Celcoin compra Vert e amplia atuação no mercado de capitais
A Celcoin anunciou a aquisição da Vert Capital, em uma operação que marca um novo passo na estratégia de expansão da fintech e amplia sua presença no mercado de capitais.
Conhecida principalmente por sua atuação em banking as a service (BaaS), a Celcoin passa agora a incorporar ao seu ecossistema uma empresa com forte presença em securitização, administração de fundos e operações estruturadas.
O valor da aquisição não foi divulgado, mas, segundo Marcelo França, fundador e CEO da Celcoin, esta é a oitava e maior aquisição já realizada pela companhia.
Aquisição amplia o modelo de negócios da Celcoin
A compra da Vert representa uma mudança importante na atuação da Celcoin.
Até aqui, a empresa era reconhecida principalmente como fornecedora de infraestrutura tecnológica para instituições financeiras e fintechs.
Com a aquisição, a companhia amplia sua atuação para outras etapas da cadeia financeira e passa a integrar, em um mesmo ecossistema, capacidades relacionadas a originação, funding e movimentação financeira.
Segundo a Celcoin, a estratégia é manter as soluções de forma modular e independente, permitindo que cada cliente escolha quais partes da infraestrutura deseja utilizar.
Celcoin vai investir R$ 500 milhões nos próximos três anos
A aquisição também vem acompanhada de um novo plano de investimentos.
A Celcoin informou que pretende investir R$ 500 milhões nos próximos três anos, sendo R$ 200 milhões destinados exclusivamente ao desenvolvimento de tecnologia.
Os recursos devem ser direcionados à expansão das soluções, segurança, inovação e integração das operações.
Com a incorporação da Vert, a expectativa da Celcoin é alcançar R$ 800 milhões em receita recorrente anualizada até o final de 2026.
Vert já movimentou mais de R$ 142 bilhões em operações
A Vert chega à Celcoin com uma atuação consolidada no mercado de capitais.
Fundada há cerca de dez anos, a empresa já participou de emissões que somam mais de R$ 142 bilhões e administra aproximadamente R$ 97 bilhões em ativos.
Ao longo de sua trajetória, participou de mais de 490 operações envolvendo diferentes instrumentos, como:
- FIDCs;
- Fiagros;
- FIIs;
- CRIs;
- CRAs;
- debêntures;
- outros ativos estruturados.
A empresa também ampliou sua atuação nos últimos anos para administração e gestão de fundos.
DTVM da Vert ainda depende de aprovação do Banco Central
Desde 2024, a Vert também atua como Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM).
Essa frente soma mais de R$ 16 bilhões sob administração em FIDCs.
A aquisição da licença de DTVM pela Celcoin, no entanto, ainda depende da aprovação do Banco Central.
Caso seja aprovada, a licença amplia o conjunto de atividades reguladas que a Celcoin poderá oferecer dentro de seu ecossistema.
Celcoin também obteve licença de SCD
A compra da Vert não é o único movimento recente da Celcoin para ampliar sua atuação.
Em fevereiro, o Banco Central aprovou a aquisição da Via Capital, o que permitiu à fintech obter licença de Sociedade de Crédito Direto (SCD).
Com a possível incorporação da DTVM da Vert, a empresa pretende ampliar ainda mais seu portfólio.
Segundo Marcelo França, a combinação das licenças permitirá à Celcoin oferecer uma estrutura mais completa aos clientes.
Aquisição faz parte de estratégia de crescimento por M&A
A Celcoin vem utilizando aquisições como parte importante de sua estratégia de crescimento.
Em 2024, a fintech recebeu um aporte de R$ 650 milhões em uma rodada liderada pela Summit Partners.
Segundo o CEO da empresa, parte relevante desse capital ainda permanece em caixa, o que mantém novas operações de fusões e aquisições no radar.
A companhia afirma que continua analisando oportunidades que possam ampliar sua oferta de produtos e participação de mercado.
Mercado de BaaS vive momento de consolidação
A aquisição também acontece em um momento de transformação no segmento de banking as a service.
Segundo França, muitos participantes do mercado tiveram dificuldades para ganhar escala, ao mesmo tempo em que a demanda por infraestrutura financeira continua crescendo.
Nesse cenário, a Celcoin aposta na ampliação de seu ecossistema para oferecer uma estrutura mais abrangente aos clientes.
A empresa afirma ter alcançado o breakeven em 2022 e vem registrando crescimento orgânico de faturamento próximo de 45% nos últimos anos.
Vert vê espaço para crescer em fundos estruturados
A Vert também enxerga novas oportunidades após a aquisição.
Segundo Fernanda Mello, CEO da empresa, ainda existe espaço relevante para crescimento na área de serviços fiduciários e fundos.
Apesar da forte atuação em FIDCs, a companhia avalia que a presença na indústria de fundos como um todo ainda pode avançar.
A integração com a Celcoin pode acelerar esse processo por meio de maior capacidade de investimento em tecnologia, inovação e expansão comercial.
Expansão internacional não é prioridade no momento
A Celcoin já possui uma operação internacional.
Em 2023, a empresa abriu um escritório no Chile, país que possui uma regulação de open finance semelhante à brasileira.
Apesar disso, novas expansões internacionais não estão entre as prioridades atuais.
Segundo a companhia, a demanda no mercado brasileiro segue forte o suficiente para concentrar os investimentos e esforços no país.
IPO é visto como possibilidade futura
A Celcoin também considera que uma oferta inicial de ações pode fazer parte de sua trajetória no futuro.
A empresa tem entre seus investidores a Summit Partners e a Innova Capital.
Apesar disso, Marcelo França afirma que um IPO não está nos planos de curto prazo.
A prioridade, segundo ele, continua sendo execução, crescimento e expansão das operações.
Operação marca nova fase da Celcoin
A aquisição da Vert representa um dos movimentos mais importantes já realizados pela Celcoin.
Ao incorporar uma empresa com experiência em mercado de capitais, fundos e operações estruturadas, a fintech amplia seu modelo de negócios e passa a atuar em uma faixa maior da infraestrutura financeira.
O movimento também reforça a estratégia de crescimento da companhia por meio de aquisições, investimentos em tecnologia e ampliação das licenças regulatórias.
Com R$ 500 milhões previstos em novos investimentos, a expectativa de R$ 800 milhões em receita recorrente anualizada até o fim de 2026 e possibilidade de novas aquisições, a Celcoin entra em uma nova etapa de expansão.
A ContabilizaíBank é uma contabilidade especializada em mercado de capitais e crédito, trazendo informações sobre aquisições, investimentos, mudanças regulatórias e estratégias que impactam as empresas do setor.
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Autor
Mauro Morgan de Aguiar
Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:
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Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.
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