A notícia de que o Itaú encerra contas de CRI ligadas a operações da securitizadora Base chamou a atenção do mercado de capitais brasileiro. A decisão ocorreu em meio aos desdobramentos da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo instituições e executivos do setor.
Segundo informações divulgadas ao mercado, a medida levou ao encerramento de contas bancárias utilizadas na administração do fluxo financeiro de diversas operações de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). O episódio reacendeu discussões sobre compliance, governança e gestão de riscos nas estruturas de securitização.
Por que o Itaú encerra contas de CRI da securitizadora Base
A securitizadora Base comunicou investidores de 19 operações de CRI que o Itaú decidiu encerrar as contas bancárias vinculadas às emissões.
Essas contas eram utilizadas principalmente para administrar o fluxo financeiro das operações estruturadas. Entre os tipos de contas afetadas estão:
- contas centralizadoras, utilizadas para concentrar os fluxos financeiros das operações;
- contas arrecadadoras, responsáveis por receber os pagamentos vinculados aos recebíveis das emissões.
Além do encerramento das contas, o banco também notificou a renúncia à prestação de serviços de escrituração em parte das operações.
Relação com a Operação Compliance Zero
A decisão ocorreu após nomes ligados à securitizadora aparecerem entre os alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Entre os investigados está Cesar Reginato Ligeiro, fundador da Base. Em nota, ele afirmou que não integra o quadro societário e administrativo da empresa desde 2022.
Outro nome citado na investigação é Ricardo Batista de Siqueira Xavier, que aparece como diretor-presidente da securitizadora em documentos de emissões realizadas em 2024.
O caso também envolve investigações relacionadas ao Banco Master, o que ampliou a repercussão do episódio no mercado financeiro.
Impacto para investidores das operações de CRI
Apesar do fato de que o Itaú encerra contas de CRI vinculadas à securitizadora Base, a empresa informou que tomou medidas para garantir a continuidade das operações.
De acordo com comunicado enviado aos investidores:
- novas contas bancárias foram abertas para as emissões;
- foram mantidos os critérios de segregação patrimonial;
- não houve alteração nas condições financeiras das operações.
A securitizadora também afirmou que a substituição das contas não altera:
- garantias das operações;
- remuneração dos títulos;
- fluxo de pagamentos;
- direitos dos investidores.
O papel dos agentes fiduciários nas emissões
Entre os 19 CRIs afetados pela decisão do banco, seis contam com a Reag como agente fiduciário, enquanto a Qore exerce essa função nas demais operações.
O agente fiduciário possui um papel essencial nas estruturas de securitização. Entre suas principais responsabilidades estão:
- representar os interesses dos investidores;
- acompanhar o cumprimento das obrigações previstas nos documentos da emissão;
- monitorar garantias e fluxos financeiros das operações.
Em nota, a Qore informou que a eventual substituição de prestadores de serviços operacionais não impacta suas atribuições na representação dos investidores.
Compliance e governança no mercado de securitização
O episódio em que o Itaú encerra contas de CRI reforça a importância de políticas robustas de compliance no mercado de capitais.
Instituições financeiras realizam revisões periódicas de suas relações comerciais para garantir aderência às normas regulatórias e às políticas internas de gestão de risco.
Essas avaliações normalmente incluem:
- análise de riscos reputacionais;
- monitoramento de investigações regulatórias;
- verificação de práticas de governança corporativa.
Para entender melhor como funcionam os Certificados de Recebíveis Imobiliários, é possível consultar os materiais educativos da CVM.
Leia também: CRI de R$ 330 milhões e a polêmica envolvendo Ronaldinho Gaúcho
Conclusão
O caso em que o Itaú encerra contas de CRI ligadas à securitizadora Base evidencia como questões de compliance podem impactar estruturas financeiras no mercado de capitais.
Apesar do encerramento das contas bancárias, as operações continuam em andamento, com novas instituições assumindo os serviços necessários para garantir a continuidade das emissões.
Para empresas que atuam com securitização, FIDCs ou operações estruturadas, manter uma estrutura sólida de governança e contabilidade especializada é essencial para garantir segurança jurídica e transparência nas operações.
A Contabilizaí Bank é uma empresa de contabilidade especilizada em atividades financeiras, como Securitizadoras, Factorings e ESC.
Continue acompanhando nosso blog para conteúdos atualizados.





