O Crédito consignado CLT vive a maior alta desde a criação do programa. Desde março, quando entrou em vigor pelo governo, a modalidade triplicou em volume de concessões e passou a movimentar milhares de contratações por mês. Ao mesmo tempo, os juros médios subiram rapidamente e já se aproximam de 58,4% ao ano, segundo dados do Banco Central.
Neste artigo, você vai entender o que está por trás desse crescimento, por que os juros aumentaram e quais são os riscos para os trabalhadores, principalmente aqueles que contratam crédito sem avaliar o impacto no holerite.
Explosão das concessões de crédito consignado CLT
O programa Crédito ao Trabalhador simplificou totalmente a forma de contratar empréstimos com desconto em folha. Antes, as empresas precisavam ter convênio com um banco; agora, o trabalhador solicita tudo pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, e a empresa só é notificada quando a parcela chega para desconto.
Essa facilidade levou a um salto histórico:
- Março/2025: 2.250 concessões
- Setembro/2025: 6.399 concessões
Alta de 184% em apenas 7 meses.
A base de concessões, que girava em torno de 1.500 contratos mensais em 2023 e 2024, praticamente quadruplicou em 2025.
Especialistas avaliam que o governo apenas “destravou” uma demanda que já existia, tornando o acesso mais rápido e menos burocrático. Isso aumentou significativamente o número de tomadores e, por consequência, reduziu artificialmente a inadimplência, já que há mais novos contratos entrando na base.
Juros sobem mesmo com maior demanda
Apesar da garantia de pagamento em folha, os juros do Crédito consignado CLT subiram de forma expressiva:
- Março: 44% ao ano
- Setembro: 58,4% ao ano
Aumento de 14,4 pontos percentuais em pouco tempo.
O BC também mostra que as taxas variam muito entre as instituições:
- Menores taxas: 19,10% ao ano
- Maiores taxas: até 185% ao ano
Comparativo com outras modalidades:
- Consignado INSS: 24% ao ano
- Consignado servidores públicos: 24,4%
- Crédito pessoal não consignado: 101,2%
- Cheque especial: 141%
Ou seja: o consignado CLT é mais barato que o crédito comum, mas muito mais caro que outras categorias de consignado.
Por que os juros são tão altos no consignado CLT?
Mesmo com garantia de desconto em folha, os bancos consideram o trabalhador do setor privado mais arriscado que servidores e aposentados, que possuem estabilidade ou renda fixa garantida.
Além disso, o FGTS entra automaticamente como garantia. Em caso de demissão:
- O fundo é usado para quitar parte da dívida;
- Se não cobrir tudo, a dívida segue para a próxima contratação CLT, com juros e correção.
Isso coloca o trabalhador em situação frágil: perde sua reserva de segurança e continua devendo.
Riscos do crédito fácil
Pesquisas mostram que grande parte dos tomadores não tem clareza sobre o que está contratando:
- 69% não calcularam o impacto da parcela no orçamento
- 83% não sabiam quanto pagariam de juros
- 47% desconheciam o uso do FGTS como garantia
Com o limite de até 35% do salário para desconto, muitos trabalhadores podem receber bem menos no fim do mês, somando IR, Previdência e outras retenções. Trabalhadores com renda variável, como MEIs e motoristas de aplicativo, ficam ainda mais expostos.
Para que os trabalhadores usam o consignado CLT?
Os principais motivos de contratação são:
- 36% — pagar dívidas caras (como rotativo do cartão)
- 29% — despesas de saúde
- 26% — reformas
- 19% — compras de eletrodomésticos ou veículos
Embora pareça vantajoso trocar dívidas caras por juros menores, especialistas alertam: o consignado não entra na Lei do Superendividamento, ou seja, não pode ser renegociado como cartão ou cheque especial.
Como avaliar se o crédito consignado CLT vale a pena
Antes de contratar, o trabalhador deve:
1. Mapear suas despesas fixas e variáveis
Some aluguel, alimentação, transporte, saúde, escola e demais custos. Isso dá clareza do quanto cabe no orçamento.
2. Calcular o impacto da parcela no salário líquido
Se comprometer mais que 20% da renda, o risco de aperto financeiro aumenta muito.
3. Considerar o prazo médio das operações
O prazo médio do consignado CLT no setor privado é de 34,4 meses. Ou seja, quase 3 anos de salário reduzido.
4. Avaliar alternativas mais seguras
Muitas vezes, renegociar dívidas caras pode gerar descontos expressivos e ser mais saudável do que trocar uma dívida por outra não renegociável.
Conclusão: crédito consignado CLT exige planejamento e orientação
O Crédito consignado CLT pode ser útil, especialmente para quem precisa substituir dívidas muito caras. Porém, o crescimento acelerado das concessões, somado ao aumento constante dos juros, mostra que muitos trabalhadores estão contratando crédito sem entender o impacto no orçamento.
Como o desconto é automático e o FGTS entra como garantia, a falta de planejamento pode levar ao superendividamento, e o trabalhador perde não apenas renda, mas proteção financeira.
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