Novo FIDC combina créditos esportivos e Corinthians
O mercado de capitais segue ampliando sua presença no futebol brasileiro. Em junho de 2026, entrou em operação o FIDC Renegociação Desportiva Multicarteira Outros, fundo que combina direitos creditórios relacionados a litígios esportivos com diferentes recebíveis do Sport Club Corinthians Paulista.
Administrado pela Vórtx e gerido pela Outfield Ventures, o novo FIDC de futebol possui cotas sênior, subordinada mezanino e subordinada júnior. Em seu primeiro mês de funcionamento, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 31,29 milhões. Em julho, o valor ficou em R$ 28,06 milhões.
Novo FIDC amplia uso de recebíveis do futebol
A estrutura chama atenção pela diversidade dos direitos creditórios que podem fazer parte do fundo.
Além de receitas comerciais tradicionalmente associadas aos clubes, como patrocínio, transmissão e licenciamento, o FIDC também contempla créditos decorrentes de disputas esportivas.
Com isso, a estrutura amplia as possibilidades de utilização de direitos vinculados à indústria do futebol dentro do mercado de FIDCs.
Fundo pode adquirir créditos de litígios na FIFA e no CAS
Uma das categorias previstas no regulamento envolve os chamados direitos creditórios FIFA e TAS/CAS.
Esses ativos têm origem em ações e processos que tramitam perante instâncias esportivas internacionais, como:
- tribunais da FIFA;
- Tribunal Arbitral do Esporte, conhecido internacionalmente como CAS;
- disputas nas quais o Corinthians figure como parte ativa ou passiva.
Os cedentes desses direitos podem ser pessoas físicas ou jurídicas submetidas à jurisdição da FIFA.
Essa característica diferencia o fundo de estruturas baseadas exclusivamente em recebíveis comerciais, ao permitir exposição a créditos decorrentes de disputas e processos do ambiente esportivo.
Recebíveis do Corinthians também fazem parte da estrutura
A segunda frente do fundo envolve recebíveis relacionados diretamente às atividades do Corinthians.
Esses ativos são previstos exclusivamente para integralização das cotas subordinadas júnior e podem envolver diferentes fontes de receitas do clube.
Entre os direitos creditórios elegíveis estão:
- contratos de patrocínio;
- direitos relacionados à marca do clube;
- contratos de licenciamento;
- direitos de transmissão;
- programas de sócio-torcedor;
- contribuições sociais;
- contratos de uso de espaços imobiliários;
- receitas provenientes da transferência de atletas;
- direitos econômicos relacionados a jogadores, observadas as regras aplicáveis da FIFA.
Os recebíveis podem ser formalizados por diferentes instrumentos contratuais, incluindo duplicatas mercantis ou de serviços.
Receitas variáveis também podem servir como garantia
A estrutura também prevê a utilização de recebíveis com parcelas variáveis.
Nesse caso, esses ativos não entram da mesma forma que os créditos com pagamentos fixos. Eles podem ser utilizados como garantia em cessões fiduciárias ligadas ao cumprimento das obrigações da operação.
A combinação permite utilizar diferentes fluxos financeiros gerados pela atividade do clube dentro da estrutura do fundo.
FIDCs ganham espaço no futebol brasileiro
O novo fundo ligado ao Corinthians faz parte de um movimento mais amplo de aproximação entre clubes de futebol e o mercado de capitais.
Os FIDCs permitem estruturar diferentes direitos creditórios e utilizar receitas futuras como base para operações financeiras.
No futebol, esses ativos podem surgir de diversas fontes, como venda de atletas, direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e programas de relacionamento com torcedores.
O crescimento dessas estruturas mostra que o FIDC de futebol não está limitado a apenas uma fonte de receita.
São Paulo também possui FIDC baseado em receitas do clube
Outro exemplo citado no mercado é o FIDC São Paulo Futebol Clube, também administrado pela Vórtx e gerido pela Galápagos Capital Investimentos e Participações.
Lançado em novembro de 2024, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 147,35 milhões em julho de 2026.
A estrutura utiliza direitos creditórios provenientes de diferentes atividades, incluindo:
- negociações de atletas;
- programa de sócio-torcedor;
- direitos de uso de espaços imobiliários;
- contratos de licenciamento;
- direitos de transmissão.
Há ainda o FIDC DTBR, associado a recebíveis de transmissão relacionados aos jogos do São Paulo FC.
Litígios esportivos também começam a formar nicho próprio
Outra estrutura recente é o FIDC Morisco Special, administrado pela Vórtx e também gerido pela Outfield Ventures.
Nesse caso, o fundo concentra sua estratégia em direitos creditórios originados de litígios que tramitam na Câmara Nacional de Resolução de Disputas da Confederação Brasileira de Futebol, a CNRD/CBF.
Em julho de 2026, o fundo registrou patrimônio líquido de R$ 1,89 milhão.
A existência de fundos voltados especificamente a disputas esportivas mostra como os direitos creditórios do futebol estão se tornando mais diversificados.
O que o novo FIDC do Corinthians mostra ao mercado?
O FIDC Renegociação Desportiva Multicarteira Outros chama atenção por reunir, em uma mesma estrutura, créditos de naturezas distintas.
De um lado estão recebíveis ligados à atividade comercial de um clube de futebol. Do outro, direitos originados de disputas analisadas por tribunais esportivos.
A operação evidencia uma expansão das possibilidades de estruturação de FIDCs dentro da indústria esportiva.
Para gestores, administradores, clubes, investidores e prestadores de serviços especializados, esse movimento aumenta também a necessidade de controles adequados sobre ativos que possuem origens, características e riscos diferentes.
Complexidade dos FIDCs exige controles especializados
À medida que os FIDCs passam a utilizar direitos creditórios mais específicos, a estrutura operacional também tende a se tornar mais complexa.
Entre os pontos que precisam ser acompanhados estão:
- identificação e classificação dos direitos creditórios;
- conciliação das operações;
- controle das cessões;
- acompanhamento dos fluxos financeiros;
- prestação de informações;
- contabilização dos ativos;
- obrigações fiscais e regulatórias.
Em fundos que combinam diferentes categorias de recebíveis, essa organização se torna ainda mais relevante.
Leia também o nosso conteúdo sobre Corporate venture building no futebol: o caso do São Paulo FC
Link externo sugerido: página da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com informações e regulamentação sobre Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.
FIDC de futebol amplia conexão com mercado de capitais
A criação do fundo que reúne créditos de litígios esportivos e recebíveis do Corinthians reforça a crescente aproximação entre a indústria do futebol e o mercado de capitais.
Estruturas que antes estavam concentradas em recebíveis mais tradicionais começam a incorporar ativos ligados a diferentes aspectos da atividade esportiva, incluindo contratos comerciais, transferências de atletas e até disputas judiciais e arbitrais.
O movimento mostra como o FIDC de futebol pode assumir formatos cada vez mais específicos à medida que clubes e gestores exploram novas formas de financiar e estruturar seus fluxos financeiros.
A ContabilizaíBank atua com contabilidade especializada para empresas e estruturas do mercado de capitais e crédito,
Se sua empresa atua com fundos de direitos creditórios, originação, securitização ou outras estruturas financeiras, fale com a equipe da ContabilizaíBank e conheça nossas soluções contábeis, fiscais e societárias para o setor.
Compartilhe:

Proteja seu patrimônio
Garanta segurança e planejamento para seu patrimônio. Clique e descubra como abrir sua holding!















Deixe um comentário