Painel digital de compliance com símbolo de bloqueio, representando punições e fiscalização de correspondentes bancários.

Punições a correspondentes bancários passam de 2,2 mil

O setor bancário intensificou o combate a fraudes, assédio comercial e outras irregularidades na oferta de crédito consignado. No balanço acumulado até julho de 2026, foram aplicadas 2.255 punições a correspondentes bancários, entre advertências e suspensões temporárias.

Do total, foram registradas 1.198 advertências e 925 suspensões, enquanto 132 empresas estão impedidas de atuar em nome dos bancos participantes da Autorregulação do Consignado.

Os números reforçam a importância de conformidade, treinamento e acompanhamento das práticas comerciais dentro das operações de crédito consignado.

132 empresas estão impedidas de vender consignado

Além das advertências e suspensões, 132 empresas foram impedidas de atuar em nome das instituições financeiras que participam da Autorregulação do Consignado.

Também foram registrados casos envolvendo agentes de crédito.

Segundo o balanço, 17 profissionais atingiram a pontuação máxima de 20 pontos prevista pelo sistema de acompanhamento e foram suspensos por 12 meses.

As medidas fazem parte de uma estrutura de fiscalização criada para coibir práticas abusivas na oferta de crédito, principalmente para públicos considerados mais vulneráveis.

O que é a Autorregulação do Consignado?

A Autorregulação do Consignado foi criada em março de 2020 por iniciativa conjunta da Federação Brasileira de Bancos, a Febraban, e da Associação Brasileira de Bancos, a ABBC.

O objetivo é estabelecer regras de conduta para instituições financeiras, correspondentes bancários e agentes que atuam na oferta de crédito consignado.

Atualmente, participam do sistema 81 instituições financeiras, responsáveis por aproximadamente 99% da carteira de crédito consignado do país.

Quais produtos estão sujeitos às regras?

A Autorregulação abrange diferentes modalidades de crédito consignado.

Entre elas estão:

  • empréstimo consignado tradicional;
  • cartão de crédito consignado;
  • cartão benefício consignado;
  • operações destinadas a aposentados e pensionistas do INSS;
  • crédito para servidores públicos;
  • crédito consignado para trabalhadores do setor privado.

As regras buscam estabelecer padrões mínimos de conduta, transparência e relacionamento com o consumidor.

Como as irregularidades são identificadas?

O acompanhamento não depende apenas das reclamações feitas diretamente aos bancos.

Diversas fontes são utilizadas para avaliar a conduta de correspondentes e agentes de crédito.

Entre elas estão:

  • reclamações procedentes nos canais internos das instituições;
  • registros nos Procons;
  • reclamações encaminhadas ao Banco Central;
  • manifestações no Consumidor.gov.br;
  • ações judiciais;
  • indicadores de conformidade;
  • avaliações realizadas por consultoria independente.

Também são analisados aspectos relacionados a governança, relacionamento com consumidores e gestão de dados.

Bancos também podem receber multas

As sanções não ficam restritas aos correspondentes bancários.

Instituições financeiras que descumprirem as regras da Autorregulação também podem ser penalizadas.

As multas previstas variam de R$ 45 mil a R$ 1 milhão.

Os valores arrecadados são destinados a iniciativas relacionadas à educação financeira.

Consumidor pode verificar certificação do agente de crédito

Outro ponto importante é a possibilidade de o consumidor verificar se o profissional que oferece crédito consignado está certificado e autorizado a atuar.

A consulta pode ser realizada por meio do CPF do agente na Central de Registros de Certificados Profissionais.

Esse tipo de verificação aumenta a transparência da operação e reduz o risco de contato com profissionais irregulares.

Não Me Perturbe já acumula mais de 6,3 milhões de pedidos

Outro dado relevante do balanço está relacionado à plataforma Não Me Perturbe.

Entre janeiro de 2020 e junho de 2026, foram realizados 6.392.872 pedidos de bloqueio para evitar ligações com ofertas indesejadas de crédito consignado.

A plataforma permite que consumidores impeçam instituições financeiras e correspondentes bancários de realizar contatos proativos para oferecer esse tipo de crédito.

Sudeste concentra mais da metade dos bloqueios

A região Sudeste concentra a maior parte das solicitações registradas na plataforma.

A distribuição dos pedidos foi:

  • Sudeste: 53,85%;
  • Sul: 18,42%;
  • Nordeste: 14,75%;
  • Centro-Oeste: 9,25%;
  • Norte: 3,73%.

São Paulo lidera entre os estados, com 1.977.269 pedidos de bloqueio, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Regras também buscam combater assédio comercial

A Autorregulação prevê medidas específicas para reduzir ligações indesejadas e práticas comerciais consideradas abusivas.

Uma dessas regras estabelece que os bancos participantes não remunerem correspondentes por determinadas operações realizadas com consumidores que estejam registrados no Não Me Perturbe ou que tenham desbloqueado o telefone há menos de 180 dias.

A medida busca reduzir incentivos comerciais para abordagens inadequadas.

O que as punições representam para os correspondentes?

O aumento das sanções mostra que a operação de um correspondente bancário exige cada vez mais atenção a processos de compliance e qualidade comercial.

Para quem atua com consignado, pontos como treinamento, certificação e acompanhamento das equipes deixam de ser apenas boas práticas e passam a representar fatores diretamente relacionados à continuidade da operação.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • abordagem adequada ao consumidor;
  • consentimento para contato;
  • respeito ao Não Me Perturbe;
  • clareza na apresentação das condições do crédito;
  • utilização correta dos dados pessoais;
  • certificação dos agentes;
  • registro e monitoramento das interações;
  • acompanhamento das reclamações.

Compliance passa a ser parte central da operação

O correspondente que não acompanha suas práticas comerciais pode sofrer impactos que vão além de uma advertência.

Suspensões, bloqueios de atuação e perda de relacionamento com instituições financeiras podem comprometer diretamente a geração de receita da empresa.

Por isso, processos internos de supervisão precisam acompanhar o crescimento comercial.

Quanto maior a equipe de vendas, maior também a necessidade de monitorar atendimento, origem dos leads, consentimentos e documentação das operações.

Tecnologia pode ajudar na conformidade do Corban

Sistemas de gestão também podem desempenhar papel importante na redução de riscos.

Uma estrutura organizada pode ajudar o correspondente a:

  • centralizar informações dos clientes;
  • acompanhar o desempenho dos agentes;
  • registrar históricos de atendimento;
  • controlar documentos;
  • organizar etapas da operação;
  • melhorar a rastreabilidade;
  • reduzir falhas operacionais.

O objetivo não é apenas vender mais, mas crescer mantendo controle e conformidade.

Leia também o nosso conteúdo da Corbanzaí sobre gestão de correspondentes bancários, CRM para Corban ou compliance na operação de crédito.

Punições reforçam nova realidade do mercado consignado

O balanço acumulado até julho de 2026 mostra que a fiscalização sobre o crédito consignado está cada vez mais estruturada.

Com 2.255 punições aplicadas e 132 empresas impedidas de atuar, correspondentes bancários precisam tratar compliance, certificação e qualidade comercial como parte estratégica do negócio.

Em um setor no qual confiança e relacionamento com as instituições financeiras são fundamentais, processos frágeis podem colocar toda a operação em risco.

Gestão e tecnologia para correspondentes bancários

A Corbanzaí oferece soluções voltadas à gestão de correspondentes bancários, ajudando operações de crédito a organizar processos, equipes e informações em um único ambiente.

Se sua operação busca mais controle, produtividade e organização para crescer no mercado de crédito, conheça as soluções da Corbanzaí.

Autor:

Mauro Morgan de Aguiar
Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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