos do mercado de capitais para financiar suas atividades.

    Ao recorrer a um FIDC, uma fintech pode transformar sua carteira de recebíveis em uma estrutura capaz de atrair capital institucional.

    Esse movimento aproxima diferentes participantes do ecossistema financeiro, incluindo:

    • fintechs;
    • gestores de recursos;
    • bancos;
    • investidores institucionais;
    • administradores fiduciários;
    • prestadores de serviços especializados.

    A captação da Ume também evidencia como empresas de crédito podem crescer por meio de estruturas que conectam originação e mercado de capitais.

    Recursos devem fortalecer operações no varejo

    Segundo a Ume, os R$ 500 milhões captados devem ser direcionados ao fortalecimento das operações de crédito oferecidas aos varejistas.

    A empresa considera o momento especialmente relevante diante de um cenário de juros elevados e incertezas econômicas.

    Nesse contexto, soluções alternativas de financiamento podem ganhar espaço entre lojistas que buscam manter as vendas a prazo sem depender exclusivamente das modalidades tradicionais oferecidas por grandes instituições financeiras.

    Pix também faz parte da estratégia da fintech

    Outro ponto relevante do modelo da Ume é o uso dos trilhos do Pix para viabilizar suas operações.

    A infraestrutura de pagamentos instantâneos permite criar jornadas de crédito integradas ao ambiente digital dos lojistas.

    Com isso, a fintech combina três elementos que vêm ganhando importância no mercado financeiro:

    • crédito;
    • meios de pagamento;
    • funding por meio de FIDC.

    Essa combinação pode ampliar a eficiência operacional e criar novos modelos para a oferta de crédito no varejo.

    Ume também reforçou sua área de tecnologia

    Além do crescimento financeiro, a fintech também vem investindo em sua estrutura tecnológica.

    No fim de 2024, Berthier Ribeiro Neto assumiu a vice-presidência de tecnologia da Ume.

    O executivo possui longa experiência no setor e liderou por quase duas décadas a equipe de engenharia do Google no Brasil, após a aquisição da Akwan pela companhia americana.

    A chegada do executivo reforça a estratégia da fintech de combinar tecnologia, análise de crédito e infraestrutura financeira para sustentar sua expansão.

    O que a captação da Ume mostra sobre o mercado de FIDCs?

    A captação de R$ 500 milhões mostra que o mercado de FIDCs continua sendo uma alternativa relevante para empresas que precisam financiar carteiras de crédito.

    Para fintechs, essas estruturas podem oferecer uma forma de ampliar funding e reduzir a dependência de recursos próprios.

    Ao mesmo tempo, operações desse porte aumentam a necessidade de controles financeiros, contábeis e operacionais compatíveis com a complexidade da estrutura.

    Entre os pontos que exigem atenção estão:

    • conciliação das operações;
    • controle dos direitos creditórios;
    • fluxo financeiro entre originador e fundo;
    • prestação de informações;
    • acompanhamento da carteira;
    • adequação contábil e fiscal.

    Leia também o conteúdo da ContabilizaíBank sobre FAZ Cred capta R$ 80 milhões com FIDC de consignado privado

    FIDCs seguem ganhando espaço entre fintechs

    A nova captação da Ume reforça uma tendência de aproximação entre fintechs de crédito e o mercado de capitais.

    Com R$ 500 milhões captados e participação de grandes instituições financeiras, a operação demonstra como o FIDC para fintech pode ser utilizado para sustentar estratégias de crescimento e expansão da originação.

    Para empresas que atuam com crédito, acompanhar esse movimento é importante não apenas sob a perspectiva de funding, mas também de estruturação operacional, contábil e regulatória.

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade especializada para empresas do mercado de capitais e crédito, incluindo fintechs e negócios que operam com estruturas de FIDC.

    Se sua empresa atua com crédito, originação, FIDC ou outras estruturas financeiras, fale com a equipe da ContabilizaíBank e conheça nossas soluções contábeis, fiscais e societárias para o setor.

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    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

    Continue lendo >>: Ume capta R$ 500 milhões em FIDCs para ampliar crédito no varejo
  • FAZ Cred capta R$ 80 milhões com FIDC de consignado privado

    FAZ Cred capta R$ 80 milhões com FIDC de consignado privado

    A FAZ Cred, antiga Condolivre, captou R$ 80 milhões em apenas 60 dias com um novo FIDC de consignado privado. O fundo, batizado de FAZ Cred Mais Trabalhador, marca uma mudança importante na estratégia da fintech, que deixou de concentrar sua atuação no crédito para condomínios e passou a apostar no avanço do consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada.

    A operação acompanha as mudanças ocorridas no mercado de crédito após a entrada em vigor das novas regras do consignado privado e mostra como fintechs e fundos de investimento estão buscando oportunidades nesse segmento.

    FAZ Cred muda estratégia e amplia atuação no consignado privado

    A empresa nasceu em 2021 com o nome Condolivre e tinha como principal foco a oferta de crédito para trabalhadores de condomínios, especialmente porteiros, zeladores e outros profissionais contratados pelo regime CLT.

    Esse modelo era sustentado, em grande parte, por acordos exclusivos com condomínios. A empresa chegou a formar uma base de aproximadamente 60 mil trabalhadores.

    O cenário começou a mudar em março de 2025, quando novas regras do consignado privado ampliaram o acesso de trabalhadores formais a esse tipo de crédito.

    Com a mudança, instituições financeiras passaram a disputar diretamente as operações em um ambiente mais aberto, reduzindo a vantagem competitiva que a Condolivre possuía por meio dos convênios exclusivos.

    Diante desse novo contexto, a fintech decidiu reformular seu posicionamento, mudar o nome para FAZ Cred e ampliar sua atuação para outros setores da economia.

    Novo FIDC captou R$ 80 milhões em dois meses

    O principal símbolo dessa mudança é o FAZ Cred Mais Trabalhador, novo FIDC estruturado pela companhia.

    Voltado inicialmente para trabalhadores dos setores de saúde e educação, o fundo captou R$ 80 milhões em apenas 60 dias de operação.

    Segundo a empresa, o novo veículo também contribuiu para triplicar o volume total de contratos da FAZ Cred.

    A velocidade da captação mostra o interesse de investidores em estratégias ligadas ao consignado privado e em estruturas baseadas em direitos creditórios.

    Investidores ajudaram a redefinir o modelo de negócio

    Inicialmente, a estratégia da FAZ Cred era atuar principalmente como fornecedora de tecnologia.

    A empresa pretendia disponibilizar sua plataforma de análise de crédito para que terceiros pudessem operar em diferentes segmentos do consignado.

    No entanto, o interesse dos investidores mudou esse plano.

    De acordo com o CEO da companhia, Henrique Rusca, muitos investidores procuravam a fintech interessados em alocar capital, mas sem a intenção de assumir diretamente a operação do crédito.

    A partir dessa demanda, a FAZ Cred decidiu internalizar uma parcela maior da cadeia e passou a atuar também na estruturação e originação das operações.

    Patrimonial é principal investidora dos veículos da FAZ Cred

    A gestora Patrimonial aparece como principal investidora por trás dos veículos estruturados pela fintech.

    A parceria já existia no primeiro fundo da empresa, o FAZ Cred Condolivre FIDC, voltado ao segmento condominial e que reúne cerca de R$ 160 milhões em carteira.

    Após o histórico da primeira operação, a gestora também passou a participar do novo veículo direcionado a outros setores.

    Esse relacionamento permitiu à FAZ Cred ampliar sua atuação e buscar novas frentes dentro do mercado de consignado privado.

    Saúde e educação são os primeiros focos do novo fundo

    Apesar de ter ampliado sua atuação, a FAZ Cred não pretende crescer de forma indiscriminada.

    O novo FIDC começou pelos setores de saúde e educação, considerados pela empresa mercados com boa capacidade de reempregabilidade.

    Essa característica é relevante para a estratégia porque, no novo modelo de consignado privado, a possibilidade de retomada do desconto após uma nova contratação pode ajudar na recuperação do crédito em casos de demissão.

    Mesmo atuando em segmentos com salários potencialmente mais altos, o tíquete médio das operações permanece entre R$ 1.500 e R$ 1.600.

    A decisão faz parte da estratégia de pulverização de risco adotada pela fintech.

    FAZ Cred busca reduzir concentração de risco

    A companhia também estabelece limites para evitar que a carteira fique concentrada em poucos tomadores ou empregadores.

    Entre as medidas adotadas estão:

    • limitação do volume de crédito concedido repetidamente a uma mesma pessoa;
    • diversificação entre diferentes trabalhadores;
    • limites de exposição por empresa empregadora;
    • nenhuma empresa pagadora representando mais de 1% da carteira.

    Esse modelo busca reduzir o impacto de problemas específicos em uma determinada empresa ou grupo de trabalhadores sobre o desempenho total do fundo.

    Inadimplência ainda está em fase de maturação

    Como o FAZ Cred Mais Trabalhador ainda é recente, sua inadimplência não possui histórico suficiente para uma avaliação consolidada.

    No fundo mais antigo, voltado ao setor condominial, a taxa de inadimplência oscila entre 10% e 15%, segundo informações divulgadas pela empresa.

    Parte relevante dos pagamentos é recebida por meio do repasse direto do governo, enquanto outra parcela é recuperada pela área própria de cobrança da companhia.

    A gestão da inadimplência, portanto, continua sendo um dos principais pontos de atenção dentro do modelo.

    Mercado potencial cresceu após as novas regras

    A abertura do consignado privado aumentou a concorrência para empresas como a FAZ Cred, mas também ampliou significativamente o mercado disponível.

    No segmento condominial, por exemplo, a empresa afirma que seu mercado endereçável passou de cerca de 60 mil para aproximadamente 400 mil trabalhadores.

    Nos novos nichos de saúde e educação, a expectativa é ainda maior.

    Segundo a companhia, o mercado potencial pode ser entre cinco e dez vezes superior ao da base condominial.

    O novo fundo também estaria apresentando um ritmo de originação aproximadamente duas vezes maior.

    Tecnologia e canais próprios ajudam na originação

    Com mais instituições disputando as operações de consignado, depender apenas de preços baixos pode não ser suficiente para sustentar a originação.

    Por isso, a FAZ Cred aposta em canais próprios construídos ao longo dos últimos anos.

    Entre os recursos utilizados estão:

    • atendimento direto pelo WhatsApp;
    • agentes de inteligência artificial;
    • ferramentas internas de análise e precificação;
    • relacionamento direto com empresas e trabalhadores;
    • testes de preço para aumentar a conversão das ofertas.

    A estratégia busca ajudar a fintech a competir em um mercado que também conta com a presença de grandes bancos.

    Empresa já avalia novos setores

    Depois de saúde e educação, a FAZ Cred pretende continuar expandindo sua operação para outros segmentos.

    Entre os setores avaliados estão o automotivo e a construção civil.

    A empresa afirma priorizar atividades com índices elevados de reempregabilidade, já que a possibilidade de o trabalhador retornar rapidamente ao mercado formal pode ser relevante para a continuidade dos pagamentos.

    FIDC de consignado privado ganha espaço no mercado de crédito

    A captação de R$ 80 milhões da FAZ Cred reforça o interesse crescente por estruturas ligadas ao FIDC de consignado privado.

    Mais do que uma mudança de nome, a transformação da antiga Condolivre mostra como empresas de crédito estão se adaptando às novas regras e buscando modelos capazes de combinar originação, tecnologia, gestão de risco e capital de investidores.

    Para o mercado de capitais e de crédito, movimentos como esse também ampliam a relevância de estruturas contábeis, fiscais e operacionais adequadas para acompanhar o crescimento das operações.

    Leia também o artigo da ContabilizaíBank sobre FIDC e Resolução CVM 240: o que mudou nas regras

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade para empresas do mercado de capitais e crédito, apoiando organizações que precisam estruturar suas rotinas contábeis, fiscais e financeiras.

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    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Ancord lança plataforma para centralizar documentos

    Ancord lança plataforma para centralizar documentos

    A plataforma de documentos da Ancord foi lançada para centralizar o envio e o acesso a documentos institucionais utilizados por participantes do mercado financeiro.

    Batizada de Plataforma de Repositório de Documentos (PRD), a solução busca reduzir retrabalho, simplificar auditorias e evitar que corretoras e distribuidoras precisem encaminhar os mesmos arquivos separadamente para diferentes infraestruturas de mercado.

    A iniciativa começa com a participação de CSD BR, Núclea e BEE4 e reforça um movimento de modernização operacional no mercado de capitais.

    O que é a plataforma de documentos da Ancord?

    A PRD é um ambiente digital criado pela Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias.

    A proposta é reunir, em um único ambiente, documentos e informações utilizados por instituições participantes em processos de acompanhamento e auditoria.

    Na prática, uma instituição vinculada a mais de uma infraestrutura poderá enviar determinada documentação uma única vez.

    Depois disso, as infraestruturas autorizadas poderão acessar os arquivos diretamente pela plataforma.

    Segundo a Ancord, a solução busca:

    • centralizar documentos e informações;
    • reduzir retrabalho;
    • diminuir fluxos paralelos;
    • organizar processos;
    • simplificar a relação entre participantes e infraestruturas;
    • modernizar rotinas operacionais.

    Como funcionará o envio de documentos?

    O funcionamento da plataforma de documentos da Ancord parte de uma lógica de compartilhamento centralizado.

    Adesão à PRD

    A instituição participante poderá aderir à plataforma e aceitar os respectivos termos de uso.

    A adesão é voluntária.

    Envio da documentação

    Após aderir, a instituição poderá inserir os documentos institucionais solicitados no ambiente digital.

    Disponibilização centralizada

    Os arquivos ficam organizados em um repositório único.

    Acesso pelas infraestruturas

    As infraestruturas participantes poderão consultar os documentos mediante autorização da instituição responsável.

    Plataforma evita envio repetido de documentos

    Um dos principais objetivos da iniciativa é reduzir a duplicidade de tarefas.

    Atualmente, uma instituição que mantém relacionamento com diferentes infraestruturas pode precisar encaminhar documentos semelhantes mais de uma vez.

    Com a PRD, esse fluxo tende a ser simplificado.

    Se uma corretora ou distribuidora estiver vinculada a mais de uma infraestrutura aderente, o carregamento poderá ser feito uma única vez.

    Isso pode reduzir a quantidade de interações individuais e tornar o acompanhamento documental mais organizado.

    CSD BR, Núclea e BEE4 participam da primeira fase

    As primeiras infraestruturas previstas para utilizar a nova plataforma são:

    • CSD BR;
    • Núclea;
    • BEE4.

    A B3 também participou do grupo de trabalho criado pela Ancord para discutir o projeto, mas ainda não havia confirmado adesão ao ambiente no momento da divulgação.

    Segundo a associação, todas as corretoras e distribuidoras ligadas às infraestruturas que aderirem ao sistema poderão utilizar a ferramenta.

    Quais documentos poderão ser compartilhados?

    A lista de documentos foi definida em conjunto com as infraestruturas participantes do grupo de trabalho.

    O objetivo é concentrar um conjunto mínimo de informações normalmente solicitado nos processos de auditoria.

    A iniciativa não transfere, porém, a responsabilidade pela atualização das informações.

    Cada instituição continuará responsável por manter seus documentos atualizados.

    Isso significa que a centralização tecnológica reduz etapas operacionais, mas não substitui controles internos adequados.

    Quem será responsável pela governança dos documentos?

    A responsabilidade pelo conteúdo e pela atualização dos arquivos continuará com cada participante.

    Já a governança relacionada ao uso da documentação ficará a cargo das infraestruturas aderentes, conforme as regras estabelecidas para o funcionamento da plataforma.

    Essa separação é importante porque a existência de um repositório central não elimina responsabilidades sobre:

    • atualização documental;
    • integridade das informações;
    • controles internos;
    • autorização de acesso;
    • cumprimento de exigências aplicáveis.

    Plataforma pode facilitar processos de auditoria

    A plataforma de documentos da Ancord foi desenvolvida especialmente para facilitar processos envolvendo participantes e infraestruturas de mercado.

    Entre os possíveis ganhos operacionais estão a redução da repetição de tarefas e a criação de um fluxo documental mais padronizado.

    A entidade, porém, não divulgou estimativas específicas de economia financeira ou redução de tempo.

    Portanto, os ganhos efetivos dependerão da adesão e da utilização do sistema pelas instituições.

    Por que a centralização documental importa para o mercado?

    Instituições que atuam no mercado financeiro e de capitais lidam com grande volume de documentos, controles e exigências operacionais.

    Quando as informações estão dispersas em diferentes ambientes, podem surgir desafios relacionados a:

    • duplicidade de arquivos;
    • versões desatualizadas;
    • dificuldade de localização;
    • retrabalho;
    • controle de prazos;
    • acompanhamento de solicitações;
    • auditoria.

    Um ambiente centralizado pode contribuir para reduzir parte dessa complexidade.

    Além da tecnologia, no entanto, as instituições precisam manter processos internos capazes de garantir que as informações estejam corretas e atualizadas.

    Organização documental também depende de controles internos

    A adoção de novas plataformas não elimina a necessidade de uma boa estrutura operacional.

    Corretoras, distribuidoras e outras instituições do mercado precisam definir responsáveis, rotinas e procedimentos para garantir a qualidade das informações.

    Definir responsáveis

    Cada tipo de documento deve ter um responsável interno claramente definido.

    Controlar vencimentos

    Certidões, registros e outros documentos podem possuir datas de validade ou necessidade de atualização periódica.

    Padronizar arquivos

    Nomenclaturas e rotinas padronizadas facilitam a localização e reduzem erros.

    Criar processos de revisão

    Antes do envio, informações relevantes devem passar por conferência.

    Integrar áreas

    Contabilidade, fiscal, societário, jurídico e compliance podem gerar documentos utilizados em auditorias e processos regulatórios.

    Por isso, a eficiência documental depende também da comunicação entre essas áreas.

    Qual é a relação com a contabilidade?

    Boa parte das informações utilizadas por instituições financeiras e participantes do mercado possui relação direta ou indireta com registros contábeis, fiscais e societários.

    Nesse contexto, uma estrutura contábil organizada ajuda a manter documentos consistentes e disponíveis quando necessários.

    Entre os materiais que podem depender de processos internos bem estruturados estão:

    • demonstrações financeiras;
    • balancetes;
    • documentos societários;
    • informações fiscais;
    • registros contábeis;
    • conciliações;
    • relatórios financeiros.

    A tecnologia pode facilitar o compartilhamento, mas a qualidade dos documentos começa na própria operação da instituição.

    Eficiência operacional ganha espaço no mercado de capitais

    O lançamento da PRD também mostra como processos tradicionalmente fragmentados estão sendo digitalizados.

    A tendência é que instituições busquem reduzir tarefas repetitivas e centralizar informações para melhorar eficiência e governança.

    Para empresas do mercado de capitais, esse movimento pode aumentar a importância de processos internos bem definidos.

    Quanto mais fácil se torna o compartilhamento de documentos, maior também é a necessidade de garantir que as informações disponibilizadas estejam corretas, atualizadas e coerentes.

    O que muda com a nova plataforma da Ancord?

    A plataforma de documentos da Ancord não altera as responsabilidades das instituições sobre suas informações.

    A principal mudança está na forma como os documentos podem ser compartilhados.

    Em vez de repetir o mesmo processo para diferentes infraestruturas, as instituições participantes poderão utilizar um ambiente centralizado.

    A proposta reúne três pontos principais:

    • menos duplicidade de envio;
    • maior padronização;
    • maior eficiência operacional.

    O impacto efetivo dependerá da adesão das infraestruturas e das instituições participantes.

    Para mais informações sobre a iniciativa, consulte a Ancord.

    Conclusão

    A plataforma de documentos da Ancord representa uma iniciativa de modernização dos fluxos entre instituições participantes e infraestruturas do mercado.

    Com a PRD, documentos utilizados em processos de auditoria e acompanhamento poderão ser disponibilizados em um ambiente centralizado, reduzindo a necessidade de múltiplos envios.

    CSD BR, Núclea e BEE4 integram a primeira fase da iniciativa, enquanto a adesão permanece voluntária.

    Para as instituições, a novidade reforça a importância de manter documentação organizada, controles internos eficientes e informações contábeis, fiscais e societárias atualizadas.

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade para empresas do mercado de capitais e de crédito, apoiando organizações que precisam manter controles e informações compatíveis com a complexidade de suas operações.

    A organização contábil também facilita processos de auditoria, acompanhamento e apresentação de documentos.

    Sua empresa atua no mercado de capitais ou de crédito? Conheça a ContabilizaíBank e conte com suporte contábil especializado para organizar processos, informações e controles da operação.

    Continue lendo >>: Ancord lança plataforma para centralizar documentos
  • FIDC e Resolução CVM 240: o que mudou nas regras

    FIDC e Resolução CVM 240: o que mudou nas regras

    A Resolução CVM 240 e FIDC passou a ocupar o centro das discussões regulatórias em 2026 ao alterar o tratamento de determinados direitos creditórios cedidos por empresas em recuperação judicial ou extrajudicial.

    Editada em março, a norma modificou pontos do Anexo Normativo II da Resolução CVM 175, que disciplina os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. A principal mudança foi flexibilizar o enquadramento de alguns créditos ligados a empresas em recuperação, permitindo que determinadas operações deixem de ser classificadas como direitos creditórios não padronizados.

    Na prática, a mudança amplia as possibilidades de uso dos FIDCs como fonte de recursos para empresas em processo de reestruturação. Ao mesmo tempo, aumenta a importância da análise do lastro, da governança e da transparência na gestão dessas carteiras.

    O que é a Resolução CVM 240?

    A Resolução CVM 240 foi editada em 5 de março de 2026 e alterou pontualmente o Anexo Normativo II da Resolução CVM 175, norma que estabelece o regime específico dos FIDCs.

    Segundo a própria CVM, o objetivo foi remover entraves regulatórios à cessão de direitos creditórios por empresas em recuperação judicial ou extrajudicial e facilitar o uso dos FIDCs como mecanismo de financiamento da economia real.

    A norma entrou em vigor em 5 de março de 2026.

    O que mudou para os FIDCs?

    A Resolução CVM 240 e FIDC trouxe duas mudanças principais relacionadas aos créditos de empresas em recuperação.

    Fim da exigência de plano de recuperação homologado

    Antes da alteração, determinados direitos creditórios cedidos por uma sociedade em recuperação judicial somente poderiam receber tratamento mais favorável quando o plano de recuperação estivesse homologado judicialmente ou aprovado conforme as condições regulatórias então vigentes.

    A nova norma suprimiu essa exigência para direitos creditórios performados cedidos por empresas em recuperação judicial.

    Isso significa que a existência de um plano judicialmente homologado deixou de ser condição necessária, por si só, para esse enquadramento regulatório.

    Mudança no tratamento da coobrigação

    A segunda mudança envolve a coobrigação assumida por sociedade empresária em recuperação judicial ou extrajudicial durante a cessão de recebíveis.

    A Resolução CVM 240 retirou essa situação da lista de elementos que, isoladamente, caracterizavam o direito creditório como não padronizado.

    Na prática, isso amplia a possibilidade de estruturação de operações envolvendo empresas em processo de recuperação.

    O que são direitos creditórios padronizados?

    Os direitos creditórios são valores que uma pessoa ou empresa possui a receber.

    Eles podem resultar de:

    • vendas a prazo;
    • duplicatas;
    • contratos;
    • parcelas de financiamento;
    • Cédulas de Crédito Bancário;
    • mensalidades;
    • operações comerciais;
    • prestação de serviços.

    No contexto dos FIDCs, a classificação dos ativos é relevante porque influencia a composição das carteiras, o público investidor e as regras que devem ser observadas pelo fundo.

    A Resolução CVM 175 reúne as regras gerais dos fundos de investimento e dedica o Anexo Normativo II especificamente aos FIDCs.

    O que muda para empresas em recuperação judicial?

    Uma das consequências mais relevantes da nova regra é facilitar o acesso das empresas em recuperação a estruturas de securitização por meio dos FIDCs.

    Empresas em recuperação judicial frequentemente enfrentam dificuldade para obter crédito bancário tradicional.

    Ao permitir maior flexibilidade na cessão de recebíveis, o FIDC pode funcionar como uma alternativa para:

    • antecipar recursos;
    • financiar capital de giro;
    • monetizar recebíveis;
    • organizar a carteira de crédito;
    • obter liquidez durante a reestruturação.

    Esse é um dos objetivos destacados pela CVM ao editar a norma: ampliar a previsibilidade e facilitar o uso dos FIDCs por empresas em processos de recuperação.

    A mudança elimina o risco desses créditos?

    Não.

    A alteração regulatória muda o tratamento jurídico de determinados direitos creditórios, mas não elimina o risco econômico associado ao devedor ou ao cedente.

    Uma empresa em recuperação judicial continua enfrentando dificuldades financeiras. Por isso, gestores e investidores precisam analisar aspectos como:

    • capacidade de pagamento;
    • qualidade do recebível;
    • documentação do crédito;
    • concentração da carteira;
    • histórico de inadimplência;
    • existência de garantias;
    • prazo dos ativos;
    • risco jurídico;
    • estrutura da cessão;
    • eventual coobrigação.

    A classificação regulatória não substitui uma análise de crédito adequada.

    Por que o lastro do FIDC ganha ainda mais importância?

    O lastro representa os direitos creditórios que sustentam a carteira do fundo.

    Quanto maior a complexidade dos ativos, maior a necessidade de avaliar sua origem e qualidade.

    Em uma carteira formada por recebíveis de empresas em recuperação, algumas perguntas se tornam especialmente relevantes:

    • o crédito realmente existe?
    • a documentação está completa?
    • a cessão é válida?
    • existe disputa judicial relacionada ao recebível?
    • qual é a situação financeira do devedor?
    • existe risco de questionamento da operação?
    • como está estruturado o fluxo de cobrança?

    Essas informações ajudam gestores, administradores e investidores a compreender melhor os riscos da operação.

    O que muda para gestores e administradores de FIDC?

    As mudanças trazidas pela Resolução CVM 240 e FIDC aumentam a importância dos processos de análise, monitoramento e documentação.

    Gestores precisam conhecer a composição da carteira e avaliar a adequação dos ativos à política de investimento.

    Entre os pontos que merecem atenção estão:

    • critérios de elegibilidade;
    • verificação do lastro;
    • acompanhamento da inadimplência;
    • provisionamento para perdas;
    • monitoramento dos cedentes;
    • documentação das cessões;
    • controles de concentração;
    • acompanhamento de processos de recuperação judicial.

    Administradores e demais prestadores também precisam manter processos compatíveis com as responsabilidades previstas na regulamentação.

    O que muda para os investidores?

    Para o investidor, a principal consequência é a necessidade de compreender melhor a composição da carteira.

    O fato de determinado ativo ser admitido dentro de uma estrutura de FIDC não significa ausência de risco.

    Antes de investir, é importante avaliar:

    • regulamento do fundo;
    • política de investimento;
    • composição dos direitos creditórios;
    • nível de subordinação;
    • histórico de perdas;
    • concentração por cedente e devedor;
    • garantias;
    • remuneração esperada;
    • classificação de risco, quando existente;
    • perfil dos ativos adquiridos.

    Quanto mais complexos forem os créditos, maior deve ser a atenção à relação entre risco e retorno.

    A CVM realizou consulta pública?

    Não.

    A própria CVM informou que a Resolução 240 não foi precedida por Análise de Impacto Regulatório nem por consulta pública.

    Segundo o regulador, a dispensa ocorreu porque a alteração foi considerada pontual e voltada à flexibilização de requisitos normativos, com fundamento no Decreto nº 10.411 e na Resolução CVM 67.

    Esse aspecto passou a ser objeto de discussão entre participantes e especialistas do mercado.

    Parte das críticas se concentra no argumento de que a ampliação do universo de ativos elegíveis pode alterar a percepção de risco dos investidores.

    Por outro lado, a posição oficial da CVM é de que a mudança melhora a segurança jurídica e facilita o financiamento de empresas em reestruturação por meio do mercado de capitais.

    Resolução CVM 240 aumenta o risco dos FIDCs?

    Não é correto afirmar que todos os FIDCs ficaram automaticamente mais arriscados.

    O impacto depende da política de investimento e dos ativos efetivamente adquiridos por cada fundo.

    Um FIDC que não investe em créditos relacionados a empresas em recuperação judicial pode praticamente não sentir os efeitos da nova regra.

    Já fundos que utilizam esses direitos creditórios podem exigir análises mais aprofundadas sobre:

    • situação financeira do cedente;
    • risco de insolvência;
    • validade da cessão;
    • comportamento da carteira;
    • recuperação dos créditos;
    • garantias;
    • risco de judicialização.

    Portanto, a mudança regulatória amplia possibilidades de estruturação, mas não elimina a necessidade de avaliar individualmente cada operação.

    Qual é o impacto contábil para os FIDCs?

    A ampliação das possibilidades de aquisição de direitos creditórios também exige atenção à contabilidade e ao controle da carteira.

    Os registros precisam refletir adequadamente:

    • aquisição dos créditos;
    • valor dos ativos;
    • provisões para perdas;
    • receitas financeiras;
    • inadimplência;
    • recuperações;
    • baixas;
    • valorização das cotas;
    • despesas da operação.

    Quando existem ativos com maior risco jurídico ou financeiro, a qualidade das informações contábeis se torna ainda mais importante.

    Uma carteira mal conciliada pode dificultar a identificação da exposição real do fundo.

    Governança passa a ser ainda mais relevante

    A flexibilização regulatória não reduz a necessidade de controles.

    Pelo contrário, operações envolvendo empresas em recuperação podem exigir maior integração entre:

    • gestor;
    • administrador fiduciário;
    • custodiante;
    • cedente;
    • assessoria jurídica;
    • auditoria;
    • empresas de cobrança;
    • consultoria contábil.

    A governança ajuda a identificar inconsistências antes que elas se tornem problemas maiores.

    Também contribui para assegurar que investidores recebam informações compatíveis com os riscos da carteira.

    Para consultar a mudança diretamente na fonte, veja a Resolução CVM 240, publicada pela Comissão de Valores Mobiliários.

    Conclusão

    A Resolução CVM 240 e FIDC trouxe uma mudança relevante para o mercado de direitos creditórios ao flexibilizar o tratamento de determinados ativos cedidos por empresas em recuperação judicial ou extrajudicial.

    A norma removeu a exigência de homologação judicial do plano em determinada hipótese e alterou o tratamento da coobrigação, ampliando as possibilidades de utilização dos FIDCs como fonte de recursos para empresas em reestruturação.

    Ao mesmo tempo, a mudança reforça a importância da análise de crédito, da verificação do lastro, dos controles contábeis e da transparência com os investidores.

    Para os participantes do mercado, a questão central deixa de ser apenas saber se determinado crédito pode integrar um FIDC. É necessário compreender qual é o risco econômico e jurídico daquele ativo dentro da carteira.

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade para empresas do mercado de capitais e crédito, apoiando organizações que precisam estruturar suas rotinas contábeis, fiscais e financeiras.

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    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Apps de entrega e e-commerce aceleram FIDCs e superam R$ 27 bi

    Apps de entrega e e-commerce aceleram FIDCs e superam R$ 27 bi

    Os FIDCs de apps de entrega e e-commerce ganharam escala no primeiro semestre, acompanhando a expansão das operações de crédito de plataformas de delivery, marketplaces, varejo e mobilidade.

    Um levantamento identificou 18 fundos ligados a iFood, Shopee, Mercado Livre, 99, Rappi e Magazine Luiza. Juntas, as carteiras de crédito dessas estruturas passaram de R$ 19,6 bilhões em dezembro para R$ 27,3 bilhões em junho.

    O avanço de quase 40% em seis meses mostra como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios estão se tornando uma fonte relevante de financiamento para empresas que oferecem crédito a consumidores, restaurantes, vendedores e outros parceiros.

    Como os FIDCs são utilizados pelas plataformas?

    Os FIDCs captam recursos de investidores para adquirir direitos creditórios, como valores a receber de vendas, financiamentos, empréstimos e prestações de serviços.

    Segundo o Portal do Investidor da Comissão de Valores Mobiliários, os FIDCs investem em direitos creditórios originados de operações realizadas por empresas e outras entidades.

    Nos aplicativos e marketplaces, os recursos podem ser utilizados para:

    • financiar compras feitas pelos consumidores;
    • oferecer empréstimos pessoais;
    • antecipar recebíveis de restaurantes;
    • conceder capital de giro a vendedores;
    • financiar parceiros cadastrados nas plataformas;
    • adquirir créditos gerados dentro do próprio ecossistema.

    Em parte dessas operações, as plataformas atuam como correspondentes bancários e utilizam instituições financeiras parceiras para realizar a concessão do crédito.

    O FIDC funciona como uma fonte de recursos para sustentar a expansão dessas carteiras.

    Carteiras avançam quase 40% em seis meses

    Os 18 fundos analisados somavam R$ 19,6 bilhões em carteira de crédito no fim de dezembro.

    Em junho, o volume chegou a R$ 27,3 bilhões, representando crescimento de quase 40% no primeiro semestre.

    Esse aumento reflete a transformação de aplicativos e marketplaces em ecossistemas que vão além da intermediação de vendas ou serviços.

    As plataformas passaram a reunir diferentes soluções financeiras:

    • meios de pagamento;
    • antecipação de recebíveis;
    • empréstimos;
    • financiamento de compras;
    • capital de giro;
    • serviços financeiros para parceiros.

    A grande quantidade de dados gerados dentro desses ambientes também pode apoiar a análise de crédito e a definição de limites para consumidores e empresas.

    iFood capta R$ 600 milhões com FIDC

    O iFood concluiu uma oferta de R$ 600 milhões em cotas seniores de um de seus fundos de crédito.

    Antes da nova captação, a companhia já possuía cinco FIDCs, que somavam aproximadamente R$ 3,2 bilhões em patrimônio líquido até junho.

    O reforço deve ampliar ainda mais a capacidade financeira das estruturas ligadas à plataforma.

    Os fundos do iFood atendem a diferentes modelos de operação. Um dos principais está relacionado à aquisição de recebíveis que restaurantes parceiros já possuem por vendas realizadas dentro do aplicativo.

    FIDC IFOOD I apresenta inadimplência zero

    O FIDC IFOOD I era o maior fundo individual entre os veículos analisados, com cerca de R$ 1,4 bilhão em patrimônio líquido em junho.

    A estrutura encerrou o período sem inadimplência.

    Isso acontece porque o fundo adquire valores que os restaurantes já têm a receber por vendas feitas por cartão, Pix ou vale-refeição.

    Esses recursos estão apenas aguardando o prazo de repasse dentro do sistema de pagamento. Dessa forma, o fundo antecipa um recebível já originado, em vez de conceder um empréstimo convencional ao restaurante.

    Esse modelo apresenta um perfil diferente de risco em relação a carteiras de empréstimo pessoal ou financiamento sem recebíveis imediatamente vinculados.

    Shopee lidera entre as estruturas analisadas

    Os fundos relacionados à Shopee reuniam aproximadamente R$ 11,1 bilhões em carteira.

    O volume cresceu 78% durante o semestre, maior avanço percentual entre as estruturas de porte relevante incluídas no levantamento.

    O resultado mostra como empresas de comércio eletrônico estão utilizando FIDCs para financiar consumidores e vendedores dentro de seus próprios ecossistemas.

    Um dos fundos mencionados é o MONEE FIC, que investe em cotas de outros veículos ligados à companhia. Como não possui uma carteira própria de crédito, sua estrutura não registra inadimplência da mesma forma que um fundo que concede empréstimos ou adquire recebíveis diretamente.

    Mercado Livre prepara um novo fundo

    Os FIDCs ligados ao Mercado Livre somavam cerca de R$ 5,7 bilhões em patrimônio líquido no fim de junho, avanço próximo de 12% em comparação com o início do ano.

    A empresa também constituiu o Mercado Crédito III Brasil FIDC em maio. No momento analisado, o veículo ainda não apresentava operação ou patrimônio relevante nos informes enviados à Comissão de Valores Mobiliários.

    O intervalo entre a constituição do fundo e o início da captação é comum. Antes da oferta inicial, é necessário preparar a estrutura operacional e documental.

    Esse processo pode envolver:

    • abertura de contas;
    • contratação de prestadores;
    • preparação de documentos;
    • registro da oferta;
    • definição dos critérios da carteira;
    • organização dos controles internos.

    Além dos FIDCs, o Mercado Livre também utiliza outros instrumentos de captação para financiar suas operações de crédito.

    Rappi cresce sobre uma base menor

    O Moustache Rappi passou de R$ 25,7 milhões para R$ 68,1 milhões em patrimônio líquido durante o período analisado.

    O crescimento percentual foi elevado, mas ocorreu sobre uma base menor em comparação com as estruturas de Shopee, iFood e Mercado Livre.

    O fundo compra faturas que uma empresa ligada à Rappi tem a receber da própria companhia por serviços já realizados.

    Por adquirir créditos relacionados a serviços já prestados, o veículo também encerrou junho sem inadimplência.

    Magalu registra redução no patrimônio

    O Magazine Luiza foi a única empresa do levantamento que apresentou redução no patrimônio de sua estrutura.

    O patrimônio do FIDC Magalu I diminuiu aproximadamente 4% durante o semestre.

    Em junho, o fundo apresentava R$ 71,2 milhões em créditos inadimplentes, enquanto seu patrimônio líquido era de R$ 46,6 milhões.

    Esses números não devem ser avaliados isoladamente. Uma análise completa precisa considerar outros elementos, como:

    • carteira bruta do fundo;
    • nível de provisões;
    • subordinação das cotas;
    • garantias disponíveis;
    • recuperação dos créditos;
    • regras de elegibilidade;
    • concentração de devedores.

    Inadimplência dos fundos chega a R$ 3,7 bilhões

    Excluindo as estruturas cuja inadimplência é considerada estruturalmente zerada, os 15 fundos restantes registraram aumento dos créditos em atraso.

    O volume de inadimplência passou de R$ 2,9 bilhões em dezembro para R$ 3,7 bilhões em junho.

    O valor representava 16,6% da carteira bruta somada desses veículos.

    A expansão demonstra que o crescimento das operações de crédito também precisa ser acompanhado por controles de risco, provisões e mecanismos de proteção.

    Fundos ligados à 99 concentram a alta

    Os veículos relacionados à 99 apresentaram o maior crescimento de inadimplência entre as plataformas analisadas.

    Os fundos GONN, GONN II e GONN III acrescentaram aproximadamente R$ 590 milhões em créditos inadimplentes entre dezembro e junho.

    Esse montante representou cerca de 75% do aumento total de R$ 791 milhões observado nos 18 fundos do levantamento.

    GONN mais que dobra a inadimplência

    No GONN, maior e mais antigo fundo do grupo, o volume inadimplente passou de R$ 337,8 milhões para R$ 702,3 milhões.

    Já o GONN II encerrou junho com R$ 803,7 milhões em inadimplência, o maior valor absoluto entre os fundos analisados.

    A existência de créditos inadimplentes, porém, não significa automaticamente que o fundo não conseguirá cumprir suas obrigações.

    Também é necessário avaliar:

    • provisões para perdas;
    • qualidade das garantias;
    • estrutura de subordinação;
    • capacidade de recuperação;
    • prazo dos créditos;
    • concentração da carteira;
    • critérios utilizados na concessão.

    Provisões acompanham a expansão do crédito

    As provisões constituídas pelos fundos para cobrir possíveis perdas aumentaram de R$ 4,6 bilhões para R$ 6,2 bilhões.

    A alta foi de aproximadamente 35%, ritmo semelhante ao crescimento das carteiras.

    Nos 15 fundos considerados nesse recorte, as provisões correspondiam a 27,9% da carteira bruta em junho. Em dezembro, a proporção era de 28,1%.

    A estabilidade percentual indica que a expansão do crédito foi acompanhada pela constituição de reservas para perdas esperadas.

    A suficiência dessas provisões, entretanto, dependerá do comportamento futuro das carteiras e da recuperação dos créditos inadimplentes.

    O modelo de recebível influencia o risco do FIDC

    Os FIDCs de apps de entrega e e-commerce não seguem um único modelo de operação.

    Alguns fundos antecipam valores de vendas já realizadas. Outros financiam consumidores, vendedores, restaurantes ou prestadores de serviços.

    Por isso, o risco pode variar de acordo com:

    • a origem dos direitos creditórios;
    • o perfil dos devedores;
    • o prazo das operações;
    • a existência de recebíveis já constituídos;
    • os critérios de concessão;
    • as garantias disponíveis;
    • o nível de concentração;
    • a qualidade dos dados utilizados.

    Um fundo que compra recebíveis de vendas já processadas tende a apresentar um comportamento diferente de uma estrutura formada por empréstimos pessoais.

    Comparar apenas o patrimônio líquido ou a rentabilidade pode produzir uma visão incompleta.

    Dados das plataformas apoiam a análise de crédito

    Apps e marketplaces possuem grandes volumes de informações sobre consumidores e parceiros cadastrados.

    Esses dados podem incluir:

    • histórico de vendas;
    • volume de pedidos;
    • frequência das transações;
    • faturamento;
    • cancelamentos;
    • avaliações;
    • recebíveis futuros;
    • comportamento de pagamento;
    • sazonalidade das operações.

    As informações podem ajudar a definir limites, avaliar riscos e acompanhar o desempenho das carteiras.

    Mesmo assim, os modelos de crédito precisam ser monitorados constantemente. Mudanças econômicas e comportamentais podem alterar a capacidade de pagamento dos clientes e reduzir a precisão das análises anteriores.

    Crescimento dos FIDCs exige mais governança

    A expansão das carteiras aumenta a importância da governança e da qualidade das informações compartilhadas entre os participantes da estrutura.

    Uma operação pode envolver:

    • plataforma ou originador;
    • correspondente bancário;
    • instituição financeira;
    • gestor;
    • administrador fiduciário;
    • custodiante;
    • registradora;
    • auditoria;
    • empresas de cobrança;
    • investidores.

    Falhas em registros, conciliações ou controles podem afetar a composição da carteira, a apuração da inadimplência, o cálculo das provisões e a prestação de informações aos investidores.

    Contabilidade acompanha estruturas mais complexas

    O crescimento dos FIDCs ligados a empresas de tecnologia também amplia a complexidade contábil, fiscal e operacional das estruturas.

    Entre os pontos que exigem atenção estão:

    • reconhecimento dos direitos creditórios;
    • contabilização das cessões;
    • conciliação das carteiras;
    • registro das provisões;
    • classificação dos ativos;
    • reconhecimento de perdas;
    • controle das cotas;
    • elaboração das demonstrações financeiras;
    • cumprimento das obrigações regulatórias;
    • tratamento tributário das operações.

    Para as empresas que originam ou cedem os créditos, também é necessário analisar os efeitos sobre receitas, ativos, custos financeiros e fluxo de caixa.

    Leia também: FIDC no agronegócio ganha força em 2026

    O que o avanço representa para o mercado?

    O crescimento das carteiras mostra que apps de entrega, marketplaces e plataformas de mobilidade estão se tornando participantes cada vez mais relevantes do mercado de crédito.

    Os FIDCs permitem transformar recebíveis e operações financeiras originadas dentro desses ecossistemas em ativos financiados por investidores.

    A tendência apresentada na notícia é que novas estruturas sejam lançadas e que os fundos já existentes continuem ampliando suas carteiras.

    Ao mesmo tempo, o aumento da inadimplência em alguns veículos reforça a necessidade de acompanhar:

    • a qualidade dos créditos;
    • as provisões constituídas;
    • os mecanismos de proteção;
    • a concentração das carteiras;
    • a maturação das operações;
    • a qualidade da governança.

    Conclusão

    Os FIDCs de apps de entrega e e-commerce superaram R$ 27 bilhões em carteira e passaram a ocupar um papel importante no financiamento de consumidores, restaurantes, vendedores e outros parceiros.

    Shopee, iFood e Mercado Livre aparecem entre as maiores estruturas analisadas. Por outro lado, os fundos ligados à 99 concentraram parte relevante do aumento recente da inadimplência.

    O avanço demonstra o potencial dos FIDCs como instrumento de financiamento, mas também evidencia a necessidade de controles contábeis, gestão de risco, provisões adequadas e informações confiáveis.

    A ContabilizaíBank atua com contabilidade para empresas do mercado de capitais e crédito, apoiando organizações que precisam estruturar suas rotinas contábeis, fiscais e financeiras.

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    Autor: 

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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