Por que o boleto ainda domina os pagamentos B2B no Brasil
Mesmo com o avanço do Pix e a digitalização financeira, o boleto bancário segue como o meio de pagamento mais utilizado nas transações entre empresas no país. Um levantamento da Qive mostra que, entre 2023 e 2025, os boletos movimentaram R$ 2,47 trilhões, consolidando sua liderança nos pagamentos B2B no Brasil.
Pix e boletos: uma convivência de modelos
Desde que o Pix foi lançado, em 2020, o sistema financeiro brasileiro passou por uma transformação profunda. As transferências instantâneas se tornaram parte do cotidiano de milhões de pessoas, substituindo as antigas TEDs e DOCs. Porém, quando o assunto são as transações entre empresas, a realidade é bem diferente.
No universo B2B, o boleto bancário ainda reina absoluto. Ele é o preferido de companhias que valorizam a previsibilidade, o controle de fluxo de caixa e a segurança operacional, fatores essenciais para setores que movimentam grandes valores e precisam de rastreabilidade.
Segundo a Qive, mesmo com o avanço das transferências instantâneas e das carteiras digitais, o boleto continua sendo o instrumento dominante nas operações entre CNPJs no Brasil.
O domínio do boleto nas transações corporativas
Em setores como Infraestrutura (92%) e Saúde e Farmacêutico (84%), o boleto bancário praticamente monopoliza os pagamentos. São segmentos onde a previsibilidade e a governança financeira pesam mais do que a agilidade, um reflexo da cultura de crédito e confiança que molda as relações comerciais brasileiras.
Entre 2023 e 2025, o boleto movimentou R$ 2,47 trilhões, com mais de 224 milhões de notas fiscais liquidadas. Mesmo perdendo parte da fatia para o Pix e para as transferências, sua participação no total das operações ainda é impressionante: cerca de 70% do volume financeiro em diversos setores.
“Com crédito caro e Selic elevada, as empresas têm priorizado liquidez e previsibilidade sobre agilidade. O boleto segue como protagonista no ecossistema B2B por razões culturais e também pela rastreabilidade que oferece nas relações com fornecedores.”— Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive
Além de meio de pagamento, o boleto atua como ferramenta de controle de crédito e gestão financeira, especialmente para negócios que precisam de histórico de recebimentos e facilidade de conciliação contábil.
O crescimento do Pix nas relações B2B
Apesar de ainda representar uma pequena parcela das transações entre empresas, o Pix vem ganhando espaço de forma gradual e estratégica. Entre 2023 e 2025, o método foi responsável por cerca de 1,6% do valor total movimentado no ambiente corporativo, mas seu ticket médio triplicou no período, saltando de R$ 2,8 mil para R$ 8,5 mil.
Esse avanço mostra que o Pix começa a ser utilizado também em transações de maior valor, refletindo um processo de amadurecimento e aumento de confiança entre empresas.
Principais desafios do Pix nas empresas
- Dificuldade de rastreamento contábil em grandes operações;
- Menor possibilidade de validação prévia antes da liquidação;
- Ausência de conciliação automática em muitos sistemas ERP;
- Maior risco de erro em pagamentos instantâneos não conciliados.
Por esses motivos, muitas empresas ainda veem o boleto como instrumento de maior confiança e rastreabilidade, especialmente em contratos de longo prazo e operações de crédito com garantias.
Pagamentos híbridos: o novo padrão das empresas
Além do boleto e do Pix, as transferências e depósitos bancários também seguem fortes nas operações empresariais. Entre 2023 e 2025, essas modalidades somaram R$ 693 bilhões, crescendo de 10,3% para 11,9% do valor total transacionado.
O cenário indica que o futuro dos pagamentos B2B no Brasil será híbrido: uma convivência entre ferramentas digitais e métodos tradicionais, combinando a agilidade do Pix com a segurança e rastreabilidade dos boletos.
Essa transição é estratégica e reflete a maturidade do mercado financeiro corporativo, que busca eficiência sem abrir mão da governança e da conformidade contábil.
Desafios e riscos para o futuro dos pagamentos corporativos
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta para o aumento das fraudes com boletos falsos, principalmente por adulteração de dados e emissão indevida. Essa vulnerabilidade reforça a importância de soluções como o DDA (Débito Direto Autorizado) e a conciliação automática para garantir autenticidade e segurança.
Por outro lado, a digitalização sem integração pode gerar novos riscos. Adotar Pix ou carteiras digitais sem conciliação automatizada é como dirigir um carro sem painel de controle: há potência, mas falta visibilidade. Sem sistemas conectados, aumentam as chances de pagamentos duplicados e perda de rastreabilidade.
O estudo Panorama de Contas a Pagar 2026, da Qive, analisou mais de 315 milhões de notas fiscais eletrônicas, somando R$ 3,7 trilhões entre janeiro de 2023 e setembro de 2025, um retrato fiel de um mercado que avança na automação, mas ainda convive com práticas analógicas.
A importância da contabilidade integrada
Em um ambiente onde múltiplos meios de pagamento coexistem, contar com uma contabilidade especializada se torna essencial para manter o controle e a conformidade. Empresas de fomento mercantil, securitizadoras e ESCs precisam registrar e conciliar cada operação com precisão, evitando inconsistências fiscais e financeiras.
A integração entre bancos, ERPs e escritórios contábeis é o caminho para transformar dados financeiros em decisões estratégicas.
Leia também: A atividade da securitizadora: entenda a função e o dever fiduciário.
Convivência entre tradição e inovação
O panorama dos pagamentos B2B no Brasil mostra que o futuro não será definido pela substituição, mas pela convivência entre modelos. O boleto continua forte, o Pix cresce e as transferências se consolidam, formando um ecossistema financeiro mais diversificado e adaptado às necessidades das empresas.
A ContabilizaíBank é uma empresa de contabilidade especializada em atividades financeiras, como Securitizadoras, Factorings e ESC.
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