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  • Captação de FIDCs cresce e Solis levanta R$ 1,4 bi

    Captação de FIDCs cresce e Solis levanta R$ 1,4 bi

    A captação de FIDCs foi um dos destaques da indústria de fundos em 2025. A Solis Investimentos encerrou o ano com captação líquida de R$ 1,39 bilhão, reforçando o amadurecimento do mercado de fundos de investimento em direitos creditórios.

    O movimento acompanha o desempenho geral do setor. Segundo dados da Anbima, a captação líquida total dos FIDCs atingiu R$ 57,6 bilhões em 2025, consolidando o segmento como uma das principais alternativas de crédito privado no país.

    Neste artigo, analisamos o que explica esse crescimento e quais as perspectivas para 2026.

    Captação de FIDCs acompanha amadurecimento do mercado

    A captação de FIDCs reflete um cenário de maior sofisticação do crédito privado no Brasil. Em um ambiente de juros elevados e crédito bancário mais restritivo, empresas passaram a buscar alternativas estruturadas de funding.

    Os FIDCs se destacam por:

    • Permitir antecipação de recebíveis
    • Estruturar operações com diferentes níveis de risco
    • Oferecer diversificação de lastros
    • Atrair investidores em busca de rentabilidade atrelada ao CDI

    Esse conjunto fortalece o papel dos FIDCs como instrumento relevante de financiamento corporativo.

    Destaques da Solis em 2025

    Entre os FIDCs da Solis, dois fundos chamaram atenção em 2025, tanto por captação quanto por desempenho relativo ao CDI.

    Solis Pioneiro

    • Fundo voltado ao varejo, segundo a gestora
    • Captação líquida superior a R$ 500 milhões no ano
    • Rentabilidade de 110,55% do CDI
    • Crescimento expressivo no número de cotistas

    Solis Capital Antares

    • Retorno de 114,96% do CDI
    • Foco em estruturação e originação de operações

    Com R$ 28 bilhões sob gestão, a Solis consolidou sua posição no mercado. Em novembro de 2025, a Patria Investimentos comprou 51% da gestora.

    Por que a captação de FIDCs cresceu mesmo com juros altos?

    Ao contrário do que muitos esperavam, o ambiente de juros elevados não prejudicou a captação de FIDCs. Pelo contrário: com o crédito bancário mais restritivo, empresas buscaram FIDCs como alternativa de funding estruturado.

    Entre os fatores que impulsionaram o crescimento:

    • Maior diversificação de ativos-lastros
    • Busca por rentabilidade superior ao CDI
    • Estruturação sob medida para empresas
    • Expansão do mercado de crédito privado

    Dados oficiais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) confirmam a força do segmento: https://www.anbima.com.br

    O papel dos FIDCs no financiamento corporativo

    Os FIDCs são instrumentos utilizados para financiar empresas por meio da cessão de direitos creditórios. Na prática, o modelo funciona assim:

    1. A empresa cede seus recebíveis ao fundo
    2. O fundo capta recursos com investidores
    3. A empresa antecipa o fluxo de caixa
    4. Os investidores recebem remuneração atrelada aos ativos do fundo

    Esse modelo amplia alternativas de financiamento e reduz dependência do crédito bancário tradicional. Por isso, a captação de FIDCs está diretamente ligada à dinâmica do crédito privado e das operações estruturadas no Brasil.

    Leia também: FIDC em 2026: crescimento e novo ciclo

    Perspectivas para 2026

    Para 2026, uma possível redução da Selic pode contribuir para:

    • Redução da inadimplência
    • Melhora na qualidade dos ativos
    • Maior previsibilidade nas operações
    • Continuidade da expansão da captação de FIDCs

    Segundo executivos do setor, a categoria já demonstrou resiliência em cenários de juros elevados, beneficiando-se da baixa volatilidade e da alta rentabilidade relativa para atrair investidores.

    Conclusão

    A forte captação de FIDCs em 2025 confirma o amadurecimento do crédito privado no Brasil. O desempenho da Solis é um exemplo de como o mercado tem evoluído, combinando estruturação eficiente, diversificação de lastros e busca por rentabilidade.

    Com perspectivas favoráveis para 2026, os FIDCs tendem a permanecer como peça central no financiamento corporativo e nas operações estruturadas.

    Se sua empresa atua com securitização ou crédito estruturado, contar com uma estrutura contábil especializada é essencial para acompanhar o crescimento do setor. A Contabilizaí Bank apoia estruturas de crédito privado e mercado de capitais com visão contábil e estratégica.

    Continue lendo >>: Captação de FIDCs cresce e Solis levanta R$ 1,4 bi
  • Crédito para médias empresas deve crescer em 2026, aponta IOX

    Crédito para médias empresas deve crescer em 2026, aponta IOX

    O crédito para médias empresas deve liderar a demanda no mercado financeiro brasileiro em 2026. A projeção é da IOX, especializada em originação e estruturação de crédito high yield, que identifica mudanças simultâneas na oferta e na procura por financiamento empresarial.

    Segundo a empresa, a combinação entre digitalização operacional, maior organização financeira e necessidade de expansão reposiciona as médias empresas como protagonistas do crédito privado no próximo ciclo econômico.

    Neste artigo, analisamos os fatores por trás dessa tendência e o que ela representa para o mercado estruturado.

    IOX projeta protagonismo das médias empresas

    De acordo com a IOX, médias empresas passaram por uma transformação relevante nos últimos anos. A adoção de processos e tecnologias financeiras reduziu a assimetria de informações entre empresas e financiadores, ampliando o acesso ao crédito para médias empresas, especialmente em estruturas privadas.

    Entre os avanços mais comuns estão:

    • ERPs integrados
    • Conciliações automatizadas
    • Plataformas digitais de recebíveis
    • Ferramentas de análise de risco

    Digitalização altera a leitura de risco

    Para instituições financeiras e estruturadoras, maior disponibilidade de dados significa melhor capacidade de acompanhar operações e mensurar risco. Na prática, isso tende a destravar condições mais claras de financiamento.

    Esse avanço se traduz em:

    • Maior previsibilidade de fluxo de caixa
    • Monitoramento mais eficiente das operações
    • Estruturação com menor risco percebido
    • Condições mais adequadas ao perfil da empresa

    O cenário favorece a expansão do mercado de crédito privado e fortalece o crédito para médias empresas.

    Contexto macroeconômico favorece o crédito privado

    O ambiente macroeconômico também contribui para a expansão do crédito para médias empresas. Em um contexto em que os juros não estimulam uma postura puramente defensiva e, ao mesmo tempo, não favorecem ciclos intensos de captação via equity, o crédito privado ganha espaço como alternativa de financiamento para crescimento.

    Médias empresas, por sua vez, dependem de crédito para:

    • Abrir novas unidades
    • Financiar estoques
    • Investir em tecnologia
    • Modernizar processos
    • Ampliar atuação regional

    Recebíveis e garantias ganham espaço

    Um dos pilares desse movimento é o uso de recebíveis como base de estruturação de garantias, ampliando alternativas de funding fora do crédito bancário tradicional.

    PIX Automático e previsibilidade

    A ampliação do PIX Automático tende a melhorar a gestão de recebíveis em setores com alta recorrência, como educação, saúde e serviços. Pagamentos liquidados em datas definidas reduzem atrasos e aumentam previsibilidade, fator relevante na análise de crédito.

    Para acompanhar evoluções regulatórias e instrumentos financeiros, consulte o Banco Central do Brasil: https://www.bcb.gov.br

    FIDC e crédito estruturado

    A IOX também observa aumento na procura por soluções de antecipação de recebíveis e crédito para médias empresas estruturado sob medida. Nesse contexto, ganham relevância:

    • Antecipação de recebíveis
    • Estruturas via FIDC
    • Operações lastreadas em ativos reais
    • Garantias imobiliárias

    Essas estruturas permitem adaptar o financiamento ao perfil de risco e ao ciclo de crescimento de cada companhia, fortalecendo o mercado de crédito privado.

    O papel das securitizações no novo ciclo

    O avanço do crédito privado tende a impulsionar operações estruturadas, com destaque para:

    • Cessão de direitos creditórios
    • Estruturas com patrimônio separado
    • Fundos e veículos lastreados em recebíveis
    • Garantias reais vinculadas a ativos

    Isso amplia alternativas de financiamento e reforça a importância da organização contábil e da governança nas operações.

    Leia também: CVM 60 no crowdfunding: impactos para fintechs

    2026 pode marcar retomada consistente

    A projeção da IOX indica que 2026 pode representar uma retomada mais consistente do crédito empresarial, sustentada por:

    • Juros mais previsíveis
    • Melhor qualidade das informações financeiras
    • Uso intensivo de tecnologia
    • Evolução das garantias

    Esse conjunto posiciona o crédito para médias empresas como motor relevante do mercado de crédito privado ao longo do próximo ano.

    Conclusão

    A análise da IOX reforça uma transformação estrutural: médias empresas mais organizadas e digitalizadas ampliam sua capacidade de acesso ao crédito estruturado.

    O crescimento do crédito para médias empresas tende a impulsionar FIDCs, securitizações e operações lastreadas em recebíveis, fortalecendo o mercado privado.

    A Contabilizaí Bank acompanha de perto os movimentos do mercado financeiro e apoia empresas na organização contábil e estratégica para operações de crédito estruturado, securitização e FIDC.

    Quer preparar sua estrutura para operar com crédito privado e operações estruturadas? Fale com a Contabilizaí Bank e organize sua base contábil para crescer com segurança.

    Continue lendo >>: Crédito para médias empresas deve crescer em 2026, aponta IOX
  • FIDC em 2026: crescimento e novo ciclo

    FIDC em 2026: crescimento e novo ciclo

    O FIDC em 2026 entra no radar dos investidores como uma das estruturas mais promissoras do crédito privado brasileiro. Após dois anos de forte expansão, a indústria pode atingir a marca simbólica de R$ 1 trilhão em patrimônio, impulsionada por maior maturidade do mercado e possível queda da Selic.

    A combinação entre cenário macroeconômico, governança mais robusta e entrada gradual do varejo pode redefinir o papel dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios nas carteiras.

    O que sustenta o avanço do FIDC em 2026?

    O crescimento recente dos FIDCs ocorreu mesmo em um ambiente de juros elevados. Segundo gestores do setor, a Selic alta funcionou como motor de expansão ao permitir retorno elevado com diluição de risco por meio de múltiplos recebíveis.

    Agora, a expectativa é que o FIDC em 2026 se beneficie também de um cenário de juros mais baixos.

    Impacto da queda da Selic

    Com eventuais cortes na taxa básica:

    • Tesouro Selic, CDBs e fundos DI tendem a render menos
    • Estruturas de crédito privado ganham competitividade
    • O custo de originação pode cair
    • Mais empresas passam a acessar financiamento via fundo

    O produto deixa de ser apenas alternativa de retorno elevado e passa a ocupar espaço estrutural nas carteiras.

    Maturidade e qualidade na indústria

    Após um ciclo de forte expansão quantitativa, o FIDC em 2026 tende a entrar em fase de consolidação qualitativa.

    Especialistas apontam que a captação deve se concentrar em fundos com:

    • Governança clara
    • Histórico consistente
    • Controle efetivo da inadimplência
    • Estrutura adequada de subordinação

    A decisão do investidor passa a considerar não apenas “quanto rende”, mas “como o fundo se comporta em momentos de estresse”.

    Estrutura de proteção: o papel da subordinação

    Um dos diferenciais do FIDC em 2026 continua sendo a engenharia de proteção das cotas.

    Cotas sêniores

    • Menor risco
    • Remuneração predefinida
    • Sem volatilidade diária

    Cotas subordinadas

    • Assumem primeiras perdas
    • Funcionam como “colchão de segurança”
    • Oferecem retorno potencialmente maior

    Essa estrutura é um dos motivos pelos quais os FIDCs são vistos como instrumento de proteção em ambientes voláteis, inclusive em anos eleitorais.

    Entrada do investidor pessoa física

    Historicamente restrito a investidores institucionais, o acesso ao FIDC foi ampliado após ajustes regulatórios da CVM.

    Ainda assim, a complexidade estrutural pode ser uma barreira.

    Uma alternativa crescente é o FIC FIDC — fundo que investe em uma cesta de FIDCs, oferecendo:

    • Diversificação
    • Diluição de risco setorial
    • Gestão profissional especializada

    Para acompanhar as normas aplicáveis aos fundos estruturados, consulte o portal oficial da CVM: https://www.gov.br/cvm

    O que esperar do FIDC em 2026?

    As projeções indicam crescimento entre 25% e 30% no patrimônio da indústria.

    Os vetores principais são:

    • Dinâmica dos ativos pós-fixados atrelados ao CDI
    • Retomada de captações
    • Crédito mais acessível
    • Expansão para novos setores

    O consenso entre gestores é que o mercado não tende a enfraquecer com juros menores — tende a se tornar mais saudável.

    Leia também: FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro

    Conclusão

    O FIDC em 2026 desponta como instrumento consolidado dentro do crédito estruturado brasileiro. Com maior governança, amadurecimento da indústria e possível transição para juros mais baixos, o fundo tende a assumir papel definitivo nas carteiras.

    Para gestores, securitizadoras e investidores qualificados, entender essa evolução é essencial para decisões estratégicas.

    Continue acompanhando o blog da Contabilizaí Bank para análises técnicas e conteúdos especializados sobre FIDC e mercado de capitais. Acesse o nosso site.

    Continue lendo >>: FIDC em 2026: crescimento e novo ciclo
  • Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma

    Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma

    O Crowdfunding CVM 88 atingiu um novo patamar em 2025. O mercado movimentou R$ 2,11 bilhões, crescimento de 93,5% em relação a 2024, consolidando o modelo como alternativa relevante de captação no mercado de capitais brasileiro.

    Diante desse avanço, a Comissão de Valores Mobiliários abriu consulta pública para modernizar a Resolução CVM 88, com o objetivo de ampliar limites, escalar operações e reforçar a transparência do regime.

    Neste artigo, analisamos os números, as mudanças propostas e os impactos regulatórios.

    Crescimento expressivo do mercado

    Os dados de 2025 mostram a consolidação do Crowdfunding CVM 88:

    • R$ 2,11 bilhões captados
    • 652 ofertas realizadas
    • Crescimento de 56% no número de operações
    • Expansão de 6,26 vezes frente a 2023

    O destaque ficou com os Certificados de Recebíveis, responsáveis por R$ 1,42 bilhão distribuídos em 451 ofertas.

    O salto quantitativo indica amadurecimento das plataformas e maior confiança dos investidores.

    O que é o Crowdfunding CVM 88?

    O Crowdfunding CVM 88 é o regime regulatório criado pela Resolução CVM 88, vigente desde 2022, que disciplina ofertas públicas realizadas por meio de plataformas digitais autorizadas.

    O modelo se baseia em três pilares:

    • Conexão direta entre investidores e empresas
    • Ambiente digital regulado
    • Dispensa de registro prévio do emissor na CVM

    Em 2025, o mercado contava com 74 plataformas registradas e em funcionamento.

    As plataformas atuam como gatekeepers, validando juridicamente as ofertas e assegurando transparência informacional.

    Por que a CVM quer reformar a Resolução 88?

    O forte crescimento do Crowdfunding CVM 88 levou a autarquia a propor uma modernização do regime.

    Entre os principais pontos da consulta pública estão:

    1. Ampliação do teto de captação

    A proposta prevê elevar o limite para até R$ 50 milhões por oferta, permitindo maior escala às operações.

    2. Entrada de novos players

    A reforma poderá permitir:

    • Participação de securitizadoras
    • Ampliação para empresas do agronegócio
    • Eliminação de travas relacionadas a faturamento

    3. Modernização da dinâmica de investimento

    A CVM propõe:

    • Flexibilização das regras de aporte para investidores de varejo
    • Fomento à liquidez secundária
    • Maior rigor na transparência e na distribuição

    O prazo da consulta pública foi prorrogado até 23/01/2026.

    Impactos para o mercado estruturado

    A evolução do Crowdfunding CVM 88 pode abrir espaço para novas estruturas de financiamento híbridas, conectando:

    • Securitização
    • Certificados de Recebíveis
    • Agronegócio
    • Crédito estruturado

    Com maior limite de captação e possibilidade de atuação de securitizadoras, o modelo pode se tornar um canal complementar relevante para funding.

    Leia também: Agenda Regulatória CVM 2026: impactos no mercado

    Pontos de atenção regulatórios

    Apesar do crescimento, o Crowdfunding CVM 88 exige atenção a aspectos críticos:

    • Governança das plataformas
    • Controle informacional
    • Elegibilidade dos ativos
    • Conformidade com critérios de oferta pública
    • Monitoramento da liquidez

    A modernização tende a aumentar responsabilidade operacional e rigor técnico.

    Conclusão

    O avanço do Crowdfunding CVM 88 demonstra a consolidação do modelo como instrumento relevante de financiamento no Brasil.

    Com a proposta de reforma, o regime pode ganhar escala, complexidade e maior integração com o mercado estruturado.

    Para empresas que atuam com securitização, FIDC e crédito estruturado, acompanhar essa evolução regulatória é estratégico.

    Continue acompanhando o blog da Contabilizaí Bank para análises técnicas e atualizações sobre mercado de capitais.

    Continue lendo >>: Crowdfunding CVM 88: crescimento e reforma
  • FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro

    FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro

    O lançamento de um FIDC em dólar estruturado pela EXA Capital para a AgriConnection marca um avanço relevante no mercado de crédito estruturado no Brasil.

    Com patrimônio inicial de US$ 20 milhões, a operação se destaca por utilizar recebíveis em moeda americana como lastro, sem necessidade de hedge cambial, um movimento pioneiro no financiamento da agroindústria.

    Neste artigo, analisamos a estrutura, os diferenciais e os impactos desse modelo para o mercado de capitais.

    O que é um FIDC em dólar?

    O FIDC em dólar é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios cujo lastro está atrelado a ativos denominados na moeda americana.

    Diferentemente dos FIDCs tradicionais, que operam majoritariamente em reais, essa estrutura:

    • Capta recursos em dólar
    • Adquire recebíveis dolarizados
    • Gera retorno também em moeda estrangeira
    • Reduz exposição cambial estrutural

    No caso da operação estruturada pela EXA Capital, o lastro é composto por direitos creditórios originados de vendas internacionais realizadas pela AgriConnection.

    Estrutura da operação

    A operação foi organizada com divisão em subclasses de cotas:

    • Cotas sêniores, subscritas pelo Rabobank
    • Cotas subordinadas, subscritas pela AgriConnection e pela EXA Capital

    O fundo utiliza CPR (Cédula de Produto Rural) emitida pelos devedores, produtores e distribuidores, como instrumento formal da obrigação.

    No vencimento, a liquidação ocorre considerando a taxa PTAX do dia, com rentabilidade alvo de 7% ao ano em dólar.

    O prazo estabelecido para o fundo é de três anos.

    Por que a estrutura é inovadora?

    O caráter inovador do FIDC em dólar está em três pilares principais:

    1. Ausência de hedge cambial

    Como os recebíveis já são originados em dólar, elimina-se a necessidade de proteção cambial adicional, reduzindo custo e complexidade operacional.

    2. Novo precedente no mercado

    A estrutura demandou 15 meses de desenvolvimento, com:

    • Construção de metodologias de precificação
    • Modelos inéditos de marcação
    • Estruturação jurídica especializada

    Esse esforço cria um precedente relevante para futuras operações estruturadas em moeda estrangeira.

    3. Foco em crédito sólido

    O projeto piloto contempla 6% das vendas em dólar da AgriConnection, concentrado em:

    • Grandes grupos de soja
    • Produtores de algodão
    • Cooperativas consolidadas

    Isso reduz risco de crédito na fase inicial de validação do modelo.

    Impactos para o mercado de capitais

    O lançamento do FIDC em dólar amplia as possibilidades de financiamento estruturado no agronegócio e pode abrir espaço para:

    • Vendedores de máquinas agrícolas
    • Fornecedores de fertilizantes
    • Sistemas de irrigação
    • Exportadores com receita dolarizada

    Ao criar liquidez para ativos dolarizados, a operação fortalece o ecossistema de finanças estruturadas no Brasil.

    Pontos de atenção contábil e regulatório

    Estruturas como um FIDC em dólar exigem atenção especial em:

    • Reconhecimento contábil de ativos em moeda estrangeira
    • Critérios de marcação a mercado
    • Controle de lastro e elegibilidade
    • Monitoramento da performance da carteira
    • Governança e compliance regulatório

    A validação operacional ao longo de ciclos completos de safra será determinante para expansão do patrimônio do fundo.

    Leia também:
    Agenda Regulatória CVM 2026: impactos no mercado

    Conclusão

    O FIDC em dólar estruturado para a AgriConnection representa um avanço importante na sofisticação do crédito estruturado no Brasil.

    Ao combinar recebíveis dolarizados, estrutura de cotas bem definida e foco em crédito sólido, a operação estabelece um novo modelo para financiamento da agroindústria.

    Para securitizadoras, gestores e estruturadores, acompanhar essa evolução é estratégico.

    Continue acompanhando o blog da Contabilizaí Bank para análises técnicas e conteúdos especializados sobre FIDC, securitização e mercado de capitais estruturado.

    Continue lendo >>: FIDC em dólar: inovação no agronegócio brasileiro
  • Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado

    Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado

    A Agenda Regulatória CVM 2026 consolida as prioridades da Comissão de Valores Mobiliários para modernizar o mercado de capitais brasileiro, ampliar o acesso a investimentos e reforçar a segurança jurídica.

    O documento organiza 21 iniciativas entre normas a serem editadas e temas submetidos à consulta pública, com impacto direto sobre securitizadoras, FIDC, fundos estruturados, consultores e participantes do mercado financeiro.

    Neste artigo, analisamos os principais pontos e seus reflexos práticos.

    Modernização e Inovação

    Um dos pilares da Agenda Regulatória CVM 2026 é adaptar o arcabouço regulatório às novas tecnologias, modelos de negócio e dinâmicas globais.

    Normas previstas

    • Modernização dos FIP: mais flexibilidade para gestores, possibilidade de coinvestimento e ajustes na gestão de riscos.
    • Agências de Rating: alinhamento à regulação europeia para facilitar captações no exterior.
    • Ações em Tesouraria: redefinição de free float e maior clareza na negociação de ações próprias.
    • Fundos Imobiliários (FII): atualização de regras do Anexo III da Resolução 175.
    • Certificação de Consultores: revisão dos requisitos para registro na CVM.

    Consultas públicas

    • Tokenização (Projeto 135 Light): criação de ambiente regulatório simplificado para ativos digitais.
    • Finfluencers e Analistas: regras claras para atuação em redes sociais.
    • ETF de Gestão Ativa: autorização para ETFs com estratégia ativa.

    Essas iniciativas mostram o esforço da CVM em acompanhar a transformação digital do mercado.

    Simplificação e Democratização do Acesso

    Outro eixo central da Agenda Regulatória CVM 2026 é reduzir burocracias e ampliar o acesso de investidores e empresas ao mercado de capitais.

    Normas a serem editadas

    • Crowdfunding (Resolução 88): aumento do teto de captação e inclusão de empresas maiores e do agronegócio.
    • Ajustes na Resolução 160: refinamento das regras de ofertas públicas.
    • FIF: simplificação de obrigações periódicas para reduzir custos operacionais.

    Consultas públicas

    • Suitability e Investidor Qualificado: possível revisão do critério de R$ 1 milhão investido.
    • Acesso ao Exterior: regulamentação do modelo de corretoras que oferecem acesso direto a bolsas internacionais.
    • FIDC: flexibilização para aquisição de direitos creditórios não padronizados e créditos de empresas em recuperação judicial.

    Para securitizadoras e gestores de fundos estruturados, essas mudanças podem representar novas oportunidades — e novos desafios regulatórios.

    Desenvolvimento Sustentável

    A pauta ESG ganha protagonismo na Agenda Regulatória CVM 2026, com foco em evitar greenwashing e criar padrões técnicos claros.

    • Mercado de Carbono: regulamentação da Lei 15.042/24 para negociação de créditos de carbono como valores mobiliários.
    • Taxonomia Sustentável: critérios objetivos para que fundos e títulos se declarem “verdes”.

    A expectativa é elevar a transparência e fortalecer a credibilidade do mercado sustentável brasileiro.

    Transparência, Segurança e Eficiência

    A CVM também pretende aprimorar a qualidade das informações e os mecanismos de supervisão.

    Norma prevista

    • Fatos Relevantes: distinção mais clara entre fato relevante e comunicado ao mercado.

    Consultas públicas

    • PLDFT e Trusts: reforço na identificação de investidores estrangeiros.
    • Punições automáticas por atraso: maior eficiência sancionadora.
    • COE: regras mais rigorosas de divulgação de riscos.
    • Lastro de CRI e CRA: registro no Sistema de Informações de Crédito (SCR).

    Impactos para securitizadoras e fundos estruturados

    A Agenda Regulatória CVM 2026 impacta diretamente:

    • Estruturação de CRI e CRA
    • Operações com FIDC
    • Governança e compliance regulatório
    • Divulgação de informações ao mercado
    • Contabilização e controle de lastros

    Empresas que atuam com crédito estruturado precisarão reforçar:

    • Monitoramento regulatório contínuo
    • Atualização de políticas internas
    • Revisão de estruturas contratuais
    • Adequação contábil e documental

    Leia também: 2025 consolida a tokenização de ativos financeiros

    Conclusão

    A Agenda Regulatória CVM 2026 sinaliza um mercado mais moderno, acessível e alinhado a padrões internacionais. Ao mesmo tempo, amplia a necessidade de rigor técnico, governança e conformidade regulatória.

    Para securitizadoras, FIDC e estruturas de crédito, acompanhar essas mudanças não é opcional, é estratégico.

    Continue acompanhando o blog da Contabilizaí Bank para análises técnicas, atualizações regulatórias e conteúdos especializados sobre mercado de capitais estruturado.

    Continue lendo >>: Agenda Regulatória CVM 2026: o que muda no mercado