Smartphone com ícones de serviços, moedas e gráfico de crescimento, representando diversificação de receitas, recorrência e expansão além do crédito consignado.

Agibank vai além do consignado e diversifica receitas

A diversificação de receitas no consignado ganhou destaque com a nova estratégia do Agibank. O banco está ampliando sua atuação para além do crédito e aposta em receitas recorrentes com o lançamento do Agi+, programa de assinatura voltado principalmente à população de baixa renda e ao público mais velho.

O movimento busca reduzir a dependência do crédito consignado, aumentar a participação das receitas de serviços e tornar os resultados menos expostos à volatilidade do mercado e aos riscos regulatórios.

Para correspondentes bancários, a estratégia chama atenção para um ponto importante: depender de uma única modalidade de crédito pode aumentar a vulnerabilidade da operação.

Agibank aposta em receita recorrente

O Agibank está lançando o Agi+, programa de assinatura que reúne benefícios e assistências em uma única mensalidade.

Os planos apresentados na notícia variam entre R$ 39,90 e R$ 59,90 e incluem serviços relacionados a:

  • saúde;
  • odontologia;
  • residência;
  • pets;
  • telefonia;
  • cuidados com idosos;
  • descontos em compras.

A proposta foi criada considerando o perfil predominante da base do banco, formada principalmente por clientes de menor renda e por consumidores mais velhos.

Atualmente, segundo as informações divulgadas na notícia, receitas de serviços e tarifas representam menos de 5% das receitas do Agibank.

Com o novo programa, o banco pretende aumentar gradualmente essa participação.

Por que o Agibank quer depender menos do consignado?

O crédito continua sendo uma atividade central para o banco, mas possui características que podem aumentar a volatilidade dos resultados.

Mudanças econômicas podem afetar:

  • inadimplência;
  • capacidade de pagamento;
  • originação de novas operações;
  • custo de crédito;
  • qualidade da carteira.

No consignado, também existe uma exposição importante ao ambiente regulatório.

A própria trajetória recente do Agibank demonstra isso. Segundo a notícia, o INSS chegou a suspender temporariamente o recebimento de novas averbações de crédito consignado da instituição no fim do ano passado.

A operação posteriormente foi retomada, mas o episódio aumentou a atenção dos investidores para a dependência do banco em relação ao produto.

Diversificação de receitas no consignado reduz concentração

A estratégia do Agibank mostra como a diversificação de receitas no consignado pode funcionar como uma forma de reduzir a concentração do negócio.

Quando grande parte do faturamento depende de apenas uma modalidade, mudanças naquele mercado podem ter impacto significativo sobre a operação.

Entre os principais riscos estão:

  • alteração de regras;
  • suspensão temporária de produtos;
  • mudanças na margem consignável;
  • redução na originação;
  • aumento da concorrência;
  • alterações nas comissões;
  • mudanças no comportamento dos consumidores.

Criar outras fontes de receita pode tornar o negócio menos dependente de um único cenário.

Agi+ aposta em serviços para o público de baixa renda

A estratégia de assinatura do Agibank difere de programas centrados apenas em cashback ou entretenimento.

O Agi+ concentra sua proposta em serviços cotidianos.

Um dos principais focos está na saúde, com acesso a telemedicina, consultas e exames em clínicas populares.

A estratégia procura oferecer benefícios que tenham utilidade frequente para o cliente e, ao mesmo tempo, criar uma receita mensal previsível para o banco.

Essa lógica também fortalece o relacionamento com a base.

Receita recorrente aumenta previsibilidade

Uma das principais diferenças entre receitas de crédito e receitas de assinatura está na previsibilidade.

A originação de crédito pode variar de acordo com juros, regulação, demanda e condições econômicas.

Em uma assinatura, a empresa recebe uma mensalidade enquanto o cliente permanecer ativo no serviço.

Isso não elimina riscos. Cancelamentos podem reduzir a receita e o cliente precisa perceber valor suficiente para continuar pagando.

Ainda assim, uma base de assinantes recorrentes pode ajudar a equilibrar as oscilações de outras linhas de negócio.

Cross-sell também faz parte da estratégia

O Agibank possui mais de 7 milhões de clientes ativos, segundo os dados apresentados na notícia.

A instituição pretende utilizar esse relacionamento para ampliar a oferta de outros produtos.

O programa de assinatura pode servir como uma porta de entrada para soluções de maior margem, como:

  • seguros;
  • empréstimos sem garantia;
  • outros serviços financeiros.

Essa estratégia é conhecida como cross-sell, ou venda cruzada.

Em vez de conquistar um novo cliente para cada produto, a empresa amplia o relacionamento com quem já faz parte de sua base.

Mais produtos podem reduzir o churn

Segundo o CEO do Agibank citado na notícia, clientes com maior engajamento apresentam menor churn e menor inadimplência.

Atualmente, cada cliente ativo mantém, em média, cinco produtos com a instituição. Entre os clientes considerados principais, com relacionamento superior a um ano, o número passa de sete produtos.

A lógica é simples: quanto mais soluções relevantes fazem parte do relacionamento, maior pode ser o custo de o cliente migrar integralmente para um concorrente.

Para instituições financeiras e correspondentes bancários, isso reforça a importância de enxergar o relacionamento para além de uma única venda.

O que essa estratégia ensina aos correspondentes bancários?

Embora o Agibank tenha uma estrutura muito diferente da de um Corban, existe uma reflexão importante para correspondentes bancários.

Muitas operações dependem fortemente de um produto específico, principalmente o empréstimo consignado.

Quando essa modalidade enfrenta alguma mudança, o impacto pode atingir diretamente o faturamento do correspondente.

A diversificação pode envolver diferentes caminhos, dependendo das instituições parceiras e da estrutura do negócio.

  • trabalhar com diferentes modalidades de crédito;
  • ampliar o número de instituições parceiras;
  • atuar com seguros quando permitido;
  • desenvolver produtos complementares;
  • fortalecer relacionamento e pós-venda;
  • reduzir dependência de uma única fonte de comissão.

A diversificação não significa abandonar o consignado. O objetivo é evitar que praticamente toda a receita dependa dele.

O risco regulatório continua no radar

A notícia também mostra como o ambiente regulatório pode afetar rapidamente uma operação concentrada em crédito consignado.

Por isso, correspondentes bancários precisam acompanhar mudanças nas regras das instituições financeiras, dos convênios e dos órgãos responsáveis pelas modalidades em que atuam.

Para consultar informações oficiais sobre o produto, acesse as orientações do Banco Central sobre empréstimos consignados.

Diversificar sem perder o foco

Adicionar produtos apenas para aumentar o portfólio não garante melhores resultados.

O correspondente precisa avaliar se cada solução realmente faz sentido para sua base de clientes e para sua operação.

Perfil dos clientes

Quais produtos já são procurados pela base?

Margem e comissão

Qual é a contribuição real de cada produto para o resultado?

Recorrência

Existe possibilidade de gerar receita além da contratação inicial?

Risco operacional

A equipe consegue trabalhar corretamente com diferentes produtos?

Dependência

Quanto do faturamento depende atualmente de uma única instituição ou modalidade?

Essas perguntas ajudam a identificar se a empresa está diversificando de maneira estratégica ou apenas aumentando sua complexidade.

Organização financeira acompanha a diversificação

Mais produtos também significam mais movimentações financeiras.

O Corban pode passar a receber comissões de diferentes instituições, em datas e condições distintas.

Isso exige maior controle sobre:

  • comissões recebidas;
  • repasses;
  • notas fiscais;
  • impostos;
  • produtos mais rentáveis;
  • custos da operação;
  • margem por modalidade.

Sem esse acompanhamento, a empresa pode aumentar o faturamento e ainda assim perder eficiência.

A contabilidade ajuda a identificar quais atividades efetivamente contribuem para o resultado do negócio.

Agibank busca um negócio menos dependente do crédito

O movimento do Agibank ocorre em um momento importante para a instituição.

Após abrir capital na Bolsa de Nova York com uma tese fortemente ligada ao consignado, o banco passou a enfrentar maior atenção do mercado sobre sua concentração nessa modalidade.

O lançamento do Agi+ representa uma tentativa de aumentar a participação das receitas de serviços e construir um relacionamento mais recorrente com os clientes.

A transição, segundo o próprio banco, deve ocorrer gradualmente.

O objetivo é fazer com que as receitas de serviços ganhem mais representatividade a cada ano.

Conclusão

A estratégia do Agibank mostra que a diversificação de receitas no consignado pode ser importante para reduzir a dependência de uma única linha de negócio.

O banco pretende combinar crédito, assinaturas, serviços e venda cruzada para aumentar a previsibilidade dos resultados e fortalecer o relacionamento com sua base.

Para correspondentes bancários, a discussão também é relevante. Uma operação excessivamente concentrada em um único produto, convênio ou parceiro pode ficar mais exposta a mudanças regulatórias e comerciais.

Diversificar de maneira planejada, acompanhar a rentabilidade de cada produto e manter controles financeiros adequados pode tornar o Corban mais preparado para mudanças no mercado.

A Corbanzaí atua com contabilidade especializada para correspondentes bancários, ajudando na organização de comissões, impostos, notas fiscais e resultados.

Seu Corban depende muito de uma única fonte de receita? Organize os números da operação com a Corbanzaí e tenha mais clareza para planejar o crescimento do negócio.

Autor: 

Mauro Morgan de Aguiar
Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:

Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.

Área Econômica: Planejamento estratégico; Projetos de financiamento junto ao BNDES; Estudo de viabilidade econômica/financeira; Avaliação patrimonial; Avaliação de Marcas e Perícias Econômicas.

Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.

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