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  • Destinação do Imposto de Renda: como transformar tributo em impacto social

    Destinação do Imposto de Renda: como transformar tributo em impacto social

    A destinação do Imposto de Renda é uma alternativa legal, simples e estratégica para empresas e pessoas físicas que desejam apoiar projetos sociais, culturais e de saúde sem pagar mais imposto por isso. Regulamentada pela Receita Federal, essa prática permite direcionar parte do imposto devido para fundos e iniciativas certificadas, fortalecendo ações de responsabilidade social e critérios ESG.

    O que é a destinação do Imposto de Renda

    A destinação do Imposto de Renda permite que o contribuinte escolha onde será aplicada uma parcela do imposto que já seria recolhido à União. Em vez de todo o valor ir para o caixa único do governo, parte dele pode ser direcionada a fundos e projetos previamente aprovados pelo poder público.

    Essa prática é amparada por leis federais e não gera custo adicional ao contribuinte.

    Quem pode fazer a destinação do Imposto de Renda

    A legislação autoriza a destinação tanto para empresas quanto para pessoas físicas, respeitando limites específicos.

    Empresas (Lucro Real)

    Empresas tributadas pelo Lucro Real podem destinar parte do IRPJ devido, dentro dos percentuais definidos em lei.

    Pessoas físicas

    Pessoas físicas podem realizar a destinação diretamente na declaração anual do IRPF ou por meio de DARF, conforme o tipo de projeto escolhido.

    Quanto pode ser destinado

    De forma geral, a Receita Federal autoriza a destinação de até:

    • 6% do imposto devido para fundos e projetos sociais;
    • percentuais específicos para projetos culturais, esportivos e de saúde, conforme legislação própria.

    Os valores não representam imposto extra, mas sim uma realocação do tributo.

    Para onde é possível destinar o Imposto de Renda

    A destinação do Imposto de Renda pode ser feita para diversas iniciativas reconhecidas oficialmente, como:

    • fundos públicos;
    • Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (municipais, estaduais e nacional);
    • Fundos da Pessoa Idosa;
    • projetos culturais incentivados (Lei Rouanet);
    • projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte;
    • programas de saúde oncológica (PRONON);
    • programas voltados à pessoa com deficiência (PRONAS);
    • hospitais filantrópicos, santas casas e entidades de saúde certificadas.

    Todos os projetos passam por análise técnica, fiscalização e prestação de contas.

    Como funciona a destinação do Imposto de Renda na prática

    Passo a passo para empresas (Lucro Real)

    • calcular o IRPJ devido (trimestral ou anual);
    • definir o percentual de destinação dentro do limite legal;
    • escolher o fundo ou projeto incentivado;
    • emitir o DARF específico conforme instrução normativa;
    • efetuar o pagamento dentro do ano-calendário;
    • registrar a operação na escrituração contábil e no LALUR;
    • guardar os comprovantes para eventual fiscalização.

    Passo a passo para pessoas físicas

    • realizar o pagamento do DARF do fundo escolhido até 31/12, ou
    • efetuar a destinação diretamente no programa da declaração anual do IR;
    • informar os dados e anexar o comprovante na DIRPF.

    Benefícios da destinação do Imposto de Renda

    Além do impacto social direto, a destinação do Imposto de Renda gera benefícios relevantes:

    • fortalecimento da imagem institucional;
    • alinhamento às práticas ESG (pilar social);
    • participação ativa na transformação social;
    • uso estratégico de incentivos fiscais;
    • total segurança jurídica e transparência.

    A importância do planejamento tributário

    A destinação do Imposto de Renda deve fazer parte de um planejamento tributário estruturado, garantindo o correto enquadramento legal, o aproveitamento integral dos incentivos e a conformidade contábil e fiscal.

    Leia também: As principais mudanças no imposto de renda 2026: o que muda com a nova Lei 15.270/2025

    Conclusão

    A destinação do Imposto de Renda é uma ferramenta poderosa para unir eficiência tributária e impacto social. Ao direcionar parte do imposto devido para projetos incentivados, empresas e pessoas físicas contribuem para o desenvolvimento social do país sem aumentar sua carga tributária.

    Mais do que uma escolha fiscal, trata-se de uma decisão estratégica e responsável.

    Quer entender como aplicar a destinação do Imposto de Renda de forma segura, estratégica e alinhada ao seu planejamento tributário?A ContabilizaíBank é uma empresa de contabilidade especializada em atividades financeiras como Securitizadoras, Factoring e ESC.

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  • Justiça afasta ISS sobre deságio em factoring

    Justiça afasta ISS sobre deságio em factoring

    Uma decisão recente da Justiça de São Paulo trouxe um avanço relevante para o setor de fomento mercantil. Em sentença de primeira instância, o Tribunal de Justiça de São Paulo afastou a incidência de ISS sobre deságio nas operações de aquisição de recebíveis, reforçando a natureza financeira dessas operações.

    Entenda a decisão que afasta o ISS sobre deságio

    A sentença foi proferida pela 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em ação movida pelo SINFAC-SP contra o Município de São Paulo. O juiz reconheceu que o deságio não configura prestação de serviço e, portanto, não pode integrar a base de cálculo do ISS.

    Segundo o entendimento adotado, a diferença entre o valor nominal do recebível e o preço de aquisição representa um elemento econômico da operação financeira. Não se trata de remuneração por um serviço prestado.

    O que é o deságio nas operações de crédito

    O deságio é a diferença entre:

    • o valor nominal de um título ou recebível; e
    • o valor efetivamente pago por ele na aquisição.

    Deságio em factoring

    Nas operações de factoring, o deságio reflete fatores como risco de crédito, prazo de recebimento e condições de mercado. Nesse contexto, o deságio integra o preço da compra do crédito. Ele não corresponde à cobrança de um serviço.

    Por que o ISS não deve incidir sobre o deságio

    Ao analisar o mérito, a sentença destacou que o deságio não caracteriza prestação de serviços. O entendimento reforça que o ISS é um tributo municipal aplicável a serviços previstos em lei. Assim, a inclusão do deságio na base de cálculo do imposto foi considerada indevida.

    Impactos para factorings

    A sentença traz efeitos relevantes para o setor, como:

    • maior segurança jurídica;
    • redução do risco de autuações fiscais e multas indevidas;
    • fortalecimento de um segmento que amplia o acesso ao crédito, especialmente para micro e pequenas empresas.

    Vale lembrar que se trata de decisão de primeira instância. Ainda assim, o entendimento indica uma leitura mais alinhada à realidade econômica das operações de fomento mercantil.

    Atenção ao aspecto contábil e tributário

    Mesmo com decisões favoráveis, é fundamental manter práticas consistentes. Empresas do setor devem priorizar a correta classificação contábil das operações e a organização da documentação de aquisição de recebíveis. Também é recomendável acompanhar a evolução jurisprudencial e os riscos fiscais aplicáveis.

    • classificação contábil adequada do deságio e das operações;
    • documentação completa dos contratos e cessões de crédito;
    • rotinas de compliance tributário e monitoramento de autuações.

    Conclusão

    A sentença que afasta o ISS sobre deságio representa um marco importante para factorings e securitizadoras. Ao reconhecer que o deságio integra o preço de uma operação financeira, e não um serviço, a decisão contribui para maior previsibilidade tributária no setor.

    Para empresas que atuam com fomento mercantil, entender esse posicionamento e alinhar práticas contábeis e fiscais é essencial. Isso ajuda a reduzir riscos e fortalecer a conformidade nas operações.

    A correta estruturação contábil é essencial. A ContabilizaíBank é uma empresa de contabilidade especializada em atividades financeiras como Securitizadoras, Factoring e ESC.

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  • Registro de distribuição de dividendos na Jucesp: entenda as novas orientações

    Registro de distribuição de dividendos na Jucesp: entenda as novas orientações

    O registro de distribuição de dividendos na Jucesp passou a gerar dúvidas após a publicação da Lei nº 15.270/2025, que alterou a tributação de lucros e dividendos no Brasil. A principal preocupação de empresas, contadores e advogados foi entender se informações sensíveis passariam a ser públicas nos registros da Junta Comercial.

    Diante desse cenário, a Jucesp emitiu orientações para dar segurança jurídica ao procedimento e proteger dados confidenciais, especialmente em sociedades limitadas.

    O que mudou com a Lei 15.270/2025

    A Lei nº 15.270/2025, conhecida como lei da tributação das altas rendas, instituiu uma nova sistemática para a tributação de lucros e dividendos. Entre os pontos mais relevantes está a necessidade de comprovação formal da distribuição de lucros acumulados até 31 de dezembro de 2025, para fins de isenção.

    Com isso, empresas passaram a buscar o registro das deliberações societárias na junta comercial como forma de resguardar seus direitos.

    Orientação da Jucesp sobre o registro de dividendos

    Em comunicado oficial, a Jucesp esclareceu que as empresas obrigadas a cumprir a nova legislação devem protocolar atas de assembleia ou reunião de sócios que deliberem sobre a distribuição de lucros.

    No entanto, a própria junta reconhece que esses documentos podem conter:

    • Informações financeiras sensíveis
    • Dados estratégicos do negócio
    • Detalhamento da política interna de distribuição de lucros
    • Valores individualizados por sócio

    Para lidar com essa situação, a Jucesp apresentou uma solução prática.

    Ata e anexo: como funciona a separação dos documentos

    Ata pública

    A ata principal, que será registrada na junta comercial, deve conter apenas o resumo da deliberação, sem detalhamento sensível. Esse é o documento que ficará acessível ao público.

    Anexo de uso restrito

    As informações sensíveis podem ser inseridas em um anexo, classificado como documento de uso interno restrito, com as seguintes finalidades:

    • Resguardar dados confidenciais da empresa
    • Limitar a publicidade perante terceiros
    • Permitir acesso apenas a órgãos da administração pública, quando necessário

    Esse modelo busca equilibrar transparência registral e proteção de dados empresariais.

    Por que o tema gerou tanta preocupação

    Especialistas apontam que a exigência de detalhamento individualizado dos dividendos poderia expor informações estratégicas, como:

    • Saldo de lucros acumulados
    • Reservas de lucro
    • Valores recebidos por cada sócio

    Como os registros na junta comercial são, via de regra, públicos, havia receio quanto à exposição dessas informações a concorrentes, fornecedores e até riscos de segurança pessoal.

    Com a orientação da Jucesp, o entendimento é de que apenas o resumo da deliberação será público, enquanto os dados sensíveis permanecem protegidos.

    Aumento nos registros e fase de transição

    Segundo representantes da Jucesp e de entidades empresariais, houve um aumento significativo no volume de registros relacionados à distribuição de resultados. Muitas empresas optaram por registrar as deliberações como forma de:

    • Garantir a não tributação dos dividendos distribuídos até o fim de 2025
    • Reduzir riscos fiscais futuros
    • Ganhar segurança jurídica diante da nova legislação

    Esse movimento reflete o caráter transitório e sensível do atual momento regulatório.

    Onde consultar a orientação oficial

    As diretrizes sobre o registro de distribuição de dividendos na Jucesp estão disponíveis nos canais oficiais da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

    Leia também: As principais mudanças no imposto de renda 2026: o que muda com a nova Lei 15.270/2025

    Conclusão

    O registro de distribuição de dividendos na Jucesp ganhou relevância com a Lei 15.270/2025 e exige atenção redobrada das empresas. A possibilidade de separar a ata em documento público e anexo restrito trouxe maior segurança jurídica e proteção de dados sensíveis.

    Em um ambiente de transição tributária, compreender corretamente os procedimentos societários e registrários é fundamental para evitar riscos fiscais e exposição indevida de informações estratégicas.

    Acompanhar orientações oficiais e manter os registros societários atualizados é uma medida essencial para empresas que desejam atravessar esse período de mudanças com segurança e previsibilidade.

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  • BC restringe uso do termo “banco” e amplia regras no Open Finance

    BC restringe uso do termo “banco” e amplia regras no Open Finance

    A restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central passou a valer após a publicação de uma nova resolução do BCB e do CMN. A norma determina que apenas instituições autorizadas poderão usar termos como “banco” ou “bank” em suas marcas e comunicações.

    Além disso, outra resolução amplia o escopo do Open Finance ao incluir o compartilhamento da portabilidade de crédito, reforçando a modernização do sistema financeiro.

    O que muda com a restrição ao uso do termo “banco”

    A nova regra proíbe que instituições financeiras e de pagamento utilizem denominações que sugiram uma atividade para a qual não possuem autorização de funcionamento. Isso vale tanto para termos em português quanto em inglês.

    Por que essa regra foi criada?

    Segundo o Banco Central, o objetivo é garantir clareza ao consumidor, evitar confusão sobre o tipo de instituição contratada e fortalecer a segurança jurídica na prestação de serviços financeiros.

    Como as instituições devem se adequar

    As instituições que estiverem em desacordo com as novas regras deverão:

    • Apresentar um plano de adequação em até 120 dias;
    • Concluir a adaptação em, no máximo, um ano;
    • Utilizar denominações que deixem clara a modalidade da instituição (por exemplo: instituição de pagamento, SCD, SEP).

    Essa exigência reduz assimetrias de informação e reforça a transparência no relacionamento com clientes.

    Portabilidade de crédito entra no Open Finance

    A segunda resolução publicada pelo BC e CMN inclui a portabilidade de operações de crédito no escopo do Open Finance. O movimento amplia a concorrência e reduz barreiras operacionais entre instituições.

    Quando a novidade entra em vigor?

    Crédito pessoal sem garantia e sem consignação:

    • Piloto restrito: novembro de 2025;
    • Disponível ao público geral: fevereiro de 2026.

    Crédito consignado:

    • Piloto restrito para servidores públicos federais: agosto de 2026;
    • Disponível ao público geral: novembro de 2026.

    Benefícios para o consumidor

    Com a integração da portabilidade ao Open Finance, o processo passa a ser:

    • Mais rápido: prazo reduzido de até 5 dias úteis para até 3 dias úteis;
    • Mais eficiente: informações padronizadas e compartilhadas de forma segura;
    • Mais competitivo: mais instituições podem oferecer melhores condições;
    • Mais digital: jornada totalmente online ao longo de todo o ciclo da portabilidade.

    Impactos para o mercado financeiro

    Tanto a restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central quanto a inclusão da portabilidade de crédito no Open Finance têm como objetivos principais:

    • Reduzir riscos regulatórios;
    • Garantir transparência na relação com o cliente;
    • Aumentar a segurança jurídica para instituições e usuários;
    • Padronizar a experiência do usuário em canais digitais;
    • Estimular inovação e concorrência no sistema financeiro.

    Essas medidas aproximam o Brasil de boas práticas internacionais em supervisão financeira e infraestrutura de dados abertos.

    Conclusão

    A restrição ao uso do termo banco pelo Banco Central reforça transparência e segurança para consumidores, ao exigir que cada instituição deixe clara sua natureza e limites de atuação. Ao mesmo tempo, a inclusão da portabilidade de crédito no Open Finance moderniza o processo, reduz prazos e amplia a concorrência entre instituições.

    Juntas, as medidas mostram o esforço contínuo do BC e do CMN para equilibrar inovação, competitividade e proteção ao usuário no sistema financeiro brasileiro.

    Se você atua no mercado financeiro ou lida com instituições reguladas, acompanhar as mudanças impostas pelo Banco Central é essencial para manter conformidade e competitividade.

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  • Por que o boleto ainda domina os pagamentos B2B no Brasil

    Por que o boleto ainda domina os pagamentos B2B no Brasil

    Mesmo com o avanço do Pix e a digitalização financeira, o boleto bancário segue como o meio de pagamento mais utilizado nas transações entre empresas no país. Um levantamento da Qive mostra que, entre 2023 e 2025, os boletos movimentaram R$ 2,47 trilhões, consolidando sua liderança nos pagamentos B2B no Brasil.

    Pix e boletos: uma convivência de modelos

    Desde que o Pix foi lançado, em 2020, o sistema financeiro brasileiro passou por uma transformação profunda. As transferências instantâneas se tornaram parte do cotidiano de milhões de pessoas, substituindo as antigas TEDs e DOCs. Porém, quando o assunto são as transações entre empresas, a realidade é bem diferente.

    No universo B2B, o boleto bancário ainda reina absoluto. Ele é o preferido de companhias que valorizam a previsibilidade, o controle de fluxo de caixa e a segurança operacional, fatores essenciais para setores que movimentam grandes valores e precisam de rastreabilidade.

    Segundo a Qive, mesmo com o avanço das transferências instantâneas e das carteiras digitais, o boleto continua sendo o instrumento dominante nas operações entre CNPJs no Brasil.

    O domínio do boleto nas transações corporativas

    Em setores como Infraestrutura (92%) e Saúde e Farmacêutico (84%), o boleto bancário praticamente monopoliza os pagamentos. São segmentos onde a previsibilidade e a governança financeira pesam mais do que a agilidade, um reflexo da cultura de crédito e confiança que molda as relações comerciais brasileiras.

    Entre 2023 e 2025, o boleto movimentou R$ 2,47 trilhões, com mais de 224 milhões de notas fiscais liquidadas. Mesmo perdendo parte da fatia para o Pix e para as transferências, sua participação no total das operações ainda é impressionante: cerca de 70% do volume financeiro em diversos setores.

    “Com crédito caro e Selic elevada, as empresas têm priorizado liquidez e previsibilidade sobre agilidade. O boleto segue como protagonista no ecossistema B2B por razões culturais e também pela rastreabilidade que oferece nas relações com fornecedores.”— Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive

    Além de meio de pagamento, o boleto atua como ferramenta de controle de crédito e gestão financeira, especialmente para negócios que precisam de histórico de recebimentos e facilidade de conciliação contábil.

    O crescimento do Pix nas relações B2B

    Apesar de ainda representar uma pequena parcela das transações entre empresas, o Pix vem ganhando espaço de forma gradual e estratégica. Entre 2023 e 2025, o método foi responsável por cerca de 1,6% do valor total movimentado no ambiente corporativo, mas seu ticket médio triplicou no período, saltando de R$ 2,8 mil para R$ 8,5 mil.

    Esse avanço mostra que o Pix começa a ser utilizado também em transações de maior valor, refletindo um processo de amadurecimento e aumento de confiança entre empresas.

    Principais desafios do Pix nas empresas

    • Dificuldade de rastreamento contábil em grandes operações;
    • Menor possibilidade de validação prévia antes da liquidação;
    • Ausência de conciliação automática em muitos sistemas ERP;
    • Maior risco de erro em pagamentos instantâneos não conciliados.

    Por esses motivos, muitas empresas ainda veem o boleto como instrumento de maior confiança e rastreabilidade, especialmente em contratos de longo prazo e operações de crédito com garantias.

    Pagamentos híbridos: o novo padrão das empresas

    Além do boleto e do Pix, as transferências e depósitos bancários também seguem fortes nas operações empresariais. Entre 2023 e 2025, essas modalidades somaram R$ 693 bilhões, crescendo de 10,3% para 11,9% do valor total transacionado.

    O cenário indica que o futuro dos pagamentos B2B no Brasil será híbrido: uma convivência entre ferramentas digitais e métodos tradicionais, combinando a agilidade do Pix com a segurança e rastreabilidade dos boletos.

    Essa transição é estratégica e reflete a maturidade do mercado financeiro corporativo, que busca eficiência sem abrir mão da governança e da conformidade contábil.

    Desafios e riscos para o futuro dos pagamentos corporativos

    A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta para o aumento das fraudes com boletos falsos, principalmente por adulteração de dados e emissão indevida. Essa vulnerabilidade reforça a importância de soluções como o DDA (Débito Direto Autorizado) e a conciliação automática para garantir autenticidade e segurança.

    Por outro lado, a digitalização sem integração pode gerar novos riscos. Adotar Pix ou carteiras digitais sem conciliação automatizada é como dirigir um carro sem painel de controle: há potência, mas falta visibilidade. Sem sistemas conectados, aumentam as chances de pagamentos duplicados e perda de rastreabilidade.

    O estudo Panorama de Contas a Pagar 2026, da Qive, analisou mais de 315 milhões de notas fiscais eletrônicas, somando R$ 3,7 trilhões entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, um retrato fiel de um mercado que avança na automação, mas ainda convive com práticas analógicas.

    A importância da contabilidade integrada

    Em um ambiente onde múltiplos meios de pagamento coexistem, contar com uma contabilidade especializada se torna essencial para manter o controle e a conformidade. Empresas de fomento mercantil, securitizadoras e ESCs precisam registrar e conciliar cada operação com precisão, evitando inconsistências fiscais e financeiras.

    A integração entre bancos, ERPs e escritórios contábeis é o caminho para transformar dados financeiros em decisões estratégicas.

    Leia também: A atividade da securitizadora: entenda a função e o dever fiduciário.

    Convivência entre tradição e inovação

    O panorama dos pagamentos B2B no Brasil mostra que o futuro não será definido pela substituição, mas pela convivência entre modelos. O boleto continua forte, o Pix cresce e as transferências se consolidam, formando um ecossistema financeiro mais diversificado e adaptado às necessidades das empresas.

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  • Resolução 339 do BC: duplicata escritural moderniza crédito

    Resolução 339 do BC: duplicata escritural moderniza crédito

    A Resolução 339 do Banco Central duplicata escritural marca a transição da duplicata em papel para o modelo digital registrado. Dessa forma, o Banco Central eleva a segurança, a transparência e a liquidez dos recebíveis empresariais, modernizando o acesso ao crédito no país.

    O que é a Resolução 339 do Banco Central

    Publicada em 24 de agosto de 2023, a norma define regras para emissão, registro e circulação da duplicata escritural. Além disso, integra o título à nota fiscal eletrônica, reduzindo fraudes e padronizando processos, o que fortalece o ambiente de negócios e melhora a confiança entre empresas e instituições financeiras.

    Como funciona a duplicata escritural

    Na prática, a duplicata escritural é a versão eletrônica da duplicata mercantil tradicional, com validade jurídica e trilha de auditoria digital. Com isso, o processo se torna mais ágil, seguro e rastreável para todos os envolvidos.

    • Registro obrigatório em entidades autorizadas pelo Banco Central;
    • Aceite ou recusa digital pelo sacado, simplificando o processo;
    • Protesto eletrônico em caso de inadimplência, sem necessidade de documento físico.

    Benefícios para as empresas

    1) Mais acesso a crédito

    Com o registro padronizado, os títulos podem ser descontados e cedidos com maior previsibilidade. Consequentemente, as empresas ganham mais liquidez e acesso a linhas de financiamento.

    2) Transparência e segurança

    O ambiente digital diminui riscos operacionais e facilita a rastreabilidade. Por outro lado, a obrigatoriedade do registro aumenta a fiscalização e reduz a possibilidade de duplicatas falsas.

    3) Integração com a NFe

    A correspondência entre venda e título aumenta a confiança dos agentes financeiros. Além disso, a integração com a nota fiscal eletrônica reforça a veracidade das operações comerciais.

    4) Liquidez e exigibilidade

    A padronização favorece o uso do título como garantia e como base para execução. Assim, a duplicata escritural ganha força como instrumento jurídico e contábil.

    Impactos para factoring, securitizadoras e fintechs

    A Resolução 339 do Banco Central duplicata escritural acelera a digitalização do fomento mercantil e das operações de recebíveis. Como resultado, os processos ficam mais ágeis, padronizados e com melhor qualidade de dados para análise de risco. Além disso, a modernização amplia a competitividade das factorings, securitizadoras e fintechs no mercado financeiro.

    Responsabilidades e governança

    O Banco Central também definiu papéis específicos para cada agente do sistema. Portanto, a governança das duplicatas eletrônicas será dividida da seguinte forma:

    • Empresas emissoras: manter cadastros e dados atualizados, assegurando a integridade das informações;
    • Registradoras: garantir guarda, integridade e rastreabilidade dos títulos;
    • Banco Central: supervisionar e zelar pela segurança do ecossistema.

    Desse modo, cria-se um ambiente de crédito mais confiável, auditável e protegido contra irregularidades.

    Desafios e próximos passos

    A implementação da duplicata escritural exige integrações tecnológicas e adequações contábeis. Entretanto, os ganhos de eficiência, a redução de fraudes e o aumento da liquidez tendem a superar os custos de adaptação. Além disso, a digitalização abre novas oportunidades para inovação e automação de processos.

    Como avançar com segurança no novo modelo digital

    Para que as empresas se adaptem à nova realidade, é fundamental revisar suas práticas de controle e governança. Por isso, seguem algumas recomendações:

    1. Revisar contratos e políticas de crédito;
    2. Mapear integrações com NFe e registradoras;
    3. Adequar o plano de contas e rotinas contábeis;
    4. Capacitar times jurídico, financeiro e de tecnologia.

    Por fim, quem se adequar primeiro tende a conquistar vantagem competitiva, garantindo mais agilidade e segurança nas operações de crédito.

    Quer saber mais sobre duplicatas relacionadas ao fomento mercantil? Leia também: Direito de regresso no factoring por duplicatas irregulares, um conteúdo exclusivo da ContabilizaíBank.

    Transformação digital e o futuro do crédito empresarial

    A Resolução 339 do Banco Central consolida um novo padrão para o crédito comercial: digital, auditável e com maior segurança jurídica. Com isso, o Brasil dá um passo importante rumo à modernização financeira e à ampliação da confiança nas operações empresariais.

    Precisa adequar sua operação? A ContabilizaíBank apoia empresas de fomento mercantil, securitização e fintechs na implantação contábil e regulatória da duplicata escritural. Dessa forma, sua empresa garante conformidade e aproveita todas as oportunidades do novo modelo digital.

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