Sede do Grupo Euro17 no Rio de Janeiro em preto e branco, com detalhes em azul, em notícia sobre atrasos da Euro Securitizadora.

Euro Securitizadora atrasa pagamentos e enfrenta ações na Justiça

A Euro Securitizadora passou a enfrentar cobranças judiciais após atrasar pagamentos de debêntures adquiridas por investidores pessoas físicas. Segundo reportagem publicada pelo NeoFeed em 12 de agosto de 2026, parte dos investidores deixou de receber os valores previstos desde junho.

A companhia, ligada ao Grupo Euro17, cresceu por meio da emissão de debêntures privadas comercializadas diretamente a investidores. Os títulos ofereciam retornos que chegavam a 19% ao ano, enquanto o último relatório disponível da empresa, referente a dezembro de 2024, apontava um passivo de R$ 741 milhões.

Euro Securitizadora acumula atrasos desde junho

Os primeiros problemas relatados por investidores começaram com vencimentos previstos para 1º de junho. Desde então, diferentes credores passaram a buscar o Judiciário para tentar recuperar os valores investidos.

Em um dos processos, a 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem do Foro Central de São Paulo determinou o bloqueio de ativos financeiros da Euro Securitizadora antes mesmo da citação da companhia.

Em manifestação posterior, a empresa afirmou que o bloqueio impactava diretamente suas atividades operacionais e solicitou acesso urgente aos autos.

Outros pedidos semelhantes, entretanto, tiveram resultados diferentes. Segundo a reportagem, decisões de outras varas negaram bloqueios antecipados por entenderem que o simples inadimplemento não seria suficiente para comprovar risco de dissipação patrimonial.

Debêntures prometiam retorno de até 19% ao ano

A captação de recursos da Euro Securitizadora ocorreu principalmente por meio de debêntures privadas.

A companhia começou a emitir os papéis em 2018, inicialmente com uma operação de R$ 10 milhões. Nos anos seguintes, o programa foi ampliado.

Uma segunda escritura aprovada em 2021 previa até 18 séries e limite de R$ 100 milhões. Posteriormente, uma nova escritura, realizada em julho de 2024, ampliou novamente a capacidade de emissão da companhia.

Os títulos tinham prazos entre 12 e 24 meses e ofereciam juros fixos entre aproximadamente 1,4% e 1,5% ao mês, com pagamento do principal e dos rendimentos no vencimento.

Ao fim de 2024, o passivo total reportado pela securitizadora já alcançava R$ 741 milhões.

Captação era feita diretamente com pessoas físicas

Um dos pontos que chama atenção no caso é a forma como a Euro Securitizadora ampliou sua base de investidores.

Segundo a apuração do NeoFeed, a empresa não dependia apenas de plataformas tradicionais de investimentos para distribuir seus títulos. A companhia teria construído uma estrutura comercial própria voltada à prospecção de clientes e investidores.

Mais de 4,2 mil investidores teriam aplicado recursos nas debêntures da companhia.

A dimensão da operação levanta discussões sobre a fronteira entre uma colocação privada de valores mobiliários e uma distribuição pública.

A Resolução CVM 160 estabelece as regras aplicáveis às ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários no Brasil. A caracterização de uma oferta e os procedimentos exigidos dependem da forma de distribuição e das características da operação.

Euro Securitizadora e Euro17 SCD são empresas diferentes

Outro ponto relevante para compreender o caso está na estrutura societária do Grupo Euro17.

A Euro Securitizadora integra um grupo que também possui negócios ligados a crédito, seguros, consórcios e outras atividades financeiras. Entre essas empresas está uma Sociedade de Crédito Direto (SCD).

No entanto, uma securitizadora e uma SCD possuem naturezas regulatórias diferentes.

As sociedades de crédito direto dependem de autorização do Banco Central para funcionar. A regulamentação do Conselho Monetário Nacional estabelece expressamente essa exigência.

Assim, o investidor que comprava uma debênture da Euro Securitizadora não estava aplicando recursos diretamente na instituição financeira regulada pelo Banco Central, mas adquirindo um título de dívida emitido pela própria securitizadora.

Qual era a lógica financeira da operação?

A estratégia da companhia utilizava os recursos captados nas debêntures para financiar operações de crédito.

De acordo com os documentos citados na reportagem, a Euro informava taxas de aproximadamente 4,5% ao mês em operações para empresas, enquanto determinadas operações destinadas a pessoas físicas podiam alcançar taxas consideravelmente superiores.

A diferença entre o custo de captação das debêntures e os juros cobrados dos clientes formava parte importante da lógica econômica da operação.

Entretanto, a qualidade da carteira passou a ser um ponto de atenção.

Inadimplência da carteira chegou a 37,8%

Segundo o relatório da companhia com data-base de dezembro de 2024, a inadimplência da carteira de crédito pessoal atingiu 37,8%.

Apenas 33,6% dos contratos estavam classificados como em dia, enquanto os demais apresentavam algum grau de atraso ou já haviam sido negativados.

Esse cenário aumenta a pressão sobre o fluxo de caixa de uma operação cujo pagamento aos investidores depende da capacidade de geração e recuperação dos créditos originados.

Debêntures expunham investidores ao risco da securitizadora

Outro aspecto destacado no caso é a própria estrutura dos títulos emitidos.

As debêntures eram subordinadas e não contavam com garantia real. Também não havia, segundo a reportagem, um agente fiduciário independente atuando em nome dos investidores.

Além disso, a carteira não estava segregada dentro de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Na prática, isso significa que o investidor assumia diretamente o risco de crédito da Euro Securitizadora, e não apenas o desempenho de uma carteira de recebíveis segregada em outro veículo.

Por que a subordinação importa?

Debêntures subordinadas ocupam uma posição inferior na ordem de pagamento dos credores em um eventual cenário de insolvência.

Isso significa que seus detentores podem ficar atrás de outros credores com prioridade maior sobre os ativos da companhia.

O caso reforça a importância de avaliar não apenas a rentabilidade oferecida por um título de renda fixa, mas também sua estrutura jurídica, garantias, emissor e posição do investidor na hierarquia de credores.

Casos como o da Euro reforçam importância da estrutura operacional

A situação da Euro Securitizadora coloca em evidência diferentes aspectos relacionados à atuação de empresas no mercado de capitais e crédito.

Entre eles estão:

  • controle e acompanhamento da carteira de crédito;
  • gestão de inadimplência;
  • planejamento de fluxo de caixa;
  • estruturação adequada das emissões;
  • segregação e controle das operações;
  • governança e transparência com investidores;
  • adequação contábil, fiscal e regulatória.

Para securitizadoras e outras empresas que utilizam instrumentos do mercado de capitais para financiar suas operações, o crescimento da captação precisa ser acompanhado por controles compatíveis com a complexidade e o tamanho do negócio.

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consulte a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por fiscalizar, normatizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários brasileiro.

Euro afirma que mantém operações e prepara reestruturação

Após a publicação da reportagem, a Euro Securitizadora afirmou que permanece em operação e que está sendo assessorada na adoção de medidas administrativas, negociais e judiciais.

A empresa também contestou conclusões relacionadas às informações apresentadas e declarou que questões envolvendo investidores, credores e processos judiciais estão sendo tratadas pelos canais oficiais.

Segundo a companhia, a reestruturação planejada deve priorizar os interesses dos investidores, que serão comunicados sobre os próximos passos.

O que o caso da Euro Securitizadora mostra ao mercado?

O atraso nos pagamentos da Euro Securitizadora e o avanço das disputas judiciais evidenciam os riscos associados a estruturas de captação que podem parecer semelhantes a produtos tradicionais de renda fixa, mas possuem características jurídicas e financeiras bastante diferentes.

O caso também reforça a importância de compreender quem é o emissor do título, qual é a estrutura da operação, quais garantias existem e como os recursos captados estão sendo utilizados.

Para empresas do setor, governança, controles internos, acompanhamento contábil e gestão de riscos tornam-se ainda mais relevantes à medida que as operações crescem.

A ContabilizaíBank atua com contabilidade especializada para empresas do mercado de capitais e crédito, incluindo securitizadoras e outras estruturas do setor financeiro.

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