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  • Debêntures incentivadas: negociação cresce 24% em 2026

    Debêntures incentivadas: negociação cresce 24% em 2026

    Mercado secundário movimentou R$ 247,7 bilhões entre janeiro e julho, enquanto infraestrutura segue ampliando sua participação no mercado de capitais brasileiro.

    A negociação de debêntures incentivadas no mercado secundário cresceu 24% nos sete primeiros meses de 2026 e alcançou R$ 247,7 bilhões. O avanço reforça a liquidez dos títulos já emitidos e mostra como o crédito privado vem se consolidando como uma das principais fontes de financiamento de projetos de infraestrutura no Brasil.

    O movimento acontece mesmo em um período de menor volume de novas emissões em relação a 2025. Enquanto a oferta primária desacelerou, os papéis que já estão em circulação continuam encontrando espaço nas carteiras dos investidores.

    Esse comportamento ajuda a revelar uma transformação importante: as debêntures incentivadas deixam de ser apenas uma alternativa para financiar grandes projetos e passam a integrar um mercado secundário cada vez mais ativo.

    Mercado secundário de debêntures incentivadas ganha força

    Entre janeiro e julho de 2026, o volume negociado de debêntures incentivadas chegou a R$ 247,7 bilhões, avanço de 24% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    Somente em julho, foram movimentados R$ 28,8 bilhões.

    O crescimento dá continuidade ao avanço observado nos primeiros meses do ano. Até maio, por exemplo, o mercado secundário já havia movimentado R$ 179,4 bilhões, alta de 32,7% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para os cinco primeiros meses da série histórica da ANBIMA.

    O mercado secundário é relevante porque permite que investidores comprem e vendam títulos depois de sua emissão original.

    Quanto maior a negociação, maior tende a ser a capacidade dos investidores de ajustar suas carteiras sem precisar necessariamente carregar os títulos até o vencimento.

    A ANBIMA relaciona o avanço do secundário ao amadurecimento do mercado de capitais, destacando que maior dinamismo pode favorecer liquidez e formação de preços.

    Emissões voltam a crescer em julho, mas seguem abaixo de 2025

    No mercado primário, em que empresas colocam novos títulos à disposição dos investidores, julho apresentou recuperação em relação ao mês anterior.

    As novas emissões de debêntures incentivadas somaram R$ 6,8 bilhões, avanço de 9,9% sobre os R$ 6,2 bilhões registrados em junho.

    Na comparação anual, porém, o cenário ainda mostra desaceleração. Em julho de 2025, as emissões haviam alcançado R$ 14,2 bilhões.

    Isso representa uma redução de aproximadamente 52,2%.

    Entre janeiro e julho de 2026, as ofertas somaram R$ 71,9 bilhões, frente a R$ 88,8 bilhões no mesmo intervalo de 2025.

    O contraste entre menor emissão primária e maior negociação secundária é um dos pontos mais relevantes do cenário atual.

    Os números indicam que uma redução no volume de novos papéis não significa necessariamente menor interesse dos investidores pelo segmento.

    Energia elétrica concentra mais da metade das emissões

    A infraestrutura de energia continua sendo o principal destino dos recursos captados por meio das debêntures incentivadas.

    Em 2026, o setor elétrico respondeu por aproximadamente R$ 39 bilhões, equivalente a cerca de 54% das emissões acumuladas até julho.

    A concentração está ligada às características do próprio segmento.

    Projetos de geração, transmissão e distribuição de energia normalmente exigem investimentos elevados, possuem maturação de longo prazo e demandam estruturas de financiamento compatíveis com esse horizonte.

    As debêntures se encaixam nesse perfil ao permitir que empresas acessem diretamente investidores no mercado de capitais.

    Afinal, o que são debêntures incentivadas?

    Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas.

    Na prática, a companhia capta recursos junto aos investidores e assume o compromisso de devolver esse capital de acordo com as condições previstas na emissão, incluindo prazo e remuneração.

    As debêntures incentivadas foram criadas para estimular o financiamento privado de setores considerados estratégicos, principalmente infraestrutura.

    A Lei nº 12.431/2011 estabeleceu incentivos tributários para determinadas aplicações relacionadas a projetos prioritários, ajudando a aumentar a atratividade desses instrumentos para investidores.

    Para pessoas físicas, observadas as condições legais aplicáveis, o principal atrativo historicamente associado às debêntures incentivadas é a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos.

    Do ponto de vista das empresas, elas representam uma alternativa às linhas tradicionais de financiamento bancário.

    Mercado de capitais ganha espaço no financiamento da infraestrutura

    O avanço das debêntures faz parte de um movimento maior de participação do capital privado no financiamento da infraestrutura brasileira.

    A Confederação Nacional da Indústria aponta que a iniciativa privada investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura em 2024, enquanto os recursos públicos somaram R$ 62,2 bilhões. A entidade estima ainda que o Brasil investe historicamente cerca de 2% do PIB por ano no setor, enquanto seria necessário algo próximo a 4% para atender às necessidades de expansão da infraestrutura.

    Essa diferença ajuda a explicar por que instrumentos do mercado de capitais passaram a ocupar uma posição estratégica.

    Debêntures, fundos de investimento, FIDCs e outras estruturas privadas ajudam a conectar investidores interessados em ativos de longo prazo às empresas responsáveis por projetos de energia, logística, saneamento, telecomunicações e transportes.

    Crédito privado vai além das debêntures incentivadas

    A transformação do financiamento de infraestrutura não acontece por meio de um único instrumento.

    Além das debêntures incentivadas, empresas podem recorrer a:

    • debêntures tradicionais;
    • notas comerciais;
    • Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs);
    • fundos voltados à infraestrutura;
    • outras estruturas de dívida no mercado de capitais.

    O mercado de capitais brasileiro como um todo segue mostrando elevado volume de captação.

    No primeiro semestre de 2026, as ofertas alcançaram R$ 361,8 bilhões, maior resultado para o período desde o início da série histórica da ANBIMA em 2012. Desse montante, R$ 288,8 bilhões vieram de instrumentos de renda fixa.

    Os dados mostram que o crédito privado deixou de ocupar uma posição secundária no financiamento empresarial.

    Para empresas com projetos de longo prazo, o mercado de capitais pode funcionar como complemento ou alternativa às fontes tradicionais de crédito.

    Liquidez também importa para quem pretende emitir

    O fortalecimento do mercado secundário não beneficia apenas quem já possui as debêntures.

    Para potenciais emissores, a existência de um mercado ativo também importa.

    Quando investidores sabem que existe maior possibilidade de negociação dos títulos depois da emissão, a percepção de liquidez pode influenciar a disposição para participar de novas ofertas.

    É um ciclo importante para o mercado:

    empresas emitem títulos → investidores compram → os ativos passam a ser negociados → maior liquidez pode estimular novas emissões.

    Por isso, os R$ 247,7 bilhões negociados nos primeiros sete meses do ano ajudam a medir mais do que simplesmente o volume de compra e venda.

    Eles indicam a profundidade que esse segmento começa a alcançar.

    Rentabilidade dos índices de debêntures em 2026

    Outro ponto importante é observar o comportamento dos índices da ANBIMA que acompanham diferentes segmentos do mercado de debêntures.

    Em julho de 2026, o IDA-DI, formado por debêntures ligadas à taxa DI, avançou 1,43% no mês e acumulou 8,62% no ano.

    Já o IDA IPCA Infraestrutura, que acompanha debêntures incentivadas indexadas ao IPCA, registrou alta de 1,02% em julho e acumulou 2,46% em 2026 até aquele momento.

    Essa distinção é importante porque diferentes grupos de debêntures respondem de formas diferentes às condições de juros, inflação, duration e percepção de risco.

    Portanto, não existe um único comportamento para todo o mercado de crédito privado.

    Infraestrutura produz efeitos além do mercado financeiro

    O financiamento de infraestrutura também produz efeitos sobre outras áreas da economia.

    Um estudo do FGV IBRE, baseado na Matriz Insumo-Produto do IBGE, estimou que cada R$ 1 milhão investido pode gerar diferentes volumes de atividade econômica dependendo do setor.

    No transporte, armazenagem e correio, por exemplo, o impacto estimado chega a R$ 3,34 milhões em produção econômica para cada R$ 1 milhão investido. Na construção civil, o multiplicador chega a R$ 3,04 milhões.

    O efeito também aparece no emprego.

    Segundo o mesmo estudo, R$ 1 milhão investido em construção civil pode estar associado à geração de até 33,25 postos de trabalho, considerando efeitos diretos, indiretos e de renda. No transporte, o número estimado chega a 31,77 empregos.

    Isso ajuda a explicar por que a discussão sobre debêntures incentivadas ultrapassa o universo dos investimentos.

    Esses títulos fazem parte de uma estrutura utilizada para financiar projetos que podem afetar produtividade, logística, energia, mobilidade e competitividade empresarial.

    Debêntures reforçam papel do mercado de capitais no crédito

    O crescimento de 24% nas negociações de debêntures incentivadas mostra que o mercado brasileiro de crédito privado não depende apenas da quantidade de novas emissões.

    A consolidação também passa pela capacidade de negociar os títulos depois que eles chegam ao mercado.

    Para investidores, um secundário mais ativo amplia as possibilidades de movimentação da carteira e contribui para a formação de preços.

    Para empresas e estruturadores, mostra que existe uma base crescente de investidores dispostos a negociar crédito corporativo.

    E, para os setores de infraestrutura, amplia a importância do mercado de capitais como fonte de financiamento de longo prazo.

    À medida que a necessidade de investimentos cresce, instrumentos como debêntures, FIDCs e fundos de infraestrutura tendem a continuar ocupando espaço relevante na conexão entre capital privado e projetos da economia real.

    A ContabilizaíBank é especialista em contabilidade para mercado de capitais e crédito. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender como as novas regras podem afetar capital de giro, funding e estrutura financeira.

    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Reforma tributária pode ampliar uso de FIDC de risco sacado

    Reforma tributária pode ampliar uso de FIDC de risco sacado

    Nova dinâmica de IBS e CBS pode aumentar a atenção das empresas sobre capital de giro e financiamento de fornecedores, abrindo espaço para estruturas de risco sacado no mercado de capitais.

    A reforma tributária pode aumentar a pressão sobre o capital de giro das empresas e ampliar a procura por estruturas de FIDC de risco sacado. Com a nova dinâmica de IBS e CBS, companhias com cadeias extensas de fornecedores precisarão olhar não apenas para a adequação fiscal, mas também para os possíveis impactos financeiros da transição.

    Nesse cenário, o FIDC de risco sacado pode ganhar relevância como alternativa para antecipar recursos aos fornecedores sem necessariamente reduzir o prazo de pagamento negociado pela empresa compradora.

    A discussão interessa especialmente a CFOs, tesourarias, gestores de suprimentos e empresas que dependem de cadeias extensas de fornecimento. Mais do que uma mudança tributária, a implementação do novo sistema pode exigir uma revisão da forma como essas companhias administram liquidez, recebíveis e financiamento.

    Reforma tributária muda a dinâmica dos créditos de IBS e CBS

    A Lei Complementar nº 214/2025 estabeleceu as principais regras do IBS e da CBS e definiu uma nova sistemática de não cumulatividade.

    Pela legislação, o contribuinte sujeito ao regime regular poderá, como regra, apropriar créditos de IBS e CBS quando ocorrer a extinção dos débitos relacionados às operações das quais seja adquirente. Essa extinção poderá ocorrer por diferentes modalidades previstas em lei, como pagamento pelo contribuinte, compensação, recolhimento pelo adquirente e recolhimento durante a liquidação financeira da operação, por meio do chamado split payment.

    Há, porém, uma regra transitória importante: enquanto não estiverem implementados determinados mecanismos, como o split payment ou o recolhimento pelo adquirente, a legislação dispensa temporariamente o requisito de extinção do débito para a apropriação do crédito, desde que sejam observadas as condições previstas em lei.

    Isso significa que o impacto financeiro não deve ser analisado de maneira isolada ou automática. Ele dependerá da implementação operacional dos mecanismos da reforma, da estrutura de cada cadeia e da forma como pagamentos e tributos circulam entre fornecedores e compradores.

    FIDC de risco sacado e capital de giro: qual é a relação?

    A necessidade de capital de giro é uma preocupação recorrente dentro das empresas.

    Quanto maior o intervalo entre os desembolsos necessários para manter a operação e o recebimento das vendas, maior tende a ser a quantidade de recursos que a companhia precisa manter disponível para sustentar estoques, fornecedores, tributos, folha e demais compromissos.

    A reforma adiciona uma nova variável a essa conta.

    Em empresas que trabalham com cadeias longas e prazos de pagamento elevados, a interação entre a liquidação financeira das compras, o recolhimento dos novos tributos e a apropriação dos créditos pode modificar o planejamento de caixa.

    É justamente nesse contexto que o FIDC de risco sacado passa a chamar atenção.

    A estrutura pode permitir que o fornecedor transforme o recebível em caixa antes do vencimento comercial, enquanto o comprador preserva o prazo originalmente negociado.

    Por que os fornecedores também entram nessa discussão?

    Grandes empresas frequentemente negociam prazos de 60, 90 dias ou até superiores com seus fornecedores.

    Do ponto de vista da empresa compradora, esses prazos ajudam na administração do fluxo de caixa. Para o fornecedor, entretanto, significam financiar parte da operação até o recebimento.

    Quanto maior o prazo, maior pode ser a necessidade de capital para manter produção, estoque, salários e novas entregas.

    Essa situação se torna especialmente sensível para fornecedores pequenos e médios, que normalmente possuem menor acesso a crédito ou pagam taxas superiores para financiar suas operações.

    Por isso, a discussão sobre reforma tributária e capital de giro não envolve apenas o caixa da empresa âncora. Ela também alcança a saúde financeira de toda a cadeia.

    Como o FIDC de risco sacado pode ajudar no financiamento da cadeia

    Em uma operação de risco sacado, o fornecedor possui um valor a receber de uma empresa compradora.

    Após a entrega dos produtos ou serviços e o reconhecimento da obrigação pelo comprador, esse direito creditório pode ser cedido a uma estrutura de financiamento, incluindo um FIDC de risco sacado.

    O fundo antecipa os recursos ao fornecedor e passa a receber o pagamento da empresa compradora no vencimento acordado.

    Na prática, a estrutura permite conciliar dois interesses:

    o fornecedor recebe antes e melhora sua liquidez;

    a empresa compradora mantém o prazo comercial originalmente negociado.

    Essa combinação pode se tornar especialmente relevante em cadeias com grande quantidade de fornecedores ou nas quais o prazo médio de pagamento representa uma parte importante da estratégia financeira da empresa âncora.

    Risco da empresa âncora pode influenciar o custo da antecipação

    Uma das características mais relevantes do risco sacado está na análise de crédito da operação.

    Em linhas tradicionais, o fornecedor costuma contratar financiamento considerando principalmente seu próprio perfil de crédito.

    Em uma operação de risco sacado, o crédito da empresa compradora pode ter peso importante na precificação, já que é ela quem deverá liquidar o recebível no vencimento.

    Quando a empresa âncora apresenta menor risco de crédito do que seus fornecedores, isso pode permitir condições mais competitivas de antecipação.

    Para empresas pequenas e médias da cadeia, a diferença pode representar acesso a uma fonte de liquidez em condições distintas das linhas bancárias contratadas individualmente.

    FIDC de risco sacado e supply chain finance

    Essas estruturas fazem parte de um conceito mais amplo conhecido como supply chain finance, ou financiamento da cadeia de fornecedores.

    A ideia parte do princípio de que a situação financeira dos fornecedores também representa um risco para a própria empresa compradora.

    Um fornecedor com falta de capital pode reduzir produção, atrasar entregas, postergar investimentos ou, em casos extremos, interromper suas atividades.

    Para uma indústria ou grande companhia que depende desses insumos, o problema rapidamente deixa de ser apenas do fornecedor.

    Nesse contexto, o FIDC de risco sacado pode integrar uma estratégia de proteção da cadeia ao conectar mercado de capitais, antecipação de recebíveis e gestão financeira dos fornecedores.

    O objetivo não é apenas financiar uma venda, mas também criar uma estrutura capaz de sustentar a continuidade das relações comerciais.

    Por que o FIDC de risco sacado pode ganhar espaço com a reforma tributária?

    A reforma aumenta a necessidade de as empresas compreenderem com mais profundidade a relação entre tributos, pagamentos e capital de giro.

    O split payment é um exemplo dessa mudança. A LC 214 prevê a segregação e o recolhimento de IBS e CBS durante a liquidação financeira das operações abrangidas pelo mecanismo. A legislação também estabelece que, em pagamentos parcelados, essa segregação deverá ocorrer proporcionalmente às parcelas liquidadas.

    A própria lei determina ainda que a liquidação antecipada de recebíveis não elimina a obrigação de segregação e recolhimento do IBS e da CBS conforme as regras aplicáveis ao split payment.

    Para as empresas, isso reforça a necessidade de observar não apenas o prazo nominal de uma compra ou venda, mas todo o fluxo financeiro associado à transação.

    É nesse ambiente que soluções de antecipação e financiamento de fornecedores podem ganhar maior relevância estratégica.

    FIDCs podem conectar mercado de capitais e fornecedores

    O uso de FIDCs também permite que o financiamento da cadeia seja estruturado dentro do mercado de capitais.

    O fundo pode adquirir direitos creditórios originados por fornecedores de uma ou mais empresas, de acordo com sua política de investimento e estrutura operacional.

    A depender do modelo adotado, a operação pode envolver diferentes classes ou subclasses de cotas e mecanismos destinados à distribuição de riscos entre investidores.

    Em estruturas voltadas a uma empresa âncora específica, existe ainda a possibilidade de desenhar programas integrados aos processos de compras, confirmação de recebíveis e pagamentos.

    O resultado é uma estrutura mais ampla do que uma simples antecipação pontual.

    O FIDC de risco sacado pode fazer parte da arquitetura financeira da cadeia de fornecimento.

    O que CFOs e empresas precisam avaliar agora?

    O impacto da reforma será diferente para cada companhia.

    Empresas com poucos fornecedores, pagamentos rápidos e elevada liquidez podem enfrentar uma realidade diferente de organizações que trabalham com milhares de fornecedores e ciclos financeiros mais extensos.

    Por isso, o primeiro passo não deveria ser simplesmente contratar uma nova linha de financiamento, mas entender onde estão os possíveis descasamentos.

    Entre os pontos que merecem análise estão o prazo médio de pagamento dos fornecedores, o prazo médio de recebimento, a concentração dos principais fornecedores, o custo atual de antecipação, a exposição a fornecedores considerados estratégicos e a evolução da implementação do split payment.

    Outro ponto importante é aproximar áreas que muitas vezes analisam esses assuntos separadamente.

    Tributário, contabilidade, tesouraria, compras e planejamento financeiro precisam observar conjuntamente os impactos da reforma sobre o fluxo de caixa.

    Reforma tributária também exige planejamento financeiro

    A implementação do IBS e da CBS não deve ser tratada apenas como um projeto fiscal ou tecnológico.

    As novas regras podem alterar processos de pagamento, crédito tributário, gestão de fornecedores e planejamento financeiro.

    Para determinadas empresas, isso pode significar também revisar a forma como o capital de giro da cadeia é financiado.

    Nesse cenário, o FIDC de risco sacado tende a entrar com mais frequência nas discussões sobre antecipação de recebíveis, supply chain finance e crédito privado.

    A questão para as empresas passa a ser não apenas como cumprir as novas obrigações da reforma, mas também como estruturar uma cadeia capaz de manter liquidez durante a transição.

    Para o mercado de FIDCs, essa transformação pode ampliar a demanda por soluções que conectem capital de giro, fornecedores, recebíveis e mercado de capitais.

    A ContabilizaíBank é uma contabilidade especializada em mercado de capitais e crédito, trazendo informações sobre aquisições, investimentos, mudanças regulatórias e estratégias que impactam as empresas do setor.

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    Leia também o nosso conteúdo sobre Presença capta R$ 300 milhões via FIDC e projeta R$ 1 bilhão em crédito

    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Reforma Tributária pode pressionar capital de giro e ampliar espaço para FIDCs de risco sacado

    Reforma Tributária pode pressionar capital de giro e ampliar espaço para FIDCs de risco sacado

    A Reforma Tributária do Consumo pode provocar efeitos que vão além da área fiscal. Com a implementação do IBS e da CBS, empresas podem enfrentar uma nova pressão sobre o capital de giro, especialmente quando o aproveitamento de créditos tributários depender da extinção efetiva dos tributos na etapa anterior da cadeia.

    Esse cenário pode aumentar a necessidade de liquidez em empresas compradoras e fornecedores, abrindo espaço para estruturas de financiamento voltadas à cadeia produtiva, como os FIDCs de risco sacado.

    A mudança exige atenção porque altera a dinâmica entre pagamento, crédito tributário e fluxo de caixa.

    O que muda com IBS e CBS

    A Lei Complementar nº 214/2025 estruturou as regras do IBS e da CBS e estabeleceu diferentes formas de extinção dos débitos desses tributos, incluindo pagamento pelo contribuinte, compensação, split payment e recolhimento pelo adquirente.

    A mesma legislação vincula, em diversas hipóteses, a apropriação dos créditos de IBS e CBS à extinção dos débitos correspondentes. A própria lei também prevê uma exceção transitória enquanto determinadas modalidades, como split payment e recolhimento pelo adquirente, ainda não estiverem implementadas.

    Na prática, isso cria uma relação mais direta entre o pagamento do tributo na cadeia anterior e o momento em que o comprador pode utilizar o crédito.

    Por que isso pode afetar o capital de giro?

    Empresas de grande porte costumam negociar prazos longos com fornecedores.

    Nesse modelo, o comprador recebe o produto ou serviço hoje, mas pode pagar o fornecedor apenas 30, 60, 90 dias depois.

    Com a nova sistemática tributária, o timing do pagamento dos tributos pode passar a ter maior relevância para a utilização dos créditos de IBS e CBS.

    Se houver uma defasagem entre:

    • o momento em que a empresa precisa pagar seus próprios tributos;
    • o momento em que o fornecedor liquida sua obrigação fiscal;
    • e o momento em que o crédito pode ser apropriado;

    a companhia pode precisar utilizar mais caixa para sustentar a operação.

    É aí que surge uma possível elevação estrutural da necessidade de capital de giro.

    Reforma Tributária deixa de ser apenas uma pauta fiscal

    Para CFOs e gestores financeiros, esse é um ponto importante.

    A preparação para a Reforma Tributária não deve ficar limitada à atualização de ERP, emissão de documentos fiscais e parametrização de IBS e CBS.

    Também será necessário avaliar:

    • impacto no fluxo de caixa;
    • prazo médio de pagamento a fornecedores;
    • prazo médio de recebimento;
    • comportamento dos créditos tributários;
    • necessidade de financiamento da cadeia;
    • custo de capital.

    Isso aproxima a reforma de decisões financeiras estratégicas.

    Onde entram os FIDCs de risco sacado?

    Os FIDCs de risco sacado podem ganhar espaço justamente porque ajudam a antecipar recursos para fornecedores sem exigir que a empresa compradora reduza necessariamente seus prazos comerciais.

    Nesse tipo de estrutura, depois que o fornecedor entrega o produto ou serviço e o comprador reconhece a obrigação, o recebível pode ser cedido ao fundo.

    O fluxo funciona, de forma simplificada, assim:

    1. o fornecedor vende para a empresa compradora;
    2. o comprador confirma a obrigação;
    3. o fornecedor cede o recebível ao FIDC;
    4. o fundo antecipa o valor ao fornecedor;
    5. a empresa compradora paga o fundo no vencimento original.

    Com isso, o fornecedor recebe antes, enquanto a empresa âncora preserva o prazo negociado.

    Por que o risco sacado pode se tornar mais relevante?

    A principal vantagem está na precificação.

    Em estruturas de risco sacado, o risco de crédito considerado tende a estar mais relacionado à empresa compradora, ou empresa âncora, do que ao fornecedor isoladamente.

    Isso pode permitir condições financeiras mais favoráveis para fornecedores menores.

    Em um cenário em que a Reforma Tributária aumenta a importância do timing de liquidação dos tributos, acelerar a transformação do recebível em caixa pode ajudar a reduzir tensões financeiras ao longo da cadeia.

    Liquidez do fornecedor passa a ser ainda mais estratégica

    A pressão não está apenas no caixa da empresa compradora.

    Fornecedores também podem sentir os efeitos.

    Uma empresa com pouco capital de giro pode ter dificuldade para:

    • pagar tributos;
    • comprar matéria-prima;
    • manter estoque;
    • pagar funcionários;
    • cumprir contratos.

    Quando um fornecedor perde capacidade financeira, o risco deixa de ser individual.

    Ele pode afetar toda a cadeia produtiva.

    Por isso, programas de financiamento a fornecedores podem funcionar também como ferramenta de continuidade operacional.

    Empresa âncora pode participar da estrutura

    Em alguns modelos, a própria empresa compradora pode participar do FIDC.

    Uma estrutura possível é a empresa âncora deter cotas subordinadas, enquanto investidores subscrevem cotas seniores.

    As cotas subordinadas absorvem perdas antes das cotas seniores, funcionando como uma camada de proteção da estrutura.

    Isso pode reforçar o alinhamento entre:

    • empresa âncora;
    • fornecedores;
    • investidores;
    • gestor do fundo.

    Também pode sinalizar maior comprometimento da empresa compradora com a qualidade dos recebíveis e dos processos de confirmação.

    Split payment também entra nessa equação

    A própria Lei Complementar nº 214/2025 prevê o split payment, mecanismo em que o tributo pode ser segregado e recolhido durante a liquidação financeira da operação.

    A legislação também prevê o recolhimento pelo adquirente em determinadas situações, permitindo que o comprador recolha diretamente o tributo incidente sobre a operação.

    Esses mecanismos podem reduzir alguns descasamentos ao longo do tempo, mas sua implementação ocorre de forma gradual.

    Por isso, durante a transição, empresas podem conviver com diferentes modelos de liquidação e apropriação de créditos.

    Capital de giro pode virar tema central da transição

    O impacto da reforma não será igual para todas as empresas.

    Vai depender de fatores como:

    • setor;
    • tamanho da cadeia de fornecedores;
    • prazos comerciais;
    • margem operacional;
    • posição de caixa;
    • nível de endividamento;
    • velocidade de utilização dos créditos.

    Empresas com cadeias longas e prazos extensos podem sentir mais intensamente os efeitos financeiros.

    Por isso, simulações de capital de giro passam a ser uma etapa importante da preparação para 2027.

    O que CFOs e gestores devem monitorar

    A recomendação prática é antecipar os impactos.

    Entre os principais pontos estão:

    • quanto tempo a empresa levará para apropriar créditos de IBS e CBS;
    • quanto de caixa ficará temporariamente imobilizado;
    • quais fornecedores possuem maior risco de liquidez;
    • quais cadeias são críticas para a operação;
    • quais alternativas de financiamento podem ser utilizadas;
    • como FIDCs de risco sacado podem se encaixar na estrutura financeira.

    Essa análise pode ajudar a evitar que uma mudança tributária se transforme em problema operacional.

    Reforma Tributária pode acelerar novas estruturas de financiamento

    A Reforma Tributária cria uma nova relação entre tributação e liquidez.

    Com isso, estruturas de financiamento de cadeia podem ganhar mais relevância.

    Os FIDCs de risco sacado não eliminam todos os impactos da reforma, mas podem ajudar a distribuir melhor a necessidade de capital ao longo da cadeia.

    Ao antecipar recursos para fornecedores e preservar o prazo da empresa compradora, o modelo cria uma ponte entre liquidez, crédito e continuidade operacional.

    A ContabilizaíBank acompanha as mudanças da Reforma Tributária e os impactos sobre FIDCs, crédito estruturado e gestão financeira das empresas. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender como as novas regras podem afetar capital de giro, funding e estrutura financeira.

    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

    Continue lendo >>: Reforma Tributária pode pressionar capital de giro e ampliar espaço para FIDCs de risco sacado
  • Celcoin compra Vert e amplia atuação no mercado de capitais

    Celcoin compra Vert e amplia atuação no mercado de capitais

    A Celcoin anunciou a aquisição da Vert Capital, em uma operação que marca um novo passo na estratégia de expansão da fintech e amplia sua presença no mercado de capitais.

    Conhecida principalmente por sua atuação em banking as a service (BaaS), a Celcoin passa agora a incorporar ao seu ecossistema uma empresa com forte presença em securitização, administração de fundos e operações estruturadas.

    O valor da aquisição não foi divulgado, mas, segundo Marcelo França, fundador e CEO da Celcoin, esta é a oitava e maior aquisição já realizada pela companhia.

    Aquisição amplia o modelo de negócios da Celcoin

    A compra da Vert representa uma mudança importante na atuação da Celcoin.

    Até aqui, a empresa era reconhecida principalmente como fornecedora de infraestrutura tecnológica para instituições financeiras e fintechs.

    Com a aquisição, a companhia amplia sua atuação para outras etapas da cadeia financeira e passa a integrar, em um mesmo ecossistema, capacidades relacionadas a originação, funding e movimentação financeira.

    Segundo a Celcoin, a estratégia é manter as soluções de forma modular e independente, permitindo que cada cliente escolha quais partes da infraestrutura deseja utilizar.

    Celcoin vai investir R$ 500 milhões nos próximos três anos

    A aquisição também vem acompanhada de um novo plano de investimentos.

    A Celcoin informou que pretende investir R$ 500 milhões nos próximos três anos, sendo R$ 200 milhões destinados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologia.

    Os recursos devem ser direcionados à expansão das soluções, segurança, inovação e integração das operações.

    Com a incorporação da Vert, a expectativa da Celcoin é alcançar R$ 800 milhões em receita recorrente anualizada até o final de 2026.

    Vert já movimentou mais de R$ 142 bilhões em operações

    A Vert chega à Celcoin com uma atuação consolidada no mercado de capitais.

    Fundada há cerca de dez anos, a empresa já participou de emissões que somam mais de R$ 142 bilhões e administra aproximadamente R$ 97 bilhões em ativos.

    Ao longo de sua trajetória, participou de mais de 490 operações envolvendo diferentes instrumentos, como:

    • FIDCs;
    • Fiagros;
    • FIIs;
    • CRIs;
    • CRAs;
    • debêntures;
    • outros ativos estruturados.

    A empresa também ampliou sua atuação nos últimos anos para administração e gestão de fundos.

    DTVM da Vert ainda depende de aprovação do Banco Central

    Desde 2024, a Vert também atua como Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).

    Essa frente soma mais de R$ 16 bilhões sob administração em FIDCs.

    A aquisição da licença de DTVM pela Celcoin, no entanto, ainda depende da aprovação do Banco Central.

    Caso seja aprovada, a licença amplia o conjunto de atividades reguladas que a Celcoin poderá oferecer dentro de seu ecossistema.

    Celcoin também obteve licença de SCD

    A compra da Vert não é o único movimento recente da Celcoin para ampliar sua atuação.

    Em fevereiro, o Banco Central aprovou a aquisição da Via Capital, o que permitiu à fintech obter licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD).

    Com a possível incorporação da DTVM da Vert, a empresa pretende ampliar ainda mais seu portfólio.

    Segundo Marcelo França, a combinação das licenças permitirá à Celcoin oferecer uma estrutura mais completa aos clientes.

    Aquisição faz parte de estratégia de crescimento por M&A

    A Celcoin vem utilizando aquisições como parte importante de sua estratégia de crescimento.

    Em 2024, a fintech recebeu um aporte de R$ 650 milhões em uma rodada liderada pela Summit Partners.

    Segundo o CEO da empresa, parte relevante desse capital ainda permanece em caixa, o que mantém novas operações de fusões e aquisições no radar.

    A companhia afirma que continua analisando oportunidades que possam ampliar sua oferta de produtos e participação de mercado.

    Mercado de BaaS vive momento de consolidação

    A aquisição também acontece em um momento de transformação no segmento de banking as a service.

    Segundo França, muitos participantes do mercado tiveram dificuldades para ganhar escala, ao mesmo tempo em que a demanda por infraestrutura financeira continua crescendo.

    Nesse cenário, a Celcoin aposta na ampliação de seu ecossistema para oferecer uma estrutura mais abrangente aos clientes.

    A empresa afirma ter alcançado o breakeven em 2022 e vem registrando crescimento orgânico de faturamento próximo de 45% nos últimos anos.

    Vert vê espaço para crescer em fundos estruturados

    A Vert também enxerga novas oportunidades após a aquisição.

    Segundo Fernanda Mello, CEO da empresa, ainda existe espaço relevante para crescimento na área de serviços fiduciários e fundos.

    Apesar da forte atuação em FIDCs, a companhia avalia que a presença na indústria de fundos como um todo ainda pode avançar.

    A integração com a Celcoin pode acelerar esse processo por meio de maior capacidade de investimento em tecnologia, inovação e expansão comercial.

    Expansão internacional não é prioridade no momento

    A Celcoin já possui uma operação internacional.

    Em 2023, a empresa abriu um escritório no Chile, país que possui uma regulação de open finance semelhante à brasileira.

    Apesar disso, novas expansões internacionais não estão entre as prioridades atuais.

    Segundo a companhia, a demanda no mercado brasileiro segue forte o suficiente para concentrar os investimentos e esforços no país.

    IPO é visto como possibilidade futura

    A Celcoin também considera que uma oferta inicial de ações pode fazer parte de sua trajetória no futuro.

    A empresa tem entre seus investidores a Summit Partners e a Innova Capital.

    Apesar disso, Marcelo França afirma que um IPO não está nos planos de curto prazo.

    A prioridade, segundo ele, continua sendo execução, crescimento e expansão das operações.

    Operação marca nova fase da Celcoin

    A aquisição da Vert representa um dos movimentos mais importantes já realizados pela Celcoin.

    Ao incorporar uma empresa com experiência em mercado de capitais, fundos e operações estruturadas, a fintech amplia seu modelo de negócios e passa a atuar em uma faixa maior da infraestrutura financeira.

    O movimento também reforça a estratégia de crescimento da companhia por meio de aquisições, investimentos em tecnologia e ampliação das licenças regulatórias.

    Com R$ 500 milhões previstos em novos investimentos, a expectativa de R$ 800 milhões em receita recorrente anualizada até o fim de 2026 e possibilidade de novas aquisições, a Celcoin entra em uma nova etapa de expansão.

    A ContabilizaíBank é uma contabilidade especializada em mercado de capitais e crédito, trazendo informações sobre aquisições, investimentos, mudanças regulatórias e estratégias que impactam as empresas do setor.

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    Leia também o nosso conteúdo sobre Presença capta R$ 300 milhões via FIDC e projeta R$ 1 bilhão em crédito

    Autor

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

    Continue lendo >>: Celcoin compra Vert e amplia atuação no mercado de capitais
  • Presença capta R$ 300 milhões via FIDC e projeta R$ 1 bilhão em crédito

    Presença capta R$ 300 milhões via FIDC e projeta R$ 1 bilhão em crédito

    A fintech paulista Presença concluiu uma captação de R$ 300 milhões por meio da emissão de cotas em Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

    Os recursos serão destinados ao financiamento de operações de crédito, com foco no consignado privado e também em públicos atendidos pela empresa, como beneficiários do INSS, FGTS, SIAPE e convênios públicos.

    Com a nova estrutura de funding, a companhia projeta alcançar R$ 1 bilhão em desembolsos até o próximo ano.

    A estratégia também envolve investimentos em tecnologia e inteligência artificial para aumentar a eficiência operacional e fortalecer a atuação de correspondentes bancários e promotoras parceiras.

    FIDC amplia capacidade de funding da operação

    Os FIDCs são estruturas amplamente utilizadas no mercado de crédito para transformar direitos creditórios em ativos de investimento.

    Na prática, esse tipo de fundo pode funcionar como uma importante fonte de recursos para empresas que originam ou financiam operações de crédito.

    No caso da Presença, a captação de R$ 300 milhões amplia a capacidade da fintech de financiar novas operações e sustentar o crescimento da carteira.

    O movimento reforça a importância do funding estruturado em um mercado que exige cada vez mais escala, eficiência e controle de risco.

    Consignado privado está entre os focos da expansão

    Uma das principais frentes da empresa é o consignado privado, modalidade que ganhou espaço com a ampliação da digitalização das operações de crédito.

    A Presença avalia que o produto possui potencial relevante de crescimento, especialmente por combinar facilidade operacional, jornada digital e maior integração tecnológica.

    Além do consignado privado, a empresa também atua em produtos destinados a beneficiários do INSS, operações relacionadas ao FGTS, servidores atendidos pelo SIAPE e convênios públicos.

    A diversificação ajuda a ampliar a atuação da fintech em diferentes frentes do mercado de crédito consignado.

    Tecnologia e inteligência artificial entram na estratégia

    A expansão não está baseada apenas na disponibilidade de capital.

    Segundo a empresa, parte da estratégia também envolve o desenvolvimento de tecnologias voltadas à operação de correspondentes bancários.

    Entre os objetivos estão:

    • reduzir etapas nos processos;
    • aumentar a autonomia dos parceiros;
    • acelerar digitações e aprovações;
    • melhorar a eficiência das vendas;
    • apoiar a escalabilidade das operações.

    O uso de inteligência artificial pode contribuir para automatizar etapas, organizar fluxos e reduzir atividades manuais.

    Para os correspondentes bancários, esse tipo de avanço pode representar ganho de produtividade em um mercado cada vez mais competitivo.

    Corbans menores também entram no foco

    A Presença destaca ainda uma estratégia de proximidade com parceiros, incluindo correspondentes bancários de menor porte.

    A proposta é oferecer estrutura, tecnologia e relacionamento que permitam a esses parceiros aumentar sua capacidade de venda.

    Esse tipo de movimento pode ser relevante para o setor porque muitos corbans enfrentam dificuldades relacionadas a funding, tecnologia, acesso a produtos e eficiência operacional.

    Com plataformas mais estruturadas e processos mais automatizados, esses parceiros podem ganhar escala sem necessariamente aumentar a complexidade interna na mesma proporção.

    Mercado de consignado passa por mudanças

    O mercado de crédito consignado vem enfrentando alterações importantes.

    Mudanças nas regras do FGTS, por exemplo, reduziram significativamente as operações de antecipação do saque-aniversário, impactando parte relevante do mercado que atuava nesse produto.

    Ao mesmo tempo, o consignado privado passou a ganhar mais atenção como uma nova frente de crescimento.

    Esse cenário obriga empresas do setor a diversificar produtos, revisar estratégias e buscar novas fontes de funding.

    Crescimento exige controle de risco

    O avanço do mercado também ocorre em um ambiente de maior preocupação com inadimplência e qualidade da concessão.

    A própria Presença destaca uma postura mais conservadora na originação do crédito, defendendo crescimento acompanhado de segurança e qualidade das operações.

    Esse ponto ganha importância em um contexto no qual modelos de concessão mais agressivos podem aumentar o risco de inadimplência e comprometer a sustentabilidade das carteiras.

    Para operações de crédito estruturadas, crescer não significa apenas originar mais.

    Também é necessário manter:

    • critérios de análise adequados;
    • controle de inadimplência;
    • qualidade dos recebíveis;
    • eficiência operacional;
    • governança;
    • acompanhamento da carteira.

    Funding e back-office ganham importância

    A estratégia da Presença também reforça dois pontos cada vez mais relevantes para empresas de crédito: capacidade de funding e estrutura de back-office.

    O funding é o que permite ampliar o volume de concessão.

    Já o back-office sustenta a operação depois da venda, envolvendo processos como formalização, controle, conciliação, acompanhamento de carteira e gestão de riscos.

    Quanto maior o volume originado, maior também a necessidade de sistemas e processos capazes de suportar essa expansão.

    Por isso, a combinação entre capital, tecnologia e operação pode ser determinante para a sustentabilidade do crescimento.

    O que esse movimento representa para correspondentes bancários?

    Para os correspondentes bancários, operações como essa indicam uma possível ampliação da oferta de produtos e do volume disponível para originação.

    Mais funding pode significar mais capacidade de concessão por parte das instituições parceiras.

    Além disso, os investimentos em tecnologia podem trazer jornadas mais rápidas e simplificadas para os corbans.

    Por outro lado, a expansão também aumenta a necessidade de atenção à qualidade das vendas, documentação, conformidade e acompanhamento das regras de cada produto.

    O crescimento do consignado privado tende a exigir correspondentes cada vez mais preparados para operar de forma eficiente e segura.

    Leia também o nosso artigo sobre Nova regra do Pix amplia prazo para contestar devoluções do MED; entenda o que muda

    FIDCs continuam ganhando espaço no mercado de crédito

    A captação da Presença também reforça a importância dos FIDCs como instrumento de financiamento para empresas do mercado de crédito.

    Esses fundos permitem conectar investidores a carteiras de recebíveis, criando alternativas de funding fora das estruturas bancárias tradicionais.

    Para fintechs, financeiras, securitizadoras e empresas de crédito, esse modelo pode ser uma ferramenta importante para ampliar a capacidade de originação.

    Ao mesmo tempo, o crescimento dessas estruturas aumenta a necessidade de controles contábeis, financeiros e regulatórios adequados.

    Mercado caminha para mais tecnologia e estruturação

    O movimento da Presença reúne algumas das principais tendências atuais do mercado de crédito:

    funding estruturado, expansão do consignado privado, uso de inteligência artificial e fortalecimento dos correspondentes bancários.

    A expectativa é de que empresas capazes de combinar acesso a capital, tecnologia, controle de risco e uma rede eficiente de distribuição ganhem espaço nos próximos anos.

    Para correspondentes bancários e empresas do mercado financeiro, acompanhar essas mudanças será importante para identificar novas oportunidades e também para se adaptar a um ambiente cada vez mais tecnológico e estruturado.

    A ContabilizaíBank acompanha os principais movimentos do mercado de FIDCs, enquanto a Corbanzaí acompanha de perto as mudanças no crédito consignado, tecnologia e operação dos correspondentes bancários. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender as tendências, oportunidades e impactos que movimentam o setor de crédito.

    Autor:

    Mauro Morgan de Aguiar
    Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

    Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

    Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

    Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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  • Anbima prepara nova classificação para FIDCs com foco em transparência e avaliação de riscos

    Anbima prepara nova classificação para FIDCs com foco em transparência e avaliação de riscos

    A indústria de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) se aproxima da marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido e passa por uma nova etapa de amadurecimento.

    A Anbima está discutindo uma revisão do atual sistema de classificação dos FIDCs, criado há cerca de 15 anos, com o objetivo de tornar a identificação dos fundos mais clara e aderente à realidade atual do mercado.

    A iniciativa é conduzida por um grupo de trabalho da entidade e deverá ser levada posteriormente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    A proposta ganha relevância em um momento de expansão do setor, aumento da complexidade das estruturas e crescimento da participação de investidores pessoas físicas.

    Classificação atual já não representa toda a indústria

    O modelo atual de classificação dos FIDCs foi criado em 2010 e passou a vigorar no ano seguinte.

    Na época, os fundos foram divididos em quatro grandes grupos, considerando principalmente o setor de origem dos recebíveis:

    • Fomento Mercantil;
    • Financeiro;
    • Agro, Indústria e Comércio;
    • Outros.

    O problema é que o mercado mudou significativamente desde então.

    Hoje, os FIDCs podem reunir diferentes tipos de lastro, estruturas de crédito, classes e subclasses de cotas, níveis de subordinação, prazos de amortização e modelos de vencimento.

    Com isso, a categoria “Outros” passou a concentrar uma parcela relevante dos fundos que não se enquadram adequadamente nas classificações tradicionais.

    Essa concentração indica que a régua criada no início da década passada já não consegue retratar com precisão a diversidade atual da indústria.

    FIDCs ficaram mais complexos ao longo dos anos

    A evolução dos FIDCs não ocorreu apenas em volume.

    As próprias estruturas dos fundos se tornaram mais sofisticadas.

    Desde a regulamentação dos FIDCs no Brasil, as operações passaram a trabalhar com diferentes níveis de prioridade entre os investidores, especialmente por meio das cotas:

    • sênior;
    • mezanino;
    • subordinada.

    Esses níveis de subordinação ajudam a definir quem tem prioridade de recebimento em situações de inadimplência ou liquidação dos ativos.

    Na prática, quanto maior a subordinação de uma cota, maior tende a ser sua exposição a perdas antes que determinados investidores sejam afetados.

    Ao longo do tempo, porém, os FIDCs passaram a incorporar estruturas ainda mais variadas, com múltiplas classes e subclasses, diferentes tipos de recebíveis e diferentes cronogramas de amortização.

    Por isso, uma classificação baseada apenas no setor de origem dos créditos pode ser insuficiente para explicar o risco e a estrutura de determinados fundos.

    Nova régua busca facilitar a compreensão dos riscos

    O objetivo do trabalho conduzido pela Anbima é construir uma classificação mais ampla e transparente.

    A intenção é permitir que investidores compreendam com mais facilidade não apenas de onde vêm os recebíveis do fundo, mas também quais características estruturais influenciam seu risco.

    Essa mudança pode ganhar ainda mais importância com a ampliação da base de investidores.

    A participação de pessoas físicas nos FIDCs aumentou de forma significativa nos últimos anos, inclusive por meio de fundos que investem em cotas de diferentes FIDCs.

    Quanto mais o mercado se amplia para além dos investidores institucionais, maior tende a ser a necessidade de padronização e simplificação das informações.

    Resolução CVM 175 ajudou a ampliar o acesso aos FIDCs

    Outro ponto importante para a expansão da indústria foi a implementação da Resolução CVM 175.

    O novo marco regulatório dos fundos de investimento trouxe mudanças relevantes para a estrutura e funcionamento dos FIDCs e contribuiu para ampliar o acesso de diferentes perfis de investidores a essa classe de ativos.

    Esse movimento ajudou a aproximar os FIDCs de uma base maior de investidores, aumentando também a necessidade de informações mais claras sobre estrutura, risco, composição e características dos fundos.

    A nova classificação discutida pela Anbima surge, portanto, em um cenário no qual os FIDCs deixaram de ser uma alternativa restrita a um universo pequeno de investidores especializados.

    Questões tributárias também aumentaram o interesse pelos FIDCs

    Além da evolução regulatória, mudanças tributárias também contribuíram para aumentar o interesse por FIDCs.

    A Lei nº 14.754/2023 alterou a tributação de determinados fundos de investimento, incluindo a aplicação do chamado come-cotas em estruturas que anteriormente não estavam sujeitas ao recolhimento semestral antecipado.

    Os FIDCs, entretanto, podem manter tratamento diferenciado quando atendem aos requisitos legais relacionados à composição de sua carteira em direitos creditórios.

    Esse fator fez com que algumas estruturas de investimento passassem a avaliar os FIDCs como alternativa dentro de suas estratégias de alocação.

    A combinação entre aspectos tributários, maior acesso ao mercado e expansão da oferta contribuiu para reforçar o crescimento da indústria.

    Crescimento exige maior transparência

    A revisão da classificação acontece justamente em um momento no qual o mercado se torna maior e mais diversificado.

    Para investidores institucionais, que normalmente contam com equipes próprias de análise e processos detalhados de due diligence, a classificação da Anbima pode ter um peso menor na decisão de investimento.

    Já para investidores não institucionais, uma padronização mais clara pode facilitar a comparação entre fundos e a compreensão dos riscos envolvidos.

    Isso é especialmente relevante em um mercado no qual dois FIDCs podem ter características bastante distintas mesmo quando pertencem ao mesmo grupo de classificação.

    A origem dos recebíveis é apenas uma das variáveis.

    Também precisam ser avaliados fatores como:

    • qualidade dos créditos;
    • perfil dos devedores;
    • concentração da carteira;
    • níveis de subordinação;
    • garantias;
    • prazo dos ativos;
    • estrutura das cotas;
    • política de amortização;
    • mecanismos de proteção;
    • gestão e monitoramento do fundo.

    O que pode mudar na prática?

    A nova classificação ainda está em discussão, portanto não há uma definição final sobre quais categorias ou critérios serão adotados.

    A tendência, entretanto, é que o novo modelo tente representar melhor a diversidade da indústria e ofereça uma leitura mais precisa sobre os diferentes tipos de FIDC existentes no mercado.

    Isso pode facilitar a comparação entre produtos e melhorar a comunicação de risco para investidores.

    Ao mesmo tempo, a implementação de uma nova metodologia também deverá considerar a complexidade operacional do setor.

    Criar uma classificação ampla o suficiente para representar fundos muito diferentes entre si, mas simples o bastante para ser compreendida pelo mercado, será um dos principais desafios do processo.

    FIDCs caminham para uma nova fase de maturidade

    A discussão conduzida pela Anbima mostra que o crescimento da indústria de FIDCs vem acompanhado de uma demanda maior por transparência, padronização e qualidade das informações.

    Com o patrimônio do setor próximo de R$ 1 trilhão e uma base de investidores em expansão, a forma como os fundos são apresentados e classificados passa a ter papel cada vez mais relevante.

    Uma nova régua pode ajudar investidores a compreender melhor as características de cada estrutura e permitir comparações mais consistentes dentro de uma indústria que se tornou significativamente mais sofisticada nos últimos anos.

    Para gestores, administradores, investidores e empresas que utilizam estruturas de crédito por meio de FIDCs, acompanhar a evolução dessa discussão será fundamental.

    A ContabilizaíBank acompanha as principais mudanças regulatórias, tributárias e financeiras que impactam o mercado de fundos estruturados e crédito. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender as transformações da indústria de FIDCs e seus efeitos no mercado financeiro.

    Continue lendo >>: Anbima prepara nova classificação para FIDCs com foco em transparência e avaliação de riscos