Atualizado em: 1 de junho de 2026
Tipos de securitizadoras: conheça os principais
Entender os tipos de securitizadoras é essencial para quem deseja atuar no mercado de recebíveis, estruturar uma operação de securitização ou abrir uma empresa nesse segmento.
A securitização transforma direitos creditórios em títulos negociáveis no mercado. Na prática, isso permite que empresas antecipem valores a receber e que investidores tenham acesso a ativos lastreados em recebíveis.
No Brasil, esse mercado tem ganhado espaço com o avanço do crédito privado, dos FIDCs, dos CRIs, dos CRAs e das operações com ativos empresariais.
O que é uma securitizadora?
A securitizadora é a empresa responsável por transformar direitos creditórios em títulos ou valores mobiliários negociáveis.
Esses direitos creditórios podem ter origem em diferentes operações, como:
- vendas a prazo;
- contratos comerciais;
- aluguéis;
- financiamentos;
- recebíveis do agronegócio;
- duplicatas;
- cheques;
- recebíveis de cartão;
- contratos de prestação de serviços.
Em vez de a empresa cedente esperar o vencimento desses valores, ela pode ceder os créditos para uma securitizadora. A securitizadora, então, estrutura a operação e emite títulos lastreados nesses recebíveis.
Como funciona a securitização?
A securitização funciona como uma ponte entre empresas que precisam de liquidez e investidores que buscam oportunidades de retorno.
De forma simplificada, o processo ocorre assim:
- uma empresa possui valores a receber;
- esses créditos são cedidos para uma securitizadora;
- a securitizadora estrutura a operação;
- os títulos são ofertados a investidores;
- os pagamentos dos devedores remuneram a operação.
Esse modelo pode ser usado em diversos setores da economia, desde o mercado imobiliário até empresas comerciais, industriais, financeiras e do agronegócio.
Tipos de securitizadoras: quais são os principais?
Os tipos de securitizadoras podem variar conforme a origem dos créditos que serão securitizados.
Na prática, existem modelos voltados para créditos imobiliários, créditos do agronegócio, créditos financeiros e ativos empresariais.
Cada tipo possui características próprias, riscos específicos e exigências operacionais diferentes.
Securitizadora de créditos imobiliários
A securitizadora de créditos imobiliários atua com recebíveis ligados ao setor imobiliário.
Esses créditos podem ter origem em:
- contratos de compra e venda de imóveis;
- parcelas de financiamentos imobiliários;
- aluguéis;
- loteamentos;
- incorporações;
- contratos do mercado imobiliário.
Esse tipo de securitizadora pode emitir o Certificado de Recebíveis Imobiliários, conhecido como CRI.
O que é CRI?
O CRI é um título de renda fixa lastreado em créditos imobiliários.
Ele permite que empresas do setor imobiliário antecipem recebíveis e captem recursos no mercado. Para investidores, pode ser uma alternativa de investimento vinculada ao desempenho desses créditos.
A securitizadora tem papel central na estruturação, emissão e acompanhamento da operação.
Securitizadora de crédito do agronegócio
Outro modelo importante entre os tipos de securitizadoras é a securitizadora de crédito do agronegócio.
Ela atua com recebíveis ligados à cadeia do agronegócio, como:
- produção rural;
- comercialização de insumos;
- venda de commodities;
- contratos agrícolas;
- financiamentos relacionados ao setor agro;
- operações com cooperativas e empresas rurais.
Nesse caso, o principal título emitido é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio, conhecido como CRA.
O que é CRA?
O CRA é um título lastreado em créditos originados no agronegócio.
Ele permite que empresas do setor agro transformem recebíveis futuros em liquidez imediata. Ao mesmo tempo, oferece aos investidores uma forma de participar do financiamento da cadeia produtiva do agronegócio.
Assim como no CRI, a securitizadora precisa manter controle sobre os créditos, contratos, pagamentos e obrigações da operação.
Securitizadora de créditos financeiros
As securitizadoras de créditos financeiros trabalham com direitos creditórios originados em operações financeiras.
Esses créditos podem estar ligados a:
- empréstimos;
- financiamentos;
- operações bancárias;
- contratos de crédito;
- recebíveis financeiros;
- carteiras de instituições financeiras.
Esse tipo de operação costuma exigir atenção elevada à análise de risco, documentação, lastro e regularidade dos créditos cedidos.
A securitizadora precisa avaliar a qualidade dos recebíveis e estruturar a operação de forma segura para investidores e participantes envolvidos.
Securitizadora de ativos empresariais
A securitizadora de ativos empresariais atua com créditos originados em operações comerciais, industriais ou de prestação de serviços.
Esse modelo costuma ser bastante relevante para empresas que vendem a prazo e desejam antecipar seus recebíveis.
Entre os ativos que podem fazer parte dessas operações estão:
- duplicatas;
- boletos;
- cheques pós-datados;
- contratos de fornecimento;
- recebíveis de cartão;
- parcelas a receber;
- direitos creditórios comerciais.
Esse tipo de securitizadora pode atender empresas de diferentes portes e setores.
Para negócios que trabalham com recebíveis recorrentes, a securitização pode ser uma estratégia para melhorar o fluxo de caixa e ampliar o acesso a capital.
Qual a diferença entre securitizadora, factoring e FIDC?
Apesar de estarem relacionados ao mercado de recebíveis, securitizadora, factoring e FIDC não são a mesma coisa.
Securitizadora
A securitizadora estrutura operações com direitos creditórios e pode emitir títulos lastreados nesses créditos.
Ela atua na transformação dos recebíveis em ativos negociáveis no mercado.
Factoring
A factoring compra direitos creditórios de empresas, geralmente ligados a vendas a prazo.
O foco costuma estar na antecipação de recebíveis e no apoio ao fluxo de caixa empresarial.
FIDC
O FIDC é um fundo de investimento que aplica em direitos creditórios.
Nesse modelo, investidores compram cotas do fundo, e os recursos são direcionados para aquisição de recebíveis.
Cada estrutura tem regras, finalidades e cuidados contábeis próprios.
Por isso, antes de abrir ou operar nesse mercado, é importante entender qual modelo faz mais sentido para o negócio.
Por que conhecer os tipos de securitizadoras é importante?
Conhecer os tipos de securitizadoras ajuda o empreendedor a escolher a estrutura correta para sua operação.
Esse entendimento também evita erros na definição do objeto social, na organização contábil e na análise dos créditos que serão trabalhados.
Cada tipo de securitizadora pode exigir cuidados específicos com:
- enquadramento jurídico;
- estrutura societária;
- controles internos;
- contabilidade;
- obrigações fiscais;
- gestão dos recebíveis;
- análise de risco;
- documentação das operações;
- relacionamento com investidores;
- conformidade regulatória.
A Comissão de Valores Mobiliários possui normas específicas para companhias securitizadoras registradas, como a Resolução CVM nº 60, que trata das companhias securitizadoras de direitos creditórios e das emissões públicas de títulos de securitização. Acesse a norma no site da CVM.
Cuidados antes de abrir uma securitizadora
Abrir uma securitizadora exige mais do que constituir uma empresa.
É necessário entender o tipo de crédito que será trabalhado, o modelo de operação, os riscos envolvidos e as obrigações aplicáveis.
Antes de iniciar, é importante avaliar:
- qual será o tipo de securitizadora;
- quais créditos serão securitizados;
- quem serão os cedentes;
- como será feita a análise dos recebíveis;
- quais controles internos serão adotados;
- como será feita a gestão contábil;
- quais obrigações regulatórias precisam ser observadas;
- quais sistemas serão usados na operação.
A falta de planejamento pode gerar problemas fiscais, contábeis, operacionais e jurídicos.
Leia também o nosso conteúdo sobre Como abrir uma securitizadora de créditos no Brasil
Conclusão
Os tipos de securitizadoras variam conforme a origem dos créditos trabalhados. Existem securitizadoras voltadas para créditos imobiliários, créditos do agronegócio, créditos financeiros e ativos empresariais.
Cada modelo possui particularidades e exige atenção com estrutura, controles, obrigações fiscais, contabilidade e gestão dos recebíveis.
Por isso, quem deseja abrir ou regularizar uma securitizadora precisa contar com orientação especializada desde o início.
A ContabilizaíBank é especializada em contabilidade para securitizadoras, factorings e ESCs. Entre em contato e entenda como estruturar sua operação com mais segurança contábil, fiscal e estratégica.
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