Presença capta R$ 300 milhões via FIDC e projeta R$ 1 bilhão em crédito
A fintech paulista Presença concluiu uma captação de R$ 300 milhões por meio da emissão de cotas em Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
Os recursos serão destinados ao financiamento de operações de crédito, com foco no consignado privado e também em públicos atendidos pela empresa, como beneficiários do INSS, FGTS, SIAPE e convênios públicos.
Com a nova estrutura de funding, a companhia projeta alcançar R$ 1 bilhão em desembolsos até o próximo ano.
A estratégia também envolve investimentos em tecnologia e inteligência artificial para aumentar a eficiência operacional e fortalecer a atuação de correspondentes bancários e promotoras parceiras.
FIDC amplia capacidade de funding da operação
Os FIDCs são estruturas amplamente utilizadas no mercado de crédito para transformar direitos creditórios em ativos de investimento.
Na prática, esse tipo de fundo pode funcionar como uma importante fonte de recursos para empresas que originam ou financiam operações de crédito.
No caso da Presença, a captação de R$ 300 milhões amplia a capacidade da fintech de financiar novas operações e sustentar o crescimento da carteira.
O movimento reforça a importância do funding estruturado em um mercado que exige cada vez mais escala, eficiência e controle de risco.
Consignado privado está entre os focos da expansão
Uma das principais frentes da empresa é o consignado privado, modalidade que ganhou espaço com a ampliação da digitalização das operações de crédito.
A Presença avalia que o produto possui potencial relevante de crescimento, especialmente por combinar facilidade operacional, jornada digital e maior integração tecnológica.
Além do consignado privado, a empresa também atua em produtos destinados a beneficiários do INSS, operações relacionadas ao FGTS, servidores atendidos pelo SIAPE e convênios públicos.
A diversificação ajuda a ampliar a atuação da fintech em diferentes frentes do mercado de crédito consignado.
Tecnologia e inteligência artificial entram na estratégia
A expansão não está baseada apenas na disponibilidade de capital.
Segundo a empresa, parte da estratégia também envolve o desenvolvimento de tecnologias voltadas à operação de correspondentes bancários.
Entre os objetivos estão:
- reduzir etapas nos processos;
- aumentar a autonomia dos parceiros;
- acelerar digitações e aprovações;
- melhorar a eficiência das vendas;
- apoiar a escalabilidade das operações.
O uso de inteligência artificial pode contribuir para automatizar etapas, organizar fluxos e reduzir atividades manuais.
Para os correspondentes bancários, esse tipo de avanço pode representar ganho de produtividade em um mercado cada vez mais competitivo.
Corbans menores também entram no foco
A Presença destaca ainda uma estratégia de proximidade com parceiros, incluindo correspondentes bancários de menor porte.
A proposta é oferecer estrutura, tecnologia e relacionamento que permitam a esses parceiros aumentar sua capacidade de venda.
Esse tipo de movimento pode ser relevante para o setor porque muitos corbans enfrentam dificuldades relacionadas a funding, tecnologia, acesso a produtos e eficiência operacional.
Com plataformas mais estruturadas e processos mais automatizados, esses parceiros podem ganhar escala sem necessariamente aumentar a complexidade interna na mesma proporção.
Mercado de consignado passa por mudanças
O mercado de crédito consignado vem enfrentando alterações importantes.
Mudanças nas regras do FGTS, por exemplo, reduziram significativamente as operações de antecipação do saque-aniversário, impactando parte relevante do mercado que atuava nesse produto.
Ao mesmo tempo, o consignado privado passou a ganhar mais atenção como uma nova frente de crescimento.
Esse cenário obriga empresas do setor a diversificar produtos, revisar estratégias e buscar novas fontes de funding.
Crescimento exige controle de risco
O avanço do mercado também ocorre em um ambiente de maior preocupação com inadimplência e qualidade da concessão.
A própria Presença destaca uma postura mais conservadora na originação do crédito, defendendo crescimento acompanhado de segurança e qualidade das operações.
Esse ponto ganha importância em um contexto no qual modelos de concessão mais agressivos podem aumentar o risco de inadimplência e comprometer a sustentabilidade das carteiras.
Para operações de crédito estruturadas, crescer não significa apenas originar mais.
Também é necessário manter:
- critérios de análise adequados;
- controle de inadimplência;
- qualidade dos recebíveis;
- eficiência operacional;
- governança;
- acompanhamento da carteira.
Funding e back-office ganham importância
A estratégia da Presença também reforça dois pontos cada vez mais relevantes para empresas de crédito: capacidade de funding e estrutura de back-office.
O funding é o que permite ampliar o volume de concessão.
Já o back-office sustenta a operação depois da venda, envolvendo processos como formalização, controle, conciliação, acompanhamento de carteira e gestão de riscos.
Quanto maior o volume originado, maior também a necessidade de sistemas e processos capazes de suportar essa expansão.
Por isso, a combinação entre capital, tecnologia e operação pode ser determinante para a sustentabilidade do crescimento.
O que esse movimento representa para correspondentes bancários?
Para os correspondentes bancários, operações como essa indicam uma possível ampliação da oferta de produtos e do volume disponível para originação.
Mais funding pode significar mais capacidade de concessão por parte das instituições parceiras.
Além disso, os investimentos em tecnologia podem trazer jornadas mais rápidas e simplificadas para os corbans.
Por outro lado, a expansão também aumenta a necessidade de atenção à qualidade das vendas, documentação, conformidade e acompanhamento das regras de cada produto.
O crescimento do consignado privado tende a exigir correspondentes cada vez mais preparados para operar de forma eficiente e segura.
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FIDCs continuam ganhando espaço no mercado de crédito
A captação da Presença também reforça a importância dos FIDCs como instrumento de financiamento para empresas do mercado de crédito.
Esses fundos permitem conectar investidores a carteiras de recebíveis, criando alternativas de funding fora das estruturas bancárias tradicionais.
Para fintechs, financeiras, securitizadoras e empresas de crédito, esse modelo pode ser uma ferramenta importante para ampliar a capacidade de originação.
Ao mesmo tempo, o crescimento dessas estruturas aumenta a necessidade de controles contábeis, financeiros e regulatórios adequados.
Mercado caminha para mais tecnologia e estruturação
O movimento da Presença reúne algumas das principais tendências atuais do mercado de crédito:
funding estruturado, expansão do consignado privado, uso de inteligência artificial e fortalecimento dos correspondentes bancários.
A expectativa é de que empresas capazes de combinar acesso a capital, tecnologia, controle de risco e uma rede eficiente de distribuição ganhem espaço nos próximos anos.
Para correspondentes bancários e empresas do mercado financeiro, acompanhar essas mudanças será importante para identificar novas oportunidades e também para se adaptar a um ambiente cada vez mais tecnológico e estruturado.
A ContabilizaíBank acompanha os principais movimentos do mercado de FIDCs, enquanto a Corbanzaí acompanha de perto as mudanças no crédito consignado, tecnologia e operação dos correspondentes bancários. Continue acompanhando nossos conteúdos para entender as tendências, oportunidades e impactos que movimentam o setor de crédito.
Autor:
Mauro Morgan de Aguiar
Auditor Independente, economista, contador, pós graduado em auditoria, controladoria e perícia contábil, com mais de 30 anos de experiência na prestação de serviços de auditoria, assessoria administrativa e financeira, consultoria, perícia judicial e perícia civil, avaliação de ativos e controle patrimonial, a cooperativas, hospitais, operadores de planos de saúde, construtoras e empresas públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos:
Área Contábil: amplo domínio da lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/07; alinhamento ao IRFS; Contabilidade Gerencial, de custos; Controladoria Financeira, Administração patrimonial, diagnósticos empresariais, consultoria de gestão de negócios; Auditoria Administrativa e Operacional; Assessoria e Consultoria em sociedades cooperativas; Impugnações fiscais a nível administrativo, acompanhamento de implantação de sistemas informatizados; Perícia contábil e Judicial; Palestrante em Faculdades.
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Registrado no Conselho Regional de Contabilidade-CRC, Comissão de Valores Mobiliários- CVM, Instituto dos Auditores Independentes do Brasil-IBRACON, Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e Conselho Regional de Economia-CORECON.
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